Depois de horas de atraso e com a casa abarrotada, apagaram-se as luzes e o show de Criolo começou assim:
E talvez seja justamente este clipe, de “Subirusdoistiozin”, o mais novo de Criolo, projetado em um telão e acompanhado em coro pelas bem mais de mil pessoas ali presentes, a melhor síntese da fase atual deste artista: Criolo, hoje, é cool e sofisticado e, definitivamente, não se limita à estética pura do rap tradicional.
Reflexo disso é justamente a diversidade de estilos do público presente ontem, dia 06 de setembro, no Estudio Emme; de “manos a playbas”, passando por muitas menininhas que suspiravam incontrolavelmente diante da explosão de virilidade que é Criolo no palco.
Repito, contudo, o que já disse em outra ocasião: o álbum Nó na Orelha (que foi gravado em estúdio), ainda que “sonoramente eclético”, mantém uma coesão justamente por contar com o rap como fio condutor – não tanto na forma, mas em sua substância, especialmente nas letras e na temática ali retratada. Quando se vê Criolo sobre o palco, porém, a certeza é de que tudo aquilo – forma, conteúdo, postura e trejeitos – não poderia ser descrito de outra forma se não como pertencente ao mais legítimo show de rap.
Criolo vive intensamente o palco: intercala momentos quase introspectivos, em que tenta expiar, em forma de lamento, suas desilusões (como, claro, em “Não Existe Amor em SP”, ou em “Domingo à Tarde”, de Nelson Ned), a outros em que parece ser atingido por uma descarga elétrica; possuído por um dos demônios sobre os quais canta. E por falar nisso, tamanho é o fervor com que Criolo passa sua mensagem, que em alguns instantes nos sentimos em meio a uma pregação religiosa, como se aquele sujeito barbudo sobre o palco fosse o pastor – para quem o público diz amém sem pestanejar.
Ao vivo fica também mais clara e surpreendente a amplitude do espectro que sua voz alcança; do samba cantado num belíssimo tom grave (como no quase samba-cancão que fez em homenagem a seus pais, ali presentes), aos raps (como “Grajaeux”) quase gritados – vários tons mais lá no alto.
Ao final, devidamente vestido com o manto da Gaviões da Fiel, Criolo ouviu atentamente o manifesto proferido por Daniel Ganjaman, seu parceiro, produtor e um dos maiores representantes da música (efetivamente) popular brasileira: aquela havia sido uma noite histórica – por terem conseguido lotar uma casa como o Emme – mas o rap brasileiro, apesar de ser proclamado como o hype do momento, jamais deixou de ter sua relevância e seu espaço.
Que continue.


Foi simplesmente foda.
Alem das musicas serem ótimas desde o primeiro cd até agora, é dificil encontrar um artista como o Criolo, que canta com a alma. E fala oq pensa sem ter vergonha de quem esta escutando!
É isso aí! Que continue.
Valeu a pena cada segundo… dos melhores shows que vi na vida! Impactante, indescritível… por isso, para por aqui.
Quem estava lá sentiu! Um dos shows mais fodas, com certeza!
Kleber Gomes: uma alma conecetada a uma mente surpreendente de entusiasmo, humildade, frenezi = FENOMENAL
Ótima Resenha do show!
O Criolo é fenomenal, acredito que ele evoluiu muito como músico!
Abs
Eu tenho ouvido falar muito nele. Tenho vários amigos roqueiros da cena HC paulistana, que curtem o som dele e sempre criticam positivamente o som. Ainda não cheguei a ouvir, mas depois desse post fiquei curioso e irei atrás!
[...] the way Criolo mixes rap with singing, and hip hop rhythms with samba, reggae and even bolero. A review on the blog Re-verb enthused about a sold-out show at Sao Paulo’s Estudio Emme, as female [...]
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