re.verb

cultura, crítica e tudo o mais

Papai Noel 1

em dezembro 20, 2010

Depois de alguns meses dando dicas aleatórias sobre cultura e um pouquinho do resto, o re.verb não poderia deixar de embarcar neste clima natalino e tentar dar uma ajudinha àqueles que ainda não compraram presentinhos para seus queridos, mas que também não estão com o menor saco de vagar por lojas em busca de algo especial – e, de quebra, encarar o trânsito caótico das caravanas que passeiam pela cidade tirando foto das luzinhas de Natal…

Por isso aqui vai uma primeira leva de dicas – algumas já falamos por aqui, outras não – para vários gostos. De mulherzinhas a tiozões.

Um álbum

The Suburbs, Arcade Fire.

 Aos que têm acompanhado o re.verb, não é surpresa que indie e rock alternativo – ainda que tais rótulos digam pouco ultimamente – são gêneros que marcam presença constante em nossas vitrolas. Por isso, deixar para falar de Arcade Fire agora significa, acima de tudo, deixar o melhor para o final, já que esta banda representa, como poucas, o lado B do rock.

Em The Suburbs, a banda conciliou com grande habilidade a introspecção e os questionamentos existenciais tão presentes em seu primeiro álbum – Funeral – com a crítica a certos valores típicos da sociedade contemporânea – este que havia sido o tom do seu segundo álbum, Neon Bible – e, assim, parece ter amadurecido, apresentando ao público apenas o essencial.

A qualidade das letras – que por vezes parecem micro contos – aliada à constante busca por elementos sonoros complementares à mensagem que cada faixa pretende transmitir faz de cada uma uma obra completa. A primeira, já estourada em diversas rádios e baladinhas por aí, dá nome ao álbum e também sintetiza o todo: a instatisfação com as promessas e ilusões impostas por uma sociedade consumista, cantada por um vocal melancólico e um tanto conformado, mas tudo isso contraposto a uma batida alegre, simples, que poderia muito bem servir de pano de fundo para um comercial de margarina com uma família sorridente.

Uma das melhores faixas, “Rococo”, alterna a simplicidade da batida seca de um violão com a grandiloqüência de ecos que lembram um coral de igreja, e vai num crescendo emocionante até o final.

Outras excelentes faixas, como “Modern Man”, “Wasted hours” e “I Used to Wait” também remetem à tensão entre conformismo e inquietação; entre a vontade reprimida e a (falta de) perspectiva adiante, tudo isso musicado de maneira delicada, quase sempre com violão, piano e um quê de bateria, mas sem deixar de transparecer certa raiva calada –  mas latente.  

The Suburbs  não é, portanto, um álbum dos mais alegres. Mas, sem dúvida, é um dos melhores.

 

Um livro

Se Eu Fechar os Olhos Agora, Edney Silvestre

Já falamos dele aqui recentemente, mas, considerando que bons romances têm sido cada vez mais raros de se encontrar e, mais ainda, levando em conta que este aqui não apenas é um livro brasileiro, mas uma obra que entremeia na própria narrativa aspectos da construção da nossa sociedade contemporânea, nunca é demais falar sobre ele de novo. E, definitivamente, trata-se de um baita presente.

A trama gira em torno de dois garotos que, aos 11 anos, são obrigados a se deparar com a dura realidade do mundo adulto ao encontrarem o corpo mutilado de uma bela jovem. Decidem, então, desvendar o crime, mas, acima de tudo, acabam sendo expostos (prematuramente?) às mais cruas “adultices” e, através desses fatos, passam a enxergar com outros olhos o mundo ao seu redor.

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