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Superbowl hollywoodiano

em fevereiro 22, 2011

Há um quê de superlativo nos filmes indicados ao Oscar deste ano – como a plasticidade e dramaticidade, por vezes excessiva, de Cisne Negro; aceleração de A Rede Social; ou a aflição de 127 Horas.

É como se a regra (só desses filmes?) fosse expor tudo com um certo didatismo exagerado, sem sutilezas. Se algo há de ser mostrado, que seja em um tom a mais, para que ninguém saia da sessão sem a certeza de ter captado “a mensagem” – que dificilmente foge de clichês.

A mensagem de O Vencedor (The Fighter) é clara: um rapaz, para conseguir “vencer na vida”, deve se livrar das amarras daqueles que o amam e, ao mesmo tempo, o sufocam.

Mais especificamente, o filme conta a história (real) do asfaltador de ruas e aspirante a lutador de boxe Micky Ward (Mark Wahlberg), cujas maiores crenças são, primeiro, que toda sua técnica e estratégia da luta decorrem do aprendizado passado por seu irmão, Dicky Ecklund (Christian Bale, ótimo); segundo, que não ele próprio, mas sua família, em especial sua mãe e o irmão, por o amarem tanto, devem tomar as decisões por sua conta.

Opinar em sua própria vida e discordar do que entendem ser melhor seria, portanto, uma traição àqueles que “tudo fizeram por ele”.

Ocorre que o irmão já não é mais o ágil e promissor lutador de outrora – cuja fama se resumiu a uma grande luta – mas um viciado em crack completamente fora da realidade.

A mãe, por sua vez – a quem Micky chama pelo nome, Alice – parece se preocupar com ele tão somente porque é irmão de Dicky, o filho preferido que, a seus olhos, permanece glorioso e não possui qualquer defeito (há uma ótima cena em que ela vai buscar Dicky na espelunca em que ele se droga diariamente e, no carro, aos prantos, ao invés de enxergar a situação em que aquele se encontra, sucumbe às desculpas esfarrapadas do filho, liga o motor do carro e começa a cantar junto com ele: “the joke was me…”).

É apenas com a chegada de Charlene (Amy Adams), que logo se torna namorada de Micky, que este parece enxergar que, para aquém do objeto de preocupação da família, é tão somente um executor dos planos alheios – outra boa cena: Micky, com o rosto todo cheio de curativos depois de uma luta, arranjada pela mãe, com um lutador 9kg mais forte que ele, ouve Charlene dizer, enquanto toca sua face “this is taking care of you?”.

No entanto, além do drama familiar manjado, O Lutador envereda também por um caminho mais “esportivo”, dando espaço a longas cenas de luta e grandiloqüência digna de um Superbowl. Assim, por instantes, sentimo-nos torcedores e, da mesma forma que um atleta fraco ganha a simpatia – ou comiseração – do espectador, Micky Ward – e também Dicky – nos prendem a atenção.

A luta é, de fato, boa. Quanto ao filme, há controvérsias.

(O Vencedor, The Fighter, de David O. Russel)

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