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Paulistana Crônica

em março 31, 2011

Uma tarde corrida de universitária pretensamente nostálgica. O livro foi encontrado na estante virtual, mas a oportunidade de buscá-lo diretamente num “sebo do centrão” como faziam meus professores-exemplo nas décadas de 70 e 80 não me deixava outra opção a não ser economizar o dinheiro do frete e descer a brigadeiro em busca do lado cult perdido.

A incursão pelas playboys amareladas e bolachões de vinyl unidos mais pelo tempo do que por alguma semelhança de estilo durou pouco.  Os trabalhos e leituras chamavam, e a vontade era de voltar a fuçar as prateleiras (bem) acompanhada. Ele tinha avisado que a estação mais próxima era a da Sé. “Você vai ver a Catedral”. Não teve erro. Ladeando aqueles muros enormes e cinzentíssimos, fui acometida por uma vontade incomum e provavelmente inédita: eu quis entrar.

Nunca fui uma grande católica e nem pretendia rezar um pai nosso. A última lembrança daquele lugar derivava de uma excursão escolar e o último sentimento era de terrível opressão ao olhar aquele pé direito enorme, mas hoje foi diferente. Ali eu estava em São Paulo.

A Catedral da Sé é grandiosa, mas não exatamente suntuosa. Lembrei logo da última – e mais impressionante – “grande igreja” que conheci. A Basílica Notre Dame de Montreal nos tira o ar com seus azuis e dourados, seu teto-pedaço-de-céu, seu órgão reluzente, a profusão de pinturas em suas paredes e seu indescritível altar a fazem parecer um grande teatro, preparado para uma ópera religiosa. A Sé não tem nada a ver com isso. Tudo lá dentro é cinza, há um enorme vazio. Quem olha pra cima vê tijolos e seu altar passa despercebido aos que estão nas últimas fileiras. É tudo São Paulo.

E é São Paulo também o gracioso colorido dos vitrais de quem sabe prestar atenção, o chão de maravilhosos mosaicos para quem olha os próprios pés. São Paulo também é esse monte de gente de joelhos e mão juntas que, no meio de tanto espaço, procura o seu lugar. São Paulo é esse lugar pra todos, mais pra um do que pra outros, esse lugar de procura. Foi naquele silêncio de igreja que eu me vi parte e todo disso. Me vi como a menininha pequena que fingia cair pra ficar mais tempo sentada na escada da igreja, atraída por essa coisa sem nome.

Saí debaixo de garoa… não sei se uma benção ou uma caricatura dessa cidade. E fiquei imaginando o quão bonito, bagunçado, perigos e plural estará  tudo aquilo nos dias 16 e 17 de abril. Vamos ver a cidade?

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