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Velhos tempos…

em dezembro 8, 2010

Kings of Leon é uma banda em constante transformação. A começar pelo surgimento da banda, no Tenessee, os irmãos Followill, criados em uma família conservadora e religiosa, resolveram subverter suas raízes e criar, em 1999, uma das bandas de “rock” mais faladas dos últimos tempos.

Digo “rock” – assim, entre aspas – primeiro porque não consigo encontrar melhor definição (pop-country-bluesy-rock parece-me grande demais)…em segundo lugar, porque hoje em dia este gênero já não é algo fácil de se determinar…em se tratando do KOL, as coisas se complicam um pouco mais.

Isso porque, como mencionado acima, a banda parece se reinventar a cada álbum.

Em seu primeiro, Youth and Young Manhood (2003), o nome já anuncia a juventude que pulsa em cada uma das faixas. As batidas rápidas com claras influências sulistas – seja do country, seja do blues – traz pancadas sonoras deliciosas, como “Red Morning Light”, “Wasted Time” e “Molly’s Chambers” e anuncia uma espécie de grito de liberdade desses garotos dispostos a enfrentar a vida. Resumindo, um baita CD.

Algo começou a mudar com o lançamento do terceiro álbum, Because of the Times (2007), na medida em que o frescor juvenil parecia estar se esvaindo e dando lugar a um som mais limpo, menos barulhento, mas um tanto pretensioso. Tal tendência se firmou em 2008, com o álbum Only by the Night. Ali, já não há a pegada “bate-cabeça country”, mas uma atmosfera sombria, melancólica (como “Crawl” e “Revelry”) e irremediavelmente pop (quem ligou alguma rádio pop nos últimos dois anos certamente ouviu “Sex on Fire” e a onipresente “Use Somebody” – sem falar na apresentação da banda no SWU, onde o coro de patricinhas cantava a plenos pulmões “someone like yooooooou”).

Agora, em 2010, nova mudança: foi lançado Come Around Sundown, que, ainda que pareça uma continuação do álbum anterior (a primeira faixa, “The End” parece ser a faixa bônus do Only by the Night), tem um diferencial importante: é muito mais chato.

Há algumas faixas bacaninhas, como “Radioactive” – que tem um riff simpático e um refrão cicletinho e “Mary”, que remete ao rock dos anos 50 e 60 – mas a mistura de rock, country e blues desta vez não funcionou – como em “Back Down South”, um country cafona, sem personalidade alguma, ou em “Mi Amigo”, chata demais.

No geral, tudo parece se arrastar lentamente e até a voz rouca de Caleb, que antes fazia as meninas ficarem todas ouriçadas e os rapazes com vontade de chegar mais perto, agora dá um sono danado.

 É, bons e velhos tempos…

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