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O que você esperava?

em abril 17, 2011

Fazer aniversário causa diferentes reações nas pessoas: algumas se deprimem, outras caem de cabeça nas comemorações e só percebem que tem x+1 anos quando a ressaca passa, mas, seja como for, em momentos como estes, é difícil não se pegar pensando – ao menos por alguns instantes – na passagem do tempo.

Não, não tenho a menor pretensão de falar sobre Proust e sua busca do tempo perdido, mas uma música em especial, chamada “Wetsuit”, que faz parte de um álbum bacanérrimo lançado mês passado, ficou martelando na minha cabeça nos últimos dias. Ela começa assim:

If at somepoint we all succumb, for goodness sake let us be young,

Because time gets harder to outrun and I’m nobody, I’m not done

With a cool cool breeze and dirty knees, I rest on childhood memories

We all got old at breakneck speed

Slow it down, go easy on me…

A banda em questão é uma das mais hypadas do indie rock atual, considerada o “novo Strokes” por alguns e nome confirmado para o Planeta Terra deste ano: The Vaccines.

Esses quatro londrinos que compõem a formação atual da banda surgiram ainda no ano passado e, como uma avalanche, rapidamente arrastaram multidões e arrebataram fãs e críticos com seu bom e velho rock (há vocais, guitarra, baixo e bateria; nada de barulhinhos esquisitos ou pirotecnias eletrônicas), letras pouco elaboradas, mas tremendamente verdadeiras e, principalmente, uma urgência para se fazer ouvido pelo mundo como há pouco se via – de fato, nesse ponto lembram o Strokes (principalmente na sonoridade – da bateria especialmente – de faixas como “If you Wanna” e “Wolf Pack”).

É como se, com toda sua pulsão juvenil, a única forma de extravasar angústias e mandar um recado ao mundo fosse com o auxílio de amplificadores. Não que os recados carreguem qualquer mensagem revolucionária, mas a forma como são bradados transmitem uma sinceridade difícil de se questionar. The Vaccines pode ser taxado de muitas coisas (pouco inovador, meio tosco, juvenil, quase pop…) mas, definitivamente, não soa fake.

Tamanha a comoção causada pela banda, seu álbum de estréia, lançado quase concomitantemente com Angles, do Strokes, traz já no título uma piadinha interna, uma provocaçãozinha que, de tão petulante fica engraçada: “What Did You Expect from The Vaccines?” – o subtítulo poderia perfeitamente ser: “e aí, vai encarar?”

Pois bem, o que esperava desses caras e o que o disco trouxe? Se alguém (?) esperava algo épico, a decepção deve ter sido grande… porém, se as expectativas eram no sentido de encontrar a mais nova “melhor banda de todos os tempos da última semana”, aí sim; porque “What Did You Expect…” é legal pra caramba.

Por exemplo: uma das faixas mais conhecidas – talvez por ser a mais atrevidinha – se chama “Post Break-up Sex” e fala justamente disso: os conflitos “existenciais” de quem quer esquecer o ex e, para tanto, se ajuda de outra pessoa (“Post break-up sex that helps you forget your ex/ What did you expect from post break up sex?”). Honesto, simples e sem qualquer presunção de profundidade – ainda bem…

E, claro, como não poderia faltar em uma banda surgida atualmente, olha lá o surf rock dos anos sessenta pintando de novo: em “Norgaard”, a faixa de menos de dois minutos que fala sobre a menina que tem apenas 17 anos – e que, provavelmente, ainda não está pronta – tem uma batida nitidamente influenciada por essa onda.

A mesma influência, ainda que presente essencialmente no título, está também na música de que falei acima, “Wetsuit” (a melhor do disco), e também na ótima “Family Friend” (“You wanna get young but you’re just getting older and you had a fun summer but it’s suddenly colder/ If you want a bit of love put your head on my shoulder, It’s cool”), que são desabafos a um só tempo raivosos e melancólicos – daqueles escritos em uma tacada só – que se prestam como uma tentativa de exorcizar aquela sensação perturbadora de que o tempo está passando rápido demais…

The Vaccines é, enfim, uma banda que emana juventude. Nada melhor para acalmar a aquele incômodo que perturba os aniversariantes – só eles?

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