
O comentário do meu grande amigo Felipe Daud ao post do Garotas Suecas, no qual ele comentou sobre a importância de os artistas disponibilizarem suas obras ao público, me instigou a querer compartilhar algumas outras considerações sobre o tema e dicas de outros álbuns disponíveis – licitamente, vale dizer – na internet.
Em primeiro lugar, reitero o que disse na resposta àquele comentário: não adianta fechar os olhos à realidade e ignorar o fato de que a internet transformou a relação entre o público, as bandas e seus trabalhos. Isso porque, uma vez na rede, o acesso às obras é praticamente instantâneo. Sim, de acordo com a legislação vigente no Brasil e em grande parte do mundo, baixar músicas sem autorização dos artistas ou das gravadoras é crime. Entretanto, diante da facilidade com que se consegue ter acesso a qualquer obra, do custo zero de se “adquirir” músicas e da certeza da impunidade, tal fenômeno parece irreversível.
Dessa forma, me parece que o caminho mais razoável não é o arrefecimento da fiscalização e a aplicação de sanções, mas a criação de alternativas para a compensação dos artistas (há, por exemplo, propostas de criação de mais fundos – a la ECAD – para o pagamento dos direitos patrimoniais aos autores, ou ainda iniciativas no sentido de fornecer incentivos prévios aos músicos) sem que isso diminua o acesso do público às obras – o que, a meu ver, representaria um passo atrás.
Esse tipo de discussão, contudo, não é simples, muito menos deve ser feita de modo superficial. Assim, considerando o “estado da arte” – e o fato de que não haverá mudanças radicais tão cedo – um crescente número de artistas tem optado por disponibilizar de forma gratuita e autorizada suas obras recentes (e não estamos falando apenas de artistas iniciantes, Coldplay e Radiohead, por exemplo, entram nessa lista).
Apenas levantei essa bola porque o re.verb, como já devem ter percebido, é, antes de tudo, um incentivador de bandas independentes e sempre estará disposto a conhecer novos sons e compartilhar aqueles que valem a pena. Já falamos aqui sobre alguns, como Holger, Mombojó e Garotas Suecas.
O primeiro, assim como diversos outros artistas, tiveram suas obras disponibilizadas por intermédio de sua gravadora – a Trama. Para quem ainda não conhece, segue um trecho do “Manifesto Trama”, elaborado pelos presidentes André Szajman e João Marcello Bôscoli:

“(…) Nós da Trama acreditamos que:
- A vida sem música é um erro.
A música é uma crônica de sua época. Os interesses comerciais não podem definir a música. A música é definida pelas pessoas e pelo seu tempo.
- Música é nossa Essência.
Acreditamos na capacidade da música emocionar e transformar pessoas. E, além disso, acreditamos na arte que sensibiliza mas que também desperta consciência e senso crítico. Acreditamos que a arte é um caminho para o desenvolvimento político e social do país. (…)
- A tecnologia existe para servir a música e não o contrário.
Acreditamos em novas e tradicionais tecnologias, que criam novas maneiras de trabalhar, produzir, pesquisar, ver e ouvir.
A tecnologia digital (Internet, celular, TV, etc.) é a maior difusora de música da história da humanidade, convergindo divulgação e consumo em tempo real. (…)
Por tudo isso, nós da Trama nos propomos a: (…)
- Incentivar e apoiar o artista nacional para que seu trabalho tenha forma, acabamento e linguagem reconhecíveis internacionalmente.
Fortalecer e estimular a atuação da música independente.
Manter uma constante busca por inovação, renovação, consolidação e perpetuação das obras artísticas brasileiras.
- Utilizar a tecnologia digital como facilitadora da prospecção artística, da criação, produção, interação, promoção e distribuição de música.
Criar relações baseadas no respeito, liberdade e compartilhamento de visão ética e estética de uma forma consensual, nunca imposta.
- Valorizar as relações humanas: artistas, veículos e consumidores, todos nós somos indivíduos antes de tudo.
Manter relações transparentes e verdadeiras.
Somos um movimento de MÚSICA!”
E é justamente esta a dica de hoje: o site da Trama é um dos maiores e melhores portais para se conhecer bons sons brasileiros; é sempre possível encontrar ali, ainda que temporariamente, álbuns de excelentes artistas, sempre na íntegra (como Móveis Coloniais de Acaju, Cansei de Ser Sexy, Macaco Bong, etc).
Vale a pena sempre ficar de olho por lá.