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The National

em abril 5, 2011

O prazer, nesta terça-feira, vem em dobro. Primeiro, porque a melhor banda de rock alternativo contemporânea (sim, a melhor) se apresentará em São Paulo. Segundo, porque, para falar sobre ela, temos a honra de publicar um belo post de um querido e talentoso convidado, Gabriel Garcia (do ótimo Piper Cub Club), feito especialmente para o re.verb.

Muitíssimo obrigada, Garcia… mesmo. E volte sempre!

“Você chegou numa hora da vida que não dá mais pra fugir de certas coisas. Existem pessoas que dependem de você. Erros foram cometidos, os arrependimentos se acumulam como a pilha dos pratos pra lavar na cozinha. Não há mais como voltar atrás. Mas você tem que seguir em frente. Porque, no fim das contas, as coisas sempre voltam ao seu lugar.

Matt Berninger poderia ser eu, você ou seu vizinho. Aliás, qualquer integrante da banda dele, o The National, poderia ganhar uma eleição do “sujeito mais comum do mundo”. Nenhum deles é famoso, se envolveu com drogas, namora a Kate Moss ou xingou o ultimo disco do Radiohead.

A banda tem uma história muito comum também. Banda batalhadora, de bons discos e turnês com centenas de datas, faz sucesso depois de anos de carreira. O som é o rock alternativo americano básico, cheio de reverência à Bruce Springsteen e ao R.E.M. As letras são sobre pessoas comuns convivendo com problemas comuns, com uma honestidade e (por que não) crueldade difícil de encontrar na sua bandinha preferida. Não é fácil de ouvir.

Por isso mesmo, quem gosta do The National gosta de verdade. Matt Berninger canta, com sua voz de barítono, aquilo que você iria cantar se tivesse uma banda (a não ser que semana passada você tenha tido duas overdoses de cocaína ou esteja cansado da vida de estrela da música). Letras sobre dívidas, filhos, bebida, problemas no relacionamento. É chato, eu sei. Mas é sua vida.

Os discos da banda são aquilo que chamam em inglês de “a grower”. Não consigo imaginar nenhuma expressão em português equivalente, pois é isso que a música do The National faz: eles crescem com o tempo. É impossível gostar deles na primeira ouvida. Não existe nenhum apelo pop, ou alguma música que te ganha logo de cara. Eles te vencem pelos detalhes.

E há cinco discos eles vêm vencendo. Desde “The National”, de 2002, até “High Violet”, de 2010, a qualidade dos discos só melhora. E os shows são ainda melhores. A banda, absolutamente entrosada, é a moldura perfeita para o fantástico vocalista que é Matt Berninger, que entra em estado de graça durante as apresentações, sempre com seu copo de vinho branco como companhia (segundo Berninger, é o único jeito de ele encarar a platéia).

Felizmente, nesta semana o Brasil poderá acompanhar a banda nessa volta olímpica de duzentas datas que vem sendo a turnê de High Violet. Nada mais merecido para uma banda que finalmente venceu depois de anos perdendo.

Em “Runaway“, do último disco da banda, Berninger canta  “We don’t bleed when we don’t fight / Go ahead, go ahead / Throw your arms in the air tonight”. Nessa vida é preciso sangrar muito pra seguir em frente. O importante é você se jogar, ir pra cima. Você pode até cair, mas pelo menos você lutou. Só assim a vida vale a pena.

É isso que o The National vem nos ensinar aqui em São Paulo.”

(por Gabriel Garcia)

Sem mais.

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