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Para não dizer que não falamos de Lana

em janeiro 31, 2012

Randal Juliano, em uma das mais importantes noites de 1967, pede ao jovem Caetano Veloso para definir música pop: “isso é meio difícil de definir… Pop é…nem sei se o que a gente tá fazendo é pop (…) por exemplo, revista em quadrinhos é uma coisa pop entende… (…) é arte de massa, (…) utilizando aquilo que tem sucesso de massa; todos os elementos das coisas que têm comunicação direta com a massa” .

Pois bem, aproveitando o gancho e lançando mão do artifício da definição pelo exemplo – e, portanto, com o perdão da tautologia – hoje, a melhor definição de pop é: Lana Del Rey.

Aos 22 anos, a americana também conhecida como Elizabeth Grant, figura em publicações as mais diversas, que vão de Vogue a New Yorker, passando, claro, pelas capas de inúmeras publicações musicais (Billboard, NME). Neste dia 30 de janeiro, oficialmente, Lana lançou seu primeiro álbum, Born to Die.

Como se vê, antes mesmo de lançar seu primeiro disco completo (já havia sido divulgado no começo deste ano o EP Lana Del Rey), ela ganhou o mundo. As prováveis causas? Ela é bonitona – seus crescentes lábios já adquiriram status de ícone sexual – e tem um bom single, que dá nome ao álbum.

Em relação a tal faixa, convenhamos, é boa – dramática e pop, na medida certa –  e conta com um clipe melhor ainda (segue à risca a fórmula infalível de sexo, tatuagens, cigarros e explosões). Entretanto, se trata do único destaque musical da cantora até agora.

Nas demais faixas, Lana é tudo menos despretensiosa; o que pode ser sexy para uns, mas é irritante para outros – é incrível como em faixas como “Video Games” ela parece cantar fazendo beicinho diante do espelho (e isso pode ser sexy para uns, irritante para outros…).

Tudo indica, entretanto, que a qualidade musical ficou em segundo plano; a “Diet Mtn Dew” é uma boa trilha para um desfile de moda. E só. “Radio” também não é ruim, mas o que dizer de um refrão como este: “now my life is sweet like cinnamon, it’s a fucking dream I’m living in, baby that’s because I’m playing on the radio”…?

Voltemos, então, à faixa mais promissora, “Born to Die”, ela começa assim: “feet don’t fail me now, take me to the finish line…” propositadamente, ou não, Lana declara, como em uma profecia autorrealizável, sua sina: mesmo em se tratando do mundo pop, a imagem não basta, sendo necessário fôlego – e um mínimo de qualidade – para qualquer um, mesmo que dotado de rostinho bonito, sustentar seus 15 minutos no topo. No caso de uma cantora, isso obviamente deveria se traduzir em boa música. Não é o caso.

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Uma resposta para “Para não dizer que não falamos de Lana

  1. Julio Melo disse:

    Fui fazer uma busca no Google sobre Lana Del Rey e o primeiro link foi da Revista Caras. Preciso dizer mais alguma coisa?

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