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cultura, crítica e tudo o mais

na fila

em dezembro 9, 2010

Outro dia, estava na fila do Belas Artes, ainda incerta sobre ter, ou não, feito a escolha correta naquela tarde, quando ouvi duas mulheres à minha frente, que dividiam um saco de pipoca, dizerem entre mastigadas:

“você sabe por que a palavra esperança é ruim?”

estiquei as orelhas

“porque é no futuro”.

A outra pegou três pipocas, uma seguida da outra, e, enfim, concordou: “sim…esperança não é no presente…há a espera na própria palavra”.

Uau.

Filas de cinema são imprevisíveis, isso já sabia…mas daí a ser o palco de discussões etimológicas há um grande passo.

Foi minha primeira vez.

Elas continuaram a falar – agora sobre os diferentes elementos do horóscopo chinês – mas ali já havia me perdido. Perdida entre a espera para abrirem as portas da sessão, a espera pela resposta de alguém que naquele momento me faltava e a esperança de que toda a demora se encerraria em algum lugar não muito longe do futuro.

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