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Alívio

em fevereiro 10, 2012

Certas coisas trazem alívio imediato: o primeiro gole de cerveja gelada no calor, tirar os sapatos depois de um dia de trabalho, receber uma ligação de quem tanto se espera…

Musicalmente, dos maiores alívios que alguns – como esta que escreve – podem experimentar é ouvir, em uma nova banda, o bom e velho rock’n’roll. É o que ocorre ao se escutar os primeiros acordes de The Soft White Sixties.

 

Formada em São Francisco, em 2008, a banda resgata com maestria as tradições do blues – por vezes esquecidas no rock moderno – e alia letras simples (porém espertas) à intensidade de som – especialmente na bateria de Joey Bustos e nas guitarras de Aaron Eisenberg e Josh Cook.

Para ser mais precisa, a primeira sensação ao se ouvir uma das faixas mais poderosas do EP que leva o nome da banda (a ótima “Queen of the Press Club”) é de susto: a voz de Octavio Genera, as guitarras e as letras (“a cigarette caresses a rose petal lips, got a hand on a phone, a hand on a hip”) lembram assustadoramente o AC/DC de Bon Scott.

Carregar qualquer semelhança com aquela que considero a melhor banda de rock de todos os tempos já seria credencial suficiente para qualquer banda se fazer ouvida; neste caso, no entanto, os meninos vão além e conseguem sustentar as 5 músicas de seu EP com fôlego de craques.

A primeira, “When This All Started”, é um exemplo memorável de como o hard rock de verdade lida com essa coisa estranha chamada amor – que, uma hora ou outra, arrebata qualquer um; seja palmeirense ou corinthiano, sambista ou roqueiro – : “I gotta get over you, like you’re over me (…) and how did you make it look so easy the way you just move right along (…) I Just want your love, come back to me”. Declaração apaixonadamente escancarada, mas disfarçada pelo barulho das guitarras – quem já sofreu desse mal e aprecia rock’n’roll sabe que não poderia ser melhor.

I Am” se permite ser mais moderna, e, com seus vocais abafados e a batera menos agressiva – ainda que marcante – não é exagero dizer que soa como The Strokes em seu melhor (“oh oh no no, I don’t wanna be that way…cause I am…I am...”).

Better Way” é blues-rock em plena forma; sexy, cadenciado e com letras melancólicas – rasgadas por solos de guitarras que falam por si só – : “dont know what it is, but everything in my life is losing its taste (…) I’m restless because I’m careless, but most of all is still you that i still miss (…) but that’s gotta be a better way”.

Para fechar, “Live in the Evening” é um rock acelerado, com teclados perfeitamente harmonizados com as guitarras, que fala sobre aquele que vive na noite, e que espera encontrar certa pessoa sob o luar. Bom pra cacete – desculpe, mas o rock me faz perder o que me resta de papas na língua – e só faz aguçar ainda mais a expectativa sobre o primeiro álbum completo a ser lançado.

Em resumo: considerando se tratar apenas de um EP, é uma prévia incrivelmente promissora do que essa banda pode mostrar; as cinco músicas mostram mais qualidade – e rock’n’roll – do que a maioria dos discos pretensamente roqueiros por aí. Só por isso, já valem (muito) a atenção.

Recomendadíssimo. Escute aqui.

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