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Buenos Aires lado B

em março 14, 2011

Quando pensei em escrever um post sobre Buenos Aires para o re.verb, logo pensei: quantos posts já não existem pela blogosfera, recomendando jantares na Cabaña Las Lilas, sorvetes no Freddo, passeios pela Recoleta e San Telmo, shows de tango no Café Tortoni e claro, para as mulheres ávidas por uma pechincha, dicas de compras até no Free Shop….?

Eu venho a Buenos Aires pelo menos 2 vezes por ano desde que me conheço por gente. Metade argentina, metade brasileira (porcentagens atualmente duvidosas, para um lado ou para o outro), tenho uma visão um pouco diferente da capital argentina e achei que seria interessante compartilhá-la.
Para mim, estar em Buenos Aires é, antes de mais nada, visitar a gigantesca família (incluem-se aqui 9 tios – e respectivos companheiros – por parte de pai, cada casal com seu mínimo de 4 filhos, os quais já estão tendo os seus próprios + 3 tios e respectivos por parte de mãe, com “apenas” 9 primos deste lado, família pequena se comparada ao clã de aprox. 40 netos do outro lado). Esta parte, claro, deixarei um pouco em off, para poupá-los dos momentos “Casamento Grego” pelos quais tenho que passar toda vez que venho pra cá.
 
Além disso, esta cidade pra mim tem muito mais do que simplesmente o roteiro clássico de turismo. Sei aonde ir para encontrar brasileiros e sei, muito bem, aonde ir para não encontrá-los de jeito nenhum.
 
Buenos Aires pra mim é ter que andar 30 minutos de trem para chegar à “Capital Federal”, ou seja, o centro: onde estão os bairros de Palermo, San Telmo, Recoleta e afins.

Minha família mora na província da cidade, bairros calmos e pacatos como Olivos, Martinez, San Isidro e Acassuso. Bairros que escondem jóias raras, ruelas de paralelepípedos, casas de tijolo aparente e barulho de crianças brincando em cada quintal. É o barulho da barreira que fecha para o trem passar. São os kioscos lotados de tentações que fazem qualquer adulto querer voltar à infância e comer doce antes do jantar: Mantecol, Vauquita, Tita, Rodesia, Cabsha, Marroc…. Havanna aqui é fichinha.
 
Freddo pra mim é lugar de sorvete bom, mas extremamente overrated. Sorvete bom é sorvete de bairro: Arnaldo, Via Flaminia… Aqui não se pede pelo tamanho da casquinha. Se pede por fração de quilo, e se come inteiro sozinho. Se for a combinação doce de leite + frutilla a la crema, melhor.
 
Ver a profusão de Starbucks pela cidade me dá arrepios. Café em Buenos Aires é algo pra se apreciar sentado numa mesa na calçada, observando as pessoas que passam e falam alto e com as mãos. É algo pra apreciar na companhia de uma boa e gordurosa factura, de preferência as clássicas medialunas de grasa.

Alfajor de maizena

Buenos Aires é uma cidade plana, perfeita pra andar de bicicleta com um cestinho na frente e uma buzina pra fazer charme. Mas, se por acaso for pra pagar um taxi ou remise (serviço de taxi sem taxímetro), que venha com um motorista que reclame bastante da irritante presidenta. Taxista quietinho não serve.

Vespinha fazendo charme na rua

BA pra mim é isso e mais. Muito mais que não caberia jamais em um só post, tanto, mas tanto, que não cabe nem só em palavras.
 
Quem quiser conhecer mais da minha Buenos Aires lado B, estamos en contacto, che.

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