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Pensando moda

em janeiro 29, 2011

Ontem começou a 15a edição da semana de moda de São Paulo – hoje chamada de São Paulo Fashion Week – e, para além da profusão de desfiles, tecidos e beldades, este que é o evento mais importante do gênero no País, poderia evocar também discussões mais profundas e produtivas sobre a importância da moda em si.

Nesse sentido, para entrar no clima, sugiro aqui a leitura de um livro muito interessante: MODA – Uma Filosofia (Editora Zahar, 2010), do filósofo norueguês Lars Svendsen.

Admito que, ao me deparar com o título, imediatamente torci o nariz; tenho inúmeras ressalvas a qualquer coisa que se proponha como “uma filosofia” (poucas frases me tiram mais do sério do que: “isso é uma filosofia de vida”….), mas garanto que ali é filosofia de verdade. Justamente por isso, não é uma leitura muito fácil, mas é extremamente instigante.

Logo na introdução, Svendsen se propõe a defender a “dignidade acadêmica” da moda como objeto de estudo filosófico, e, para tanto, fazendo referência a inúmeros pensadores (de Roland Barthes e Georg Simmel a Kant, Hegel e Adam Smith) que já ressaltavam, seja de maneira tangencial ou mais aprofundada, a importância da moda como um fenômeno social, busca definir o conceito de moda a ser empregado na obra.

Nesse sentido, o termo “moda” tem um referencial mais estreito que o termo “roupas”, já que há também uma série de fenômenos não relacionados a estas, mas que podem ser descritos como “moda” (nos mais variados campos, como artes, decoração, política, ciência, etc.).

Mais especificamente, o conceito de moda seria sustentado por dois pilares básicos: mudanças sucessivas (a substituição de uma norma estética duradoura por outra) e a individualidade humana (há um vínculo entre moda e identidade; todos nós temos de expressar de alguma maneira quem somos através de nossa aparência visual).

Mais ainda, a moda passa a “indicar a direção” da própria Modernidade, na medida em que há na primeira um traço fundamental da última, qual seja, a “abolição de tradições”, a emancipação pelas mudanças sucessivas – “ser moderno” torna-se sinônimo de “ser novo”; e é “a novidade que torna a moda sedutora”.

Como se vê, eu poderia passar horas – ou melhor, páginas – comentando e compartilhando os insights do livro; pensando moda junto com Svendsen, mas, quero parar por aqui, deixando duas sugestões: 1) leiam o livro. 2) não subestimem o valor, tampouco a profundidade da moda.

 

(Lars Svendsen , MODA – Uma Filosofia, Editora Zahar, 2010)

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