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Pescando em mares nórdicos

em janeiro 6, 2011

Sofrendo com o calor do verão, aposto que muita gente não acharia ruim pegar o primeiro vôo para os países nórdicos. Já que muitos de nós não podem sequer dar uma esticadinha até o litoral, vou tentar me valer daquele velho clichê de que a “música tem o poder de nos fazer viajar” e falar de duas preferências musicais que me fizeram desvencilhar a Noruega de “bacalhau, vikings e A-ha”.

Kings of  Convenience

Esses já são queridinhos dos alternativos desde o começo dos anos 2000,  mas nunca é demais falar de Erlend Øye e Eirik Bøe. Os dois se conhecem desde os tempos de escola, pois faziam parte da banda Skog quando tinham 16 anos. A banda até lançou um LP, mas acabou e a dupla definitiva surgiu em 1999, abrilhantando festivais europeus. Um ano e alguns EPs depois, o primeiro álbum, homônimo à banda, foi lançado nos estados unidos. A música mais conhecida desse álbum deve ser Toxic Girl, que está na trilha sonora do filme O Amor é Cego (Shallow Hal), trilha essa que ainda conta com PJ Harvey, Jeff Beck e Phoenix.

Voltando ao KoC, chegamos ao segundo álbum, Quiet is the new loud. Fazendo jus ao nome, as músicas são muito tranquilas e cantadas num quase sussuro. Meu destaque é Singing Softly to Me, por mais que toda a descrição desse CD pareça pleonasmo. Riot on an empty street é o álbum que guarda o grande hit da Alpha fm , Misread, e a música com o clipe mais deliciosamente sem noção da história, I’d rather dance with you. Declaration of Dependence é o mais atual e , na minha opinião, melhor álbum dessa dupla. Não há grandes transformações no som dos caras: harmonias sofisticadas, sobreposição de vozes, amor e desilusões permeiam essa compilação de faixas incríveis como Mrs Cold, Me in You, Rule my World e Boat Behind. A velha história de que “em time que está ganhando não se mexe”, só que nesse caso não soa comodismo.

E você, que já conhece o KoC e não viu a menor graça no post até agora, pode se divertir com essa incrível (apesar de desatualizada) fan page . Dá pra testar os conhecimentos no joguinho Trivia, ter acesso a “gigography” (aliás, depois de 8-quase-9 anos, já tá na hora de voltar ao Brasil) e descobrir curiosidades em ordem alfabética no “Abc of KoC”

Sondre Lerche

Menos conhecido do que a dupla de Øye e Bøe, o  “menino prodígio” norueguês também aposta em melodias leves e arranjos caprichados, mas com uma pitada a mais de jazz nesse estilo entre o pop e o folk.

O talento de Sondre foi notado bem cedo. Aos 8 anos ele já tocava no bar onde sua irmã trabalhava e aos 16 assinou contrato com a Virgin. Dois anos depois, em 2001, o cantor comemorou a “maioridade” com o primeiro CD, Faces Down. As letras singelas e o violão bem tocado formaram uma combinação muito bem recebida pela crítica logo de cara. Depois sucesso, foi a vez de Two Way Monologue , segundo o próprio Lerche, um álbum “menos acessível e mais surpreendente” que o primeiro (e eu concordo com o “surpreendente”, é um dos meus preferidos). Em 2006 veio meu álbum favorito de verdade!

Escoltado pelo Faces Down quartet no Duper Sessions, o cantor oficializa o namoro com o jazz em covers incríveis como Night and Day, The More I See You e Human Hands, bem como em composições próprias como I Wanna Call It Love (essa me fez sorrir por diversas manhãs consecutivas, durante mais de um mês). O jazz/pop lembra Jamie Cullum e Michael Buble, só que um pouco mais sutil e classudo, sem ser chato.

Os últimos CDs, Phanton Punch e Heartbeat Radio, mantêm um pop com uma cara mais “rock” e letras super bem escritas e românticas, mas não irremediavelmente melosas (esse cara ganha menininhas, #fikdik pros leitores do re.verb). Toda essa sutileza e romantismo também podem ser conferidos na trilha sonora do filme Eu, meu irmão e a nossa namorada (Dan in real life), inteiramente assinada por ele. Quem já falou desse assunto foi meu querido Guilherme, no meu querido Valetando na cena .

Não sei se é o frio, o bacalhau ou o fato de eles ouvirem muito A-ha na infância que faz com que esses noruegueses sejam tão doces, só sei que não me canso de ouvir esses três mocinhos. Aliás, são eles que vão me acompanhar nessa chuva de verão tropical que cai agora, um relax perfeito antes de dormir.

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2 respostas para “Pescando em mares nórdicos

  1. babi disse:

    Como eu já te disse, esses 3 sao meus principais motivos para ir à Noruega! 😀

    Adorei o post.

    BeijoBeijo

  2. Helena Tarozzo disse:

    Coincidência é a chuva… acabo de fechar a minha playlist de KoC que rodou quase três vezes seguidas.
    Bom post!

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