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Belle e os empolgados

em novembro 12, 2010

Quarta passada São Paulo recebeu novamente, depois da participação no Free Jazz Festival de 2001, a banda Belle & Sebastian. Para quem não conhece, a banda – cultuadíssima no início dos anos 2000 – apresenta um som “fofo”, que intercala baladas melódicas e tecladinhos dançantes, transitando bem pelo pop, rock e folk.



Entretanto, ainda que o show de São Paulo mereça outro post (certo, Mundim?) este aqui é para homenagear, mais uma vez, aqueles que, junto com grandes shows, festivais e estrelas de todos os portes – para todos os gostos – entrarão no rol dos melhores momentos musicais de 2010: os Cariocas Empolgados.

Isso porque o show do B&S de hoje no Circo Voador, no Rio, assim como o do Miike Snow em setembro, foi resultado do esforço conjunto de fãs de música independente (os amigos Bruno, Felipe, Lucas, Pedro e Tiago) que, indignados com o fato de bandas boas passarem por cidades vizinhas, mas não pararem no Rio (de acordo com alguns, por uma suposta “falta de interesse” do público carioca), resolveram tomar as rédeas da situação e trazer eles mesmos os shows queridos.

Como disse Lucio Ribeiro – quem, assim como tantos outros se empolgou com a empolgação dos cariocas – os cinco Empolgados reinventaram o lema “do it yourself” típico do punk – e, ao invés de se munirem de guitarras, bateria e microfone para formar uma banda, resolveram fazer as contas de quanto custaria trazer as bandas favoritas e, com dinheiro de seu próprio bolso e outros 60 Cariocas Empolgados, racharam a conta. Deu certo.

  

O mais bonito dessa história, que foi correndo boca a boca pelos fãs do indie até chegar nas grandes mídias (como a capa do caderno de música do Estadão, o Multishow, a revista Veja, etc.),  é saber que, cada vez mais, quando se fala em música independente, está-se falando não apenas da independência dos artistas em relação às grandes gravadoras – o que tem permitido o florescimento de sons os mais diversos, sem ingerência de caciques do mainstream – mas também da aproximação entre artista e público. E nada mais gratificante, para ambos os lados, do que perceber que essa ligação direta é possível.

Por isso, não é exagero dizer que nesta noite, no Rio, assim como ocorreu em setembro, mais um belo sonho musical se realizará.

Alguém avise o Obama que, a partir de agora, “Yes, we can” tem sotaque carioca.

 

 

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