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O toque de Camelo

em abril 12, 2011

É o fim dos Los Hermanos e o início da carreira solo de Marcelo Camelo.

Ok, isso é notícia velha, mas, com o lançamento de “Toque Dela”, segundo disco do artista, volta a ser mais atual do que nunca.

Primeiro, porque, se o disco da estréia solo do cantor, “Sou” (ou “Nós”, dependendo do ponto de vista…), era um grito de afirmação, uma carta de alforria do Los Hermanos – com uma certa vontade exagerada de se mostrar complexo e experimental – o novo é mais fluido e simples; soa mais verdadeiro. Justamente por isso, consolida uma sonoridade própria de Camelo, que é a continuidade de “Sou”, mas soa mais natural.

Alguns temas – e palavras – são recorrentes desde os primórdios de sua carreira musical: a “morena”, a “clareira”, a “solidão”, mas agora, ao se levar menos a sério, Camelo encontra um caminho ainda mais interessante.

Os instrumentos que compõem as belas melodias estão mais definidos, menos embaralhados (desta vez, foram gravados em canais separados – e não ao vivo como no disco anterior), e, tamanha sua riqueza, são o grande trunfo do álbum; sejam os instrumentos de sopro e toda a fauna sonora do Hurtmold (que participa da maioria das faixas), seja a já famosa – e deliciosa – sanfonazinha de Marcelo Jeneci. Os melhores exemplos de como essa mistura instrumental funcionou? As faixas “Tudo que Você Quiser” (a mais bela do disco) e “Vermelho” (muito boa também).

Por outro lado, as letras permanecem sinceras – escancaradamente sentimentais – mas estão menos rebuscadas (é deliciosa esta frase de “Acostumar”: “parece brincadeira, mas eu sei que a gente faz um monte de besteira por saber que é bom demais”); continuam intrinsecamente líricas, mas estão mais alegres – e completamente apaixonadas.

Não que seja surpresa que Camelo é, acima de tudo, um poeta; um romântico irremediável – em “Vermelho”, diz: “trago nestes pés o vento pra te carregar daqui, mas você sorri desse jeito, e eu que já perdi a hora e o lugar… aceito”.

É de se notar também que as faixas são bem distintas entre si: há algo quase baiano – à la Caymmi – em “Pra te Acalmar”; para não falar que nada evoca Los Hermanos, “Pretinha” e “Ôô” (“tudo que eu fizer vai ser pra ver aos olhos dela, vai sobrar carinho se faltar estrada ou carnaval”) são mais pop; “Três dias” (única cuja autoria não é de Camelo) é quase uma canção de ninar cult e por aí vai.

Todas essas cores, contudo, não conferem ao disco o tom de colcha de retalhos, mas o contrário: ele é um todo coeso. O motivo? Ele é a cara de Marcelo Camelo; ou melhor, é todas as suas facetas.

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