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Falta de energia é um troço relativo

em janeiro 25, 2011

Um ano depois, eu estava de volta ao Auditório do Ibirapuera para mais uma feijoada búlgara. O domingo, até então, era de sol e eu estava pronta pra conferir Móveis Coloniais de Acaju mais uma vez. O repertório não devia ser muito diferente daquele do ano passado, em tempo de gravação do dvd, mas desses brasilienses nunca se espera “mais do mesmo”.

Uma boa surpresa já aconteceu antes do show, com uma jam session dos músicos da Escola do Auditório, com a participação de Paulo Rogério no sax e um repertório com Noel Rosa e Carlos Lyra. Depois de balançar um pouco e encontrar as amigas, era hora de encontrar as poltronas.

POLTRONAS? Balela! Ninguém fica sentado em show do Móveis, e os fãs mais previdentes já estavam de pé no gargarejo pra receber os naipes de metal de Esdras, Xande e Paulo, o vozeirão de André Gonzales, BC, Beto Mejía, Coracy, Fabio Pedroza e Eduardo Borém na animação característica que não se restringe a quem está no palco. Alguma coisa nas palmas que acompanham músicas como Menina Moça, Adeus e O Tempo as tornam  únicas e inconfundíveis. Público no tempo, afinado e animadíssimo que também rouba a cena na tradicionalíssima roda que acontece depois de Copacabana. Nem as fileiras de cadeira, nem os espaço íngreme impedem fãs e músico de darem as mãos, abaixarem e levantarem frenaticamente entoando um “MÓVEIS, HEY! MÓVEIS,HEY!”

O público é mesmo do Móveis. Prova disso é que o momento menos animado, por assim dizer, foi o do cover de Metallica, Enter Sandman. Não que tenham faltado indicadores e mindinhos para o ar e headbangers meio tímidos. Não é toda a banda que pode se dar ao luxo de tocar covers pra dar uma esfriada no show (aliás, conheço muitas bandas que só se salvam com eles).

O show encaminhava-se para seu final depois de passear por músicas dos álbuns C_mpl_te, Idem e até por músicas jurássicas do EP. O bis estava bombando com Seria o Rolex? quando de repente acabou a eletricidade. Assista ao vídeo aqui embaixo e responda: faltou energia?

Muita gente ficou achando que aquilo foi de propósito, mas mudou de ideia assim que saiu do auditório e deu de cara com a enxurrada. Muita gente ficou ilhada embaixo da língua vermelha da porta do auditório por horas e os músicos, dando mais uma prova de simpatia e gente finisse, ficaram sentados com os fãs, tirando fotos e conversando enquanto a chuva não passava.

Nota engraçadinha:

A gente que adora uma alternativice, já acha Móveis uma banda pop  e mega conhecida, né? Mas só a gente. Estava na fila para comprar meu ingresso quando uma senhora, com o flyer do show na mão, me aborda:

– Vai ter evento aqui hoje?

– Vai sim, senhora. Um show.

– Ah é, de quem?

– Dessa banda aqui {aponta para o flyer colorido na mão dela}

– Ah, é?! Jurava que era alguma exposição de móveis, cadeiras mesmo! Obrigada.

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