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Copo meio cheio

em novembro 22, 2010

Depois de falar sobre as brasileiras, chega a hora das estrelas internacionais do Planeta Terra.

Infelizmente, não descobri a tempo como se faz para estar em dois lugares simultaneamente, portanto não assisti a todos os shows…como já havia adiantado, a escolha mais dolorida para mim seria entre Passion Pit e Phoenix.

A primeira – “Hello, this is Passion Pit, from Boston, Massachusetts”, saudou Michael Angelakos – lançou o EP Chunk of Change em 2008 e ganhou o mundo com o hit “Sleepyhead”. No ano seguinte, foi a vez do ótimo Manners, o primeiro álbum da banda.

Duvido que isso interesse a alguém, mas Passion Pit para mim é também muito mais: conheci Manners no carro do Mundim, antes do meu bota-fora da faculdade. Ainda de ressaca da festa, torrei a paciência da minha mãe para trazer o álbum quando viajou para Nova Iorque e, ao colocar as mãos sobre ele – aquela capa preta com “poeira verde” e, respectivamente, o nome da banda e do disco em branco no topo – suspeitei que aquele não seria um CD qualquer. Só não imaginava que, exatamente um ano depois, veria a banda – que inevitavelmente acabou se tornando uma das minhas favoritas – ao vivo, misturando sintetizadores com rodas-gigantes e montanhas-russas.

 

Passion Pit– 21h30, Gillette Hands Up Indie Stage

A princípio, estava decidida a assistir Passion Pit e, ao final do show, se desse tempo, correr para ver Phoenix no outro palco – este show começaria às 22h e tudo indicava que seria um dos mais cheios da noite.

Pontualmente às 21h30, vi os meninos do Holger correndo de volta para o backstage – e, se Passion Pit assistiu de lá à apresentação do Holger, a recíproca seria verdadeira. Era o sinal inequívoco de que o show iria começar.

A primeira música foi “I’ve Got Your Number”, do Chunk of Change. Confesso que não sabia de cor, mas confesso também que não me importava: estava hipnotizada por aquele barbudo de camisa xadrez que, ao mesmo tempo, fazia sair de sua garganta a voz de uma menina de 6 anos, e emanava uma sexualidade inquestionavelmente viril.

Já a segunda faixa sim, eu sabia (quase) de trás pra frente: “Make Light”, a primeira música do Manners. Em seguida foi “The Reeling” – aquela música que, de tão rápida e complexa ninguém consegue cantar direito, mas qualquer um aprende rapidinho o final do refrão: “oh nooooo…oh nooooo”.

Depois foi a vez de “Moth’s Wing”, outra pérola daquele mesmo álbum.

E assim, pouco menos de trinta minutos depois do início, já sentia a alma lavada – como se tivesse assistido a duas horas de um grande show.

Então, com o coração apertado, mas com a consciência tranqüila pensei: “se eu for agora, vou perder a segunda metade daquele que possivelmente será o melhor show do Terra… mas, se for agora, vou sabendo que assisti à primeira metade daquele que possivelmente será o melhor show do Terra”. E, assim, sentindo que o copo estava meio cheio – e não meio vazio – parti em paz para o Phoenix.

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