re.verb

cultura, crítica e tudo o mais

Tulipa flor

em outubro 2, 2012

Tudo pra ser aquilo tudo que todo mundo espera, todo um perfil, aquele jeito que todo mundo gosta; tudo pra ter tudo; um jeito que agrada a todos”.

Este é o início de “Ok”, uma das faixas do novo álbum de Tulipa Ruiz (Tudo Tanto) e que, em meio a uma batida ensolarada, com quase-ukuleles ao fundo, lança um desafio: vocês, ouvintes, estão preparados para uma nova Tulipa?

Em “É”, a primeira faixa de seu disco, mostra justamente essa tranqüilidade adulta, tão presente em seu novo álbum: “pelo nosso amor em movimento, pode ser e é”. Ali, assim como em todas as outras faixas, não há ansiedade em agradar imediatamente; a continuidade e a constância são o que importa. A relação está consolidada – assim como a admiração de seus fãs – então, sem pressa.

E some também a pressão para continuar sendo – ao lado de Tiê – uma das porta-bandeiras da fofurice musical do cenário brasileiro contemporâneo.

Com o perdão do trocadilho estúpido, Tulipa desabrochou.

Não que o tom simples e fofo tenha se perdido… “Quando Eu Achar”, por exemplo, poderia facilmente constar em Efêmera, o primeiro (e muito bom) disco da moça: “Quando eu achar o que eu quero achar, você vai saber (…) se eu me permitir, sem pestanejar, você vai curtir”.

No entanto, ainda assim, Tulipa está mais rock’n’roll; há um (bem-vindo) tom de rebeldia em seu cantar: “(…) Melhorou o jeito que a gente conversa, que a gente discute coisa e tal; mas posso ter ainda algum motivo pra querer cair no vendaval; eu sou assim, assim” (“Like This”). Mesmo quando diz: “devo lhe dizer que a minha cura é você, meu bem, é você meu bem; é você meu benzinho”, o esclarecimento prévio impõe alguns limites: “Devo lhe dizer que a vida é um curta, que eu filmei você, e foi sem censura” (“Script”).

E, talvez, a manifestação mais óbvia do novo flerte com o rock seja a participação de Lulu Santos, em “Dois Cafés”; ali, o tom de crítica (ainda que não tão mordaz) se mostra, e questiona a vida nas grandes cidades: “Tem que correr, correr, tem que se adaptar (…) daqui pra frente o tempo vai poder dizer se é na cidade que você tem que viver; pra inventar família, inventar um lar”.

Menos óbvia, mas mais significativa ainda, é “Víbora”. Um quase jazz, ácido – e nada fofo –: “até parece máscara, ópera, víbora (…) mas é só você que tem o dom de me enganar, me seduzir, me desdobrar, de me cuspir, só pra me obter”. Uma música sobre machos que não são tão machos assim… para ser tocada depois das 23h – e , dizem rumores, com direito a Criolo murmurando ao fundo.

Tulipa, enfim, deixa de lado seu lado menininha, mantendo intactas, porém, a potência de sua voz e a simplicidade direta de suas letras. Para a satisfação de todos nós.

 

Baixe o novo álbum de Tulipa Ruiz, aqui – ou, nas palavras da moça, “quer me baixar? Me baixa com dignidade”.

Anúncios

2 respostas para “Tulipa flor

  1. elton disse:

    Ótimo post;
    e Tulipa é mesmo fantástica!

  2. Flora disse:

    Obrigada, Elton! Tulipa é uma bênção, de fato 🙂

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s

%d blogueiros gostam disto: