re.verb

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Até a gente cresce

em novembro 5, 2012

Tenho insistentemente tentado me lembrar de uma música, que não sei qual é – nem de quem – que dizia que quando temos vinte e poucos anos, nos sentimos velhos; até quando temos vinte e alguns anos e rimos daqueles tempos.

Seja qual for a letra, o que importa é que a mensagem é doloridamente verdadeira – e inevitável. Quando recém saídos da faculdade, de uma hora para outra, sentimos o peso do tempo passar. Depois, passado o choque, com vinte e poucos anos e alguns mais, percebemos que a vida adulta não é tão ruim; que tem seus prós: não se sentir culpado em ficar em casa numa noite de sexta-feira, gostar de ler jornal, beber vinho…

Em resumo, pode ser bacana crescer. E é esta a sensação que temos ao ouvir o segundo álbum do The Vaccines, Come of Age, lançado em setembro deste ano.

A banda, velha conhecida do re.verb, surgiu como uma sensação do rock alternativo; mais precisamente, como o novo The Strokes. Exageros à parte – e relevando o cano histórico que a banda deu nos fãs brasileiros, em 2011 – o que importa é que esses ingleses voltaram, mais crescidos, e em ótima forma.

Seu novo álbum é mais maduro, menos ansioso. Se, em 2011 (com o aclamado What did you expect from the Vaccines?), a tônica era a marrentice juvenil aliada à agonia do passar do tempo (a clássica “Wetsuit” dizia: “If at some poit we all succumb, for goodness sake let us be young, because time gets harder to outrun and I’m nobody, I’m not done; with a cool cool breeze and dirty knees, I rest on childhood memories, we all got old at breakneck speed, slow it down, go easy on me…”), agora, o que se sente é que a perspectiva de envelhecer ainda perturba muito (só a eles?), mas há nela a aceitação do inexorável, como em “No Hope”, a faixa – concorrente a hino da juventude – que abre o disco: “(…) ‘cause when you’re young and bored at 24 and you don’t know who you are no more, there is no hope (…) and it’s hard to come of age, I think it’s a problem (….) and I hope it’s just a phase, well, I’ll grow”.

Porém, assimilado o susto (e ainda que com algumas recaídas pueris, como em “Teenage Icon”), o que se vê é a consciência de que a adolescência deu lugar à consciência de problemas ainda maiores – desculpa, não quero parecer excessivamente pessimista, mas assino embaixo…

Em uma das faixas mais bonitas, “I Always Knew”, se fala de paciência, um dos elementos mais importantes da vida adulta: “(…) I’m hanging on to what I don’t know, so let’s go to bed before you say something real, let’s go to bed before you say how you feel ‘cause it’s you, it’s always you, I always knew”.

Na mesma toada, em “Aftershave Ocean”, com plena maturidade, se assume que a pessoa amada é idolatrada, ainda que se saiba que não deveria ser assim: “but you are pulling the world over, wouldn’t you rather know that I am overindulging you, it’s so easy though”.

Algumas das faixas seguintes, porém, como “Weirdo” (“I know I’m fucking moody and I know I’m quite unkind, I know I’m kinda of distant, but you’re always on my mind”) e “Bad Mood” (“but I get angrier with age, better to be ready if you rattle my cage”) retomam o tom ranzinza e marrento que só os jovens (e os Vaccines) sabem dar…

Porém, a faixa que fecha o disco, mata a questão: eles – e alguns de seus ouvintes – cresceram e cansaram de botar banca além do necessário; eles – e a gente – querem uma pessoa bacana ao lado – quem sabe um amor antigo, como na música –; e um alívio para este mundo adulto que pode ser tão duro: “I knew where you were, it was perfectly obvious, I was uncomfortable playing it cool and I feel like I have always known you; I can’t recurse and I thought you had questioned it, young in the night when we stare at the rest of it, don’t forget, Lord I know: I will hold you close, ‘cause it is a lonely world, but would you want me too, cause it is a lonely world”.

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