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Isso é amor?

em abril 8, 2012

É um daqueles amores de carne e de alma – ou, se preferir, uma paixão em que a carne fala tão alto, que até a alma crê que é amor.

Quem nunca teve, oxalá um dia terá. Nos que já experimentaram, ficarão, para sempre, cicatrizes – tatuagens.

Não é tema novo, tantos gênios já o tentaram decifrar… em prosa, em verso, ou em som… e já foi retratado – maltratado – mas nunca decifrado até o fim. – Ainda bem, se não não teria tanta graça o reviver, tantas e tantas vezes.

Esses dois livros de que falo hoje, versam justamente sobre o assunto – sem, contudo, chegar a uma conclusão final.

Ambos, entretanto, concluem o mesmo: há amores que avasssalam, destroem a vida, e que fazem o amante viver – a vida toda – em órbita, ao redor do outro. Mas, a despeito de todo o sofrer, inquestionavelmente vale a pena; e, assim, a força que fazem perenes as sensações não é óbvia; é insensata, é inexplicável – infinita e irracional.

Por isso, desta vez, falo sobre obras que não são novas, mas que não deixam de ser atemporais: Travessuras da meninas má (do nobel Mario Vargas Llosa) e Eu receberia as piores notícias dos seus lindos lábios (de Marçal Aquino, que terá sua versão cinematográfica lançada no próximo dia 20 de abril).

Em ambas, há a paixão incondicional – carnal e sobrenatural – dos dois protagonistas: de Ricardo pela “menina má”, no primeiro; e do fotógrafo Caiuby pela linda Lavinia, no último.

Seja em Miraflores, Paris, Londres, Tóquio ou Madri – como no romance de Llosa – ou no coração do Pará, como em Aquino, o que fica é a devoção, tantas vezes unilateral, de um homem por uma mulher.  É uma adoração quase religiosa pelo ser desejado – a qual, garanto, é mais comum do que se imagina; seja o amante macho, ou fêmea.

E o que fazer quando um turbilhão assim arrebata qualquer senso de razão? Sucumbir nunca parece a escolha mais sensata, mas, na maioria das vezes é o desfecho inevitável. E, ao se deixar de resistir, como levar adiante a vida que resta – em outras palvras, como suportar a vida sem a pessoa amada? A morte nunca pareceria tão próxima.

Peço desculpas pela falta de objetividade ao falar de ambos os livros, porém, quando alguma obra nos faz de fato sentir, nas personagens, a dor – já sentida em nós leitores – nos resta apenas recomendar a leitura – e torcer para que, pelo menos em alguém, a dor real doa menos ao final da última página da ficcção. Ou, para aqueles insensíveis, fica o alerta.

Travessuras da meninas má (Mario Vargas Llosa, Editora Alfaguara) e Eu receberia as piores notícias dos seus lindos lábios (Marçal Aquino, Editora Cia. Das Letras)

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Uma resposta para “Isso é amor?

  1. Eduardo disse:

    Parabéns pelo excelente texto! Já li o livro do peruano Vargas Llosa e concordo com voce que e um daqueles livros inesquecíveis, principalmente para quem já viveu algo semelhante. Abraço, Edu

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