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Sobre baleias e casamentos

em maio 29, 2011

Outro dia, enquanto almoçava com um amigo, papo vai, papo vem, o assunto chegou em trilhas sonoras para casamento. Mais especificamente, quais seriam nossas alternativas para a tradicional marcha nupcial.

Minha escolha – da qual não tenho dúvida, desde a primeira vez que ouvi – foi “Little Wing, do Jimi Hendrix. A dele, para minha surpresa, foi Five Years Time, de Noah and the Whale.

A surpresa, ressalto, não foi pela escolha em si – afinal, essa é uma das músicas mais bonitinhas já criadas – mas por quem a havia feito (um cara todo durão, de quase dois metros de altura).

Porém, esse mesmo Noah and the Whale lançou um novo álbum neste ano que pouco remete à fofurice de outros tempos – especialmente daquela música. Soa menos delicadinho e mais sombrio, introspectivo – não consigo achar uma boa marcha nupcial em “Last Night on Earth“.

O nome do álbum, aliás, dá o tom: em grande parte das músicas, parece haver uma reflexão derradeira sobre a vida – um daqueles flashes que, dizem, surgem antes da hora de se fechar os olhos de vez. Ou, para soar menos mórbida, cada faixa sugere temas que precederiam o fim de uma etapa na vida de alguém – e o começo de algo novo.

As duas primeiras falam justamente sobre mudanças. A que abre o disco, “Life is Life“, tem uma levada mais dançante e fala sobre recomeço (“and it feels like a new life can start/and it feels like heaven“). Já a segunda, a boa “Tonight is the Kind of Night“, é praticamente uma crônica de um menino que sai de casa, pela primeira vez, para a vida – muito mal comparando, é algo à la “She’s Leaving Home” dos Beatles.

A terceira, que já toca em rádios por aí, “L.I.F.E.G.O.E.S.O.N.“, além de um refrão chicletinho, tem também como mote o tempo vivido: as desventuras de Lisa e Joey, duas pessoas que tomaram muita pancada, mas que clamam que o show tem que continuar.

Na mesma linha, “Waiting for my chance to come” é outra espécie do mesmo gênero. Ali, há alguém sozinho, esperando o bonde da vida passar para que possa finalmente subir.

O tom de crônicas, aliás, invariavelmente permeia as faixas do disco; todas contam histórias, são narrativas musicadas. Se em “Peaceful, The World Lays Me Down“, o primeiro álbum da banda, as letras são, em sua maioria, cantadas em primeira pessoa, o novo fala sobre vidas alheias.

Os ritmos perpassam várias nuances de um rock pop mais moderninho; às vezes com uma certa batida pós punk (como em “Give It All Back“); outras com misturas inusitadas de elementos clássicos (como violinos e backing vocals que mais parecem um coral de criancinhas) e barulhinhos esquisitos de teclados e sintetizadores.

É um disco bacana, gostoso de se ouvir. Mas não emociona; provavelmente, não tocará em meu casamento.

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