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A graça de se ser comum

em abril 26, 2011

Quantas histórias de amor perfeitas você, de fato, já viu? Daquelas em que um mocinho (sempre lindíssimo) encontra uma mocinha (também uma beldade, claro) e, apesar de alguns pequenos percalços, acaba a conquistando para o resto de suas vidas?

Hollywood – e novelas – nos fazem crer que encontros como esses acontecem a cada esquina. Mas, no dia a dia, quando se fala em pessoas normais, que têm rotinas, chefes chatos, contas a pagar e quilinhos a mais, isso existe? Nunca vi.

A Minha Versão do Amor (Barney’s Version) não te faz suspirar, muito menos se sentir como se a perfeição de um mundo cor de rosa fosse feita para qualquer um, menos você.

É a história de um grande amor – porque, sim, eles acontecem – na vida de alguém banal, medíocre; um ser humano cheio de vícios, defeitos e idiossincrasias.

Barney Panofsky (Paul Giamatti) é um sujeito feioso, nada brilhante, que, longe de ter uma carreira expoente ou uma família convencional (basta dizer que seu pai é Dustin Hoffman – impagável), enche a cara pelo prazer de ficar bêbado e fuma charuto pelo prazer de fumar. Barney faz besteira, tem amigos bagunceiros e vai empurrando a vida com a barriga.

Ele até se aventura algumas vezes naquilo que acredita ser amor – i.e. casamento – mas, em um jogo de tentativa e erro, enquanto vê o tempo passar, sente que lhe falta algo; algo que ainda não encontrou.

Encontra, enfim, quando menos espera: em um de seus casamento – e não é a noiva…

Irreal? Não sei. Histórias mirabolantes existem aos montes por aí: na vida de pessoas normais, mulheres estonteantes podem, sim, se apaixonar por sujeitos desengonçados – por que não? –; há, também, espaço para loucuras românticas e histórias improváveis; mas, ainda bem, tudo isso é permeado por horas mundanas, dias em que nada de especial acontece, arrependimentos e criancices.

É justamente aí que está a graça – na vida e no filme. Porque gente real não é de plástico; amores reais não são assépticos.

Cada um tem sua versão do amor. Estas são, a um só tempo, feias e lindas; sujas e sublimes; deliciosamente medíocres e humanas.

(A Minha Versão do AmorBarney’s Version, de Richard J. Lewis)

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2 respostas para “A graça de se ser comum

  1. Lívia disse:

    Lindo esse blog!

    beijos

  2. […] como acontece em Barney´s Version (já contamos aqui), o amor retratado é cru, desnudo de qualquer véu de sofisticação ou artificialidade. Da […]

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