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Chegamos ao fim

em outubro 9, 2012

Convenhamos, não há nada pior do que tomar um pé.

Menos pior, mas ainda assim terrível, é constatar que uma paixão acabou – e que nada mais há a se fazer. Tantas noites gastas, tantos copos sujos, tanta conversa jogada fora…

Mas, se serve de consolo, uma hora ou outra – uma só vez, ou várias – isso acontece com todos nós.

Depois do fim de um relacionamento, primeiro a gente bebe – já dizia Cartola: “procuro afogar no álcool a sua lembrança, mas noto que é ridícula a minha vingança” – depois nos sentimos a última das criaturas do mundo, mas, então, chega um dia em que damos gargalhadas e pronto.

Nessas horas, depois da fossa, chega o momento de sacudir a poeira e usar a raiva para seguir adiante.

E, para quem precisar de uma ajuda instantânea, a “Coletânea TRAAA! – Uma coletânea tapa na cara!”, da querida Musicoteca está aí para dar uma força.

Mais uma bola dentro da Musicoteca

Ali, assim como naquelas horas, há momentos deprês, raivosos (e vingativos) e outros ironicamente engraçados.

Na coletânea em questão, tais momentos se alternam maravilhosamente bem, traduzidos em palavras e sons por alguns dos artistas preferidos do re.verb, como 5 a Seco (“Gargalhadas”), Karina Buhr (com a deliciosa “Não me ame tanto”: “Não me ame tanto, eu tenho algum problema com amor demais, eu jogo tudo no lixo”), Bárbara Eugênia (“O Tempo”: “mas o tempo é um amigo precioso, que fica sempre observando aquele instante em que alguém tentou se aproximar”), SILVA (“Imergir”: “navios dizem recomeço, do mar ninguém chegou ao fim, eu vou deixar seu nome imergir”), etc.

Ela começa com Marcela Bellas, “Por Favor”, em um momento tristonho, com sentimento confusos, típicos de um momento pós-briga derradeira: “Arrume as malas com o que for seu, por favor, deixe pra trás o que eu fiz por merecer e as garrafas de licor”; fica um pouco mais autoconfiante na seguinte, em “Açúcar ou Adoçante”, de Cícero: “mas se você quiser alguém pra amar, ainda, hoje não vai dar, não vou estar, te indico alguém”.

Mas, então, o clima vai melhorando, fica bem de novo com o sambinha “Roupa do Corpo”, de Filipe Catto: “no caminho da rua, sambei meia hora em cada esquina, entrei num boteco, fiz doze amigos do peito e da pinga, eu bebi e subi em cima da mesa, dizendo ‘seu moço, traz mais uma gelada, que a nêga aqui hoje teve alforria’” e o forrózinho “Animal” (Mula Manca & A Fabulosa Figura).

Como ninguém é de ferro, momentos de recaída – quando bate uma saudade insuportável – também são permitidos: o rockzinho brega “Não Quero Te Agredir” (Validuaté) diz: “Vá, que ter saudades faz um bem danado, e assim que o coração fica apertado, e lembra novamente o que é o amor (…) e quando meu peito compreender que não tem jeito, eu mandarei um moto-táxi te buscar”.

No final das contas, o que realmente importa é que tudo termine, literalmente, com “Gargalhadas” (5 a Seco): “Pra que buscar recaída, reviver o drama, mexer na ferida? Por onde se engana o coração, se encontra saída pra vida”.

Baixe a Coletânea aqui – e bola pra frente!

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2 respostas para “Chegamos ao fim

  1. Eu, que te vi pela primeira vez entrando na sala com uma camisa preta do ACDC, acho incrível começar o papo com Cartola!

    Belo post, Dona Flora!

  2. Flora disse:

    Paulo, querido!! Que bom te ver por aqui! Sério que eu fui com essa camisa…?? Hahaha enfim, a paixão pelo AC/DC permanece intacta…mas, no meu iPod, a (boa) música brasileira tem espaço garantido. Sempre!
    Obrigada pelo carinho 🙂

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