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Enfim, Strokes – Parte I

em março 18, 2011

(AVISO: acabei me empolgando com o post e ele ficou gigante. Por isso, hoje tem a primeira parte, depois publico o resto!)

 

Escutei a primeira música nova do Strokes sem saber que era a primeira música nova do Strokes.

Embora ciente de que uma das faixas do “já histórico mesmo antes de nascer” Angles havia sido disponibilizada (oficialmente…) pela banda, era tamanho o oba-oba a respeito que fiquei com preguiça de correr para escutar.

Foi, portanto, sem querer – em uma balada com Lucio Ribeiro de DJ (só podia ser) – que “Under Cover of Darkness” caiu em meus ouvidos. Ah, e como caiu bem…

No primeiro momento, fiquei um pouco confusa: “ué, isso definitivamente é Strokes… mas que raio de música é essa que não conheço?!”. Culpei o álcool pela falta de memória.

Foi apenas alguns dias depois, quando o CD inteiro “foi vazado”, que ouvi pela primeira vez aquilo que, mesmo sóbria, não poderia ter reconhecido. Melhor dizendo, reconheci novamente aquilo que já tinha ouvido e reconhecido como The Strokes – mesmo não muito sóbria.

Eu havia dito aqui no blog que preferia esperar o conteúdo assentar, antes de dizer algo a seu respeito. Pois bem, já se passaram alguns dias e, escutando incessantemente este álbum, acho que já posso compartilhar minhas primeiras impressões – the first impressions of Angles.

Antes, porém, uma última (juro!) digressão: quem não é muito familiarizado com o mundo do rock alternativo (ou indie) pode se perguntar: “o que esse Strokes tem que os outros não têm?”

Para mim, Strokes é diferente dos demais porque: 1) foi a segunda banda de rock (de verdade) pela qual realmente me apaixonei – a primeira foi AC/DC – e 2) foi a banda de rock mais influente que minha geração (por “minha geração” entenda-se aquela que ainda era pequena demais para entender Kurt Cobain) viu surgir – antes que me questionem novamente: Radiohead pode ser genial, mas é menos “banda de rock” que Strokes.

Por que digo isso: fazendo coro ao que se diz por aí, sou partidária da opinião de que Julian Casablancas, Nick Valensi, Albert Hammond Jr., Nikolai Fraiture e Fabrizio Moretti (a.k.a. o baterista brasileiro amigo de Rodrigo Amarante e namorado de Binki Shapiro) “salvaram o rock”.

O primeiro álbum da banda, Is this it, lançado em 2001 – bem definido pela Rolling Stone como “tight, lean, smart and almost subliminally catchy” – ao misturar rock do final dos anos 70 (i.e. ares hippie-punk-descolados), com jaquetas de couro, vocais sujos e uma sonoridade de garagem – não quis reinventar a roda, mas, o contrário, lançou mão de uma formação roqueira “clássica” – guitarras, baixo, bateria e voz – anunciou o fim da hegemonia dos sintetizadores e tecladinhos e foi um dos responsáveis pela “volta do rock” – amém!.

O Pitchfork, menos deslumbrado que a maioria dos representantes da mídia, foi ainda mais preciso em sua definição:

“The Strokes are not deities. Nor are they “brilliant,” “awe-inspiring,” or “genius.” They’re a rock band, plain and simple. And if you go into this record expecting nothing more than that, you’ll probably be pretty pleased. See, while I can’t agree with the Strokes’ messianic treatment, I’d be lying if I said I thought Is This It was anything other than a great rock record.”

E, mesmo após o lançamento de outros álbuns – principalmente Room on Fire (2002), mas também First Impressions of Earth (2005) e os momentos mais “old school” de Angles – Strokes continua sendo simplesmente isso aí: uma ótima banda de rock.

Falando nisso, e indo ao que interessa, vamos falar de Angles?

 

(continua…)

 

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