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Ajuda

em fevereiro 3, 2012

Trata-se de um tema duro e dolorido: a segregação e profunda discriminação dos negros no início dos anos 60, no sul dos Estados Unidos; assunto este que, tamanha sua importância – e respectiva relevância em termos de produção cultural a respeito – já se tornou um clássico da história daquele país.

Especialmente no filme de que falamos neste post, “Histórias Cruzadas” (“The Help”, direção de Tate Taylor) – adaptação do best-seller de Kathryn Stockett, e que estréia nos cinemas brasileiros nesta sexta-feira – a abordagem não é sutil, tampouco exagerada; é direta e óbvia. Além disso, a perspectiva adotada é muito familiar a todo espectador: o ambiente doméstico, maternal; a criação.

Mais precisamente, a narrativa é estruturada a partir do ponto de vista de empregadas negras que, mesmo sendo discriminadas e mal tratadas por suas ricas patroas brancas, silenciosa e carinhosamente cuidam das crianças daquelas

O ciclo então se repete e as crianças, depois de crescidas, também requerem a “ajuda” negra na criação de seus próprios filhos; mas passam a igualmente destratar e desprezar aquelas que, apesar de as terem criado, nasceram com uma cor de pele diferente.

Tal círculo vicioso, no entanto, se quebra no momento em que alguém se arrisca a falar.

 

Como se vê, nesta narrativa se optou por retratar a temática do racismo direcionando a claramente o foco nas mulheres – brancas e negras. Conseqüentemente, questões tipicamente femininas, notadamente o instinto maternal (i.e. espécie do gênero amor incondicional), são trazidas à tona. Mais ainda, surge também o avesso delas, qual seja, a decepção e amargura que é a rejeição vinda de sua própria cria.

Por tais razões, é um filme dramático e que se pretende moral e politicamente engajado. No entanto, trata questões essenciais e atemporais de maneira superficial e pouco sofisticada – nota-se principalmente um maniqueísmo exacerbado, e certo excesso na caricaturização de algumas personagens, principalmente da megera Hilly (Bryce Dallas Howard).

Por outro lado, o tema é tocante por si só e o filme conta com belas atuações de atrizes como Viola Davis (ótima, indicada ao Oscar deste ano), Octavia Spencer (também indicada e vencedora do Sag Awards por este papel) e Emma Stone. Assim, emociona.

Em resumo, não é um clássico do cinema; mas um clássico filme americano.

(“Histórias Cruzadas”,“The Help”, direção de Tate Taylor, EUA 2011; baseado na obra “The Help”, de Kathryn Stockett – em português, traduzido para “A Resposta”, Ed. Bertrand Brasil)

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Uma resposta para “Ajuda

  1. Julio Melo disse:

    A descrição me lembrou os clássicos filmes franceses que eu assistia na faculdade retratando uma frança triste, melancólica, chuvosa, com crise econônica, crises familiares e retratando os problemas de frente. Quem sabe essa não seja a saída.

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