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Enfim, Strokes – Parte II

em março 18, 2011

(continuando…)

Invertendo a ordem normal das coisas, inicio com a conclusão: Angles é um baita disco.

A explicação mais preguiçosa seria a de que, considerando que o álbum é feito por uma das melhores bandas dos últimos tempos, necessariamente seria acima da média. Não é tão simples assim… – e este argumento é dos mais ocos.

De fato, bandas ruins dificilmente serão capazes de fazer grandes discos, mas ótimas bandas podem, sim, produzir desastres.

Muitos são os exemplos da síndrome do álbum seguinte – para citar apenas três, o que dizer da brusca transformação do Kings of Leon, ou do controverso quarto álbum do Los Hermanos (Quatro), ou da guinada do MGMT no seu mais recente Congratulations (aliás, só eu acho que a capa de Angles lembra muito a de Congratulations?!)

Surgem então alguns questionamentos: até que ponto uma banda de sucesso deve sempre replicar a velha fórmula que deu certo? A “cara” de uma banda admite que se façam experimentações e inovações, ou estabelece um padrão restritivo e limitado? Ainda, em que medida os fãs aceitam mudanças de estilo?

Algumas, como os Beatles – para chutar alto – se preocupavam menos em manter uma continuidade do que em buscar uma evolução constante de seu som, sempre indo além e aliando novos elementos musicais.

Há, por outro lado, bandas que se repetem e ponto: a minha favorita de todos os tempos, AC/DC, por exemplo, é mestra nisso. (Lembro-me de um trecho de uma matéria da Rolling Stone: “You ever heard of  AC/DC?” an older fan was overheard asking a college-aged kid last night on the way into Massachusetts’ Gillette Stadium, site of the group’s Black Ice North American tour opener. “Isn’t that the band that sings only about sex and rock?” was the response. The answer, quite unequivocally — and gloriously — was yes”).

The Strokes equilibra essas duas tendências: se, de um lado, o que mais se ouviu quando do lançamento do segundo disco da banda (Room on Fire) foi que era bom justamente por ser parecido com o primeiro – e que o terceiro (First Impressions of Earth) seria ruim porque diferente – Angles é ótimo porque mistura o velho e o novo Strokes.

Foi dito por aí que Angles seria uma mistura dos projetos solos de cada um de seus integrantes – o flerte com o new wave oitentista de Casablancas, o “tropicalismo californiano” de Moretti, etc. De fato, a lentinha “Call Me Back” soaria bem na voz de Rodrigo Amarante e Binki Shapiro; “You’re so right” e, principalmente, “Games” (que tem uma pegada bem anos 80) são a cara de Casablancas – e só dele.

Mas pegue, por exemplo, o já hit “Under Cover of Darkness” e até a mais sombria “Metabolism”. Alguém discorda que poderiam perfeitamente integrar algum dos dois primeiros álbuns da banda?

Como se não bastasse, há também faixas que não são “trabalhos solo” de seus integrantes, tampouco o bom e velho Strokes, mas algo um tanto híbrido; as duas melhores do disco, “Two Kinds of Hapinness” e “Taken for a Fool”, são exemplos. A última começa meio esquisita, meio eletropop (tendendo a Gorilaaz, saca?), até que vem o refrão… aquela velha batida… os vocais distantes e meio esganiçados, a bateria desesperada de Fab… e o alívio: é, Strokes está de volta.

Outra: “Machu Picchu” – a boa faixa que abre o disco – ainda que faça jus ao nome e conte com elementos meio andinos na abertura, vai se transformando em algo que, inequivocamente, tem a cara deles.

Por essas razões, Angles consegue a um só tempo misturar um pouco de tudo – e de todos seus integrantes – e ainda assim preservar a alma Strokes. Para alguns, isso tem soado um tanto “retalhado”; para outros, é Strokes a partir de novos ângulos. Seja como for, termino como comecei: Angles é um baita disco.

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