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Na garagem

em setembro 10, 2011

O registro começa em Nova Iorque, com um bombeiro aposentado – e presente no onze de setembro de 2011 – que mal se controla ao dizer que aquilo é a “loteria do rock’n’roll”; e que ele ganhou.

Outro vencedor diz que, se tivesse ganhado na loteria de verdade, teria gastado todo o dinheiro justamente para conseguir o que o prêmio do sorteio real lhe proporcionou: trazer o Foo Fighters para tocar na garagem de casa.

Estes são algumas dos relatos presentes no Foo Fighters Garage Tour, um “documentário” que, ao longo de quarenta minutos, retrata uma das maiores bandas de rock dos últimos anos tocando em garagens espalhadas pelos quatro cantos dos EUA – mais precisamente, Nova Iorque, Washington, Toronto (onde tocam com o próprio dono da casa), Chicago, Denver e Dallas, terminando, claro, em Seattle.

Em cada uma dessas localidades, os sortudos anfitriões – selecionados em uma promoção – recebem a banda em sua casa e assistem a um show restrito e exclusivíssimo, composto principalmente por faixas do álbum mais recente, Wasting Light – disco este gravado, literalmente, na garagem de David Grohl.

O filme, apesar de curto e recheado em sua maior parte pelas performances ao vivo das músicas do Foo Fighters, retrata diversos clichês do rock’n’roll: desde a garagem em si – que está para os roqueiros como o útero para os bebês – até o magnetismo que emana dos rockstars e seu efeito avassalador sobre os fãs – e.g. marmanjos cabeludos chorando, menininhas tremendo…

Mas, sem dúvida, o que mais chama atenção é a simpatia e a ausência de afetação por parte de todos os integrantes da banda – nas palavras do bombeiro novaiorquino que abre o filme: “these are regular guys, they just happen to be rockstars”.

Neste sentido, em alguns momentos, a “gente bonice” dos músicos parece um tanto enfatizada demais – por exemplo, quando o rockstar com menos cara de rockstar no mundo, Pat Smear, dá, sem pestanejar, sua guitarra para um garotinho que faz uma brincadeira com ele; ou quando Grohl tira sua jaqueta de couro e a coloca sobre a cabeça de uma das anfitriãs, para protegê-la da chuva – mas não há como terminar de assistir ao filme sem querer chamar a banda para tomar uma cerveja com você.

Especialmente em relação a Grohl – sobre quem já falamos aqui (modéstia à parte, em um dos posts mais bacanas já publicados pelo re.verb) – a sensação que temos é de que absolutamente tudo que ele fala é legal e espirituoso, a ponto de se pensar que sua simpatia, ao mesmo tempo que o aproxima dos fãs, o torna ainda mais mitificado; você pensa: “caramba, esse cara é um sujeito normal, como eu… mas é sem dúvida o sujeito normal mais foda que existe no mundo”.

Duvida? Assista então, na íntegra, ao vídeo disponibilizado pela banda:

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