re.verb

cultura, crítica e tudo o mais

Pra praia

em fevereiro 1, 2012

Se, no último post, falamos sobre aquela de que todos falam, neste voltamos à tradição re.verb e abrimos espaço para uma dupla ainda desconhecida, mas que vale a pena ser ouvida: Destry.

Formada em Boston por Michelle DaRosa e Tyler Odom, costura em uma atmosfera vintage (que, paradoxalmente, hoje soa tão moderninha) influências do folk, indie pop e surf rock dos anos 50 e 60.

A dupla lançou dois álbuns independentes, It Goes On (2009) e o delicioso Waiting On An Island (2011).

O último caiu acidentalmente em meu colo e, em pleno verão, não poderia ter vindo em melhor hora.

A faixa de abertura, “This Island” repete o que fez Little Joy, em 2008, com sua “The Next Time Around”: a sensação que se tem ao toque no play é a de que uma janela foi escancarada para o sol entrar.

O nome do álbum também não poderia ser mais apropriado; o clima é de sossego praiano, como se a dupla estivesse sentada à beira-mar, em um final de tarde ensolarado, compondo e tocando enquanto esperam algo – ou alguém – chegar.

A fofíssima “Don’t Break My Heart” remete a She & Him e toda sua doçura retrô (“don’t break my heart again … to put it back together was so hard“).

Smile” é a faixa mais surf – qualquer coincidência com o álbum de mesmo nome dos precursores do surf rock, os Beach Boys, talvez seja mais do que mera coincidência – e faz um apelo à felicidade: “smile though your heart ache, smile though your heart break”.

A dupla também sabe sair da areia: “Gone” mantém a descontração, mas está mais para um pop folk alegre e gostoso (“I can tell that it’s gonna be sunny from now, sunny from now on”); ao passo que mais urbanas e introspectivas são “Alabama” (“sometimes I think I’m alright, but I feel like I’m sleeping away (…) if I make it back to Alabama, it wouldn’t be so hard to find out what I am”) e “It All Worse” – a mais melancólica do disco.

Destry é, enfim, aquilo que muitos esperam do verão: colorido, alegria e um quê de displicência; com belas histórias de amor a tiracolo e uma inevitável nostalgia antecipada pelo fim que se sabe próximo.

 

Resumindo:

o quê? Um encontro de Little Joy com She & Him

onde? Diretamente de Boston, para seus ouvidos, aqui

por quê? O verão ainda não acabou.

Anúncios

Uma resposta para “Pra praia

  1. Julio Melo disse:

    Leitor é um tipo “estranho” não é!? (falo isso porque já tive blog…)

    As vezes a gente faz um texto caprichado, vários pontos de vista e tal… e aí o leitor “pega” um “pequeno detalhe” meio “coadjuvante” no texto e comenta em cima dele… mas é válido… rs

    É isso que eu vou fazer hoje: taí, nunca ouvi Little Joy, tenho que dar esse crédito (no bom sentido) ao Amarante. Vou baixar agora no 4Shared…

    E pra encerrar minha seção de aspas e parênteses, sei lá, Tyler Odom é meio parecido com Daniel Piza, ou não.

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s

%d blogueiros gostam disto: