re.verb

cultura, crítica e tudo o mais

Os Tambores

em abril 2, 2011

The next one is a sad song, but you can still dance to it”. Esta foi a frase com que Jonathan Pierce, vocalista do The Drums, introduziu a faixa “Book of Stories” – aquela que lamenta: “I thought my life would get easier, instead is getting harder…”. É também a que melhor retrata o espírito da banda, e principalmente, de seu show ocorrido na última quinta-feira (dia 31/03), em São Paulo.

Isso porque o que a banda faz de melhor é justamente unir letras deprês (e muito simples) a melodias e ritmos dançantes e alegres.

Esse paradoxo fica ainda mais evidente quando se vê Pierce no palco. Ele, com seu loiríssimo cabelinho de tigela, balançava os braços para lá e para cá como se fossem de borracha; parecia possuído no palco. Foi, sem dúvida nenhuma, quem mais se divertiu naquela noite – ao final de cada uma das músicas dizia: “obrigado”, “you guys are amazing”, “this is so much fun” e por aí vai. É como se ele sequer prestasse atenção no conteúdo melancólico do que estava cantando e só quisesse fazer bagunça junto com o público.

Aliás, ao que tudo indica, é por este caminho que a banda continuará seguindo: uma das faixas inéditas – supostamente tocada pela primeira vez fora de Nova Iorque – também foi feita para se ouvir chacoalhando o corpinho, ao mesmo tempo em que se choraminga repetidamente o refrão: “I want to buy you something, but I don’t have any money, I don’t have any money...”:

A bela voz de Pierce se manteve segura e poderosa até o final, em todos os graves e agudos; por todos os uh-uh-uhs e iôos. Só teve um descanso quando chegou a hora do hit “Let’s Go Surfing” e o Estudio Emme, lotado de todos os tipos de hipster, pulou, bateu palmas e cantou junto tão alto que a voz daquele sumiu. Foi bonito. Arrepiou.

Arrepiou também – no pior dos sentidos – a qualidade do som do local. No início do show, quando duas das melhores faixas eram executadas – “Me and the Moon” e “Best Friend” – os pipocos das caixas de som incomodaram (e assustaram) bastante. Tudo alto demais, estourado demais… ainda bem que as coisas foram se encaixando – aos poucos.

De todo modo, apesar de problemas técnicos, foi um show pop e bacana – como a banda –; mas não foi espetacular, nem revolucionário – como a banda…

 

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s

%d blogueiros gostam disto: