re.verb

cultura, crítica e tudo o mais

Canto de sereia

em março 12, 2012

Em meio a luzes que mais pareciam reflexos d’água, ela surgiu linda: vestido de paetês, corpo e voz de sereia. Nos pés, um par de havaianas azul e branco. Combinação inusitada, mas que funciona – talvez só nela.

Assim, repleta de misturas impensadas, é também a música de Céu: a um só tempo, sofisticada e despojada; chique e pé na areia.

Seja no modo de se vestir, ou na interpretação de suas músicas, ela pendula de um lado para o outro, sem jamais cometer excessos; é precisamente comedida.

Por tais razões, assistir a um show da cantora nunca foi, tampouco será, um convite à folia; é um exercício quase introspectivo de adoração. Porque música executada com qualidade fascina; porque lindas letras cantadas ao vivo tocam ainda mais; e porque Céu é tão bela e delicada que encanta.

Não foi diferente o show de ontem, ocasião do lançamento do excelente álbum Caravana Sereia Bloom (de que já falamos – muito bem – aqui), no Sesc Vila Mariana. Como sempre, foi um show sem grandes pirotecnias, mas tecnicamente perfeito; bom, mas contido. Poucas digressões entre as faixas, pouco improviso, mas com uma banda excelente (um baterista, um guitarrista, um baixista e um DJ), som límpido e potente, e uma cantora que compensa sua timidez com a qualidade de sua música – e de sua voz.

Além de executarem quase todas as faixas do novo disco, trouxeram também sucessos antigos, como “Cangote”, “Malemolência”, “Lenda” e “Rainha” (as duas últimas, no bis), bem como uma deliciosa versão de “Me importas tú”, do Trio Los Panchos.

Ainda mais emocionante – e minimalista – foi a faixa “Palhaço”, executada em voz e violão por filha e pai (Céu e Edgard Poças).

Por outro lado, a ótima “Streets Bloom”, de Lucas Santtana, contou com uma performance robusta – quase rock’n’roll – de Céu, e com uma bela projeção de takes “estradeiros” ao fundo.

Das mais animadas, ainda mais ao vivo, “You Won’t Regret It” só faz reforçar a veia reggae da moça – sempre presente em seus trabalhos, desde sua gostosa versão de “Concrete Jungle”.

Por fim, para terminar, minha favorita do álbum: “Chegar em Mim”, de Jorge Du Peixe – faixa esta que, conforme confessou Céu, já vinha namorando desde os tempos de Vagarosa.

Foto de Ariel Martini

E foi assim que, para um público que lotou a casa e se protegeu do toró que caía do céu, a cantora de mesmo nome – a mais interessante da nova geração brasileira – lançou um dos melhores discos do ano, até então.

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s

%d blogueiros gostam disto: