re.verb

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Antes que eu me atrase…mais

Andava reluzente por aí… culpa de uns 5 meninos que estavam povoando minha agenda de shows. Depois de assistir, via internet, aos dois ensaios abertos do 5 a seco, eu fui ao show do Sesc Vila Mariana, programei a virada do interior e tinha reservas para a gravação do DVD no Auditório do Ibirapuera.

Acordei atrasada no último domingo, e perdi o show de São João da Boa Vista

O boleto pra pagar os ingressos do Auditório do Ibirapuera chegou atrasado em minhas mãos

Então, antes que eu me atrase mais ainda, falo do show da última quinta-feira.

Em tese, o repertório não era quase nada diferente daquele show que já foi narrado com maestria pela Flora nesse re.verb.  Em tese, porque os novos arranjos fizeram mais gostosa a brincadeira de encontrar nossas canções preferidas entre as cordas, percussões e, olha só, até escaleta entrou na dança!  Dança que faziam os instrumentos entre aquelas dez mãos que nunca nos desapontam quando começam a tocar. Um é ótimo, dois são melhores (como Pedro Altério e Tó Brandileone em Pra você dar o nome), três emocionam (como Tó, Vinícius Calderoni e Leo Bianchini em Mesmo quando a boca cala)… mas os cinco juntos são imbatíveis.

O público acompanha as 5 vozes, com as letras na ponta da língua até as músicas que sequer foram registradas em CD (erro a ser corrigido no primeiro final de semana de junho). Como fã, acho normal. Vemos repetidas vezes os vídeos desses moços em ação, não apenas pelas inspiradíssimas letras ou afinadas melodias, mas pelo deleite da música se fazendo por quem sabe e por quem ama. Fica claro na expressão compenetrada de Vinícius Calderoni, nas caretas de Tó Brandileone, no sorriso largo e fácil de Pedro Viáfora, na emoção do olhar de Pedro Altério e no esforço do grande Leo Bianchini em se fazer caber no cavaquinho… a busca pelo melhor som, por aquela virada nova, a ideia que deu certo. A “boy band involuntária” parece ser unida por uma coisa maior que a amizade, a simpatia, a sincronia. Uma coisa que só pode chamar… música. E é por isso que não cansa, por isso enche os olhos e ouvidos, por isso a gente não cansa de falar neles. E por isso tentarei vê-los novamente na sexta (com Lenine), no sábado (com Maria Gadú e Chico César) e/ou no domingo (com Dani Black de volta ao bando).

E por último, mas não menos importante, é por isso que eu já fiz minha contribuição aqui e meu CD e DVD estão garantidos assim que saírem do forno, espero eu, sem atraso!!

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Que não acabe

No dia do casamento Real, Marcelo Jeneci dedicou uma de suas músicas mais doces, “Pra Sonhar” aos noivos: “Muita gente tem me dito que tem tocado esta música em seus casamentos, então esta aqui vai para o príncipe e a princesa – vocês sabiam que eles casaram, né?”.

Falar de Jeneci aqui no blog não é novidade (nos encantamos com o álbum de estréia, “Feito Pra Acabar” e, de quebra até o próprio artista deu uma palhinha nos comentários, lembra?), assim, não é de se espantar que o time re.verb estivesse quase completo (e logo nas duas primeiras fileiras) no Auditório do Ibirapuera, na última sexta-feira dia 29, para assistir ao show desse excelente compositor e multi-instrumentista paulistano, certamente um dos mais diferenciados de sua geração.

Pontualmente às 21h, as luzes do Auditório se apagaram e a banda entrou. Vale dizer que, mais sensivelmente do que no álbum, a formação da banda – clássica: um baixo, duas guitarras e uma bateria – e sua qualidade sustentam o show, na medida em que fornecem uma base sonora sólida – por vezes até descaradamente roqueiras, como nos bons solos de guitarra de João Erbetta – que se contrapõe na medida certa a toda a leveza e lirismo da sanfona de Jeneci e ao langor da bela voz de Laura Lavieri.

A apresentação, iniciada com a seqüência de “Copo d’água”, “Café com Leite de Rosas” e “Felicidade”, começou um tanto tímida; intimista demais e quase desempolgada. Nada que comprometesse a qualidade do som – muito menos das músicas – mas faltava algo.

Esse algo começou a surgir justamente em “Pra Sonhar”, música que, por si, já desperta qualquer ânimo e, tocada da forma como foi – com um excelente solo de sanfona de Jeneci ao final – deu gosto. Os príncipes – duques? – devem ter ficado ainda mais apaixonados.

Qualquer resquício de desânimo, contudo, desapareceu por completo quando a faixa que dá nome ao álbum e ao show foi tocada: a bela letra, cantada a plenos pulmões por Jeneci; a bateria e o piano, intensos; a iluminação quase estroboscópica lançada sobre os integrantes no refrão… e, em meio a tudo isso, as cortinas ao fundo do palco sendo levantadas e o Parque do Ibirapuera entrando no Auditório. Um daqueles momentos memoráveis, arrepiantes, que, não à toa, rendeu quase três minutos de aplausos em pé da platéia.

No setlist, todas as faixas do disco lançado em 2010, além de algumas surpresas, como um novo refrão, criado pelo músico há pouco, e compartilhado em voz e piano com o público – que aprendeu logo e cantou junto – “A chuva é a vontade do céu de tocar o mar, e a gente chove assim também quando perde alguém/ Mas quando começa a chorar, começa a desentristecer, assim se purifica o ar depois de chover” ; e a participação da amiga e mentora Vanessa da Mata – que, dentre outras, cantou seu hit “Amado”, música composta por Jeneci.

Vanessa, em palavras carinhosas ditas ao amigo, foi muito feliz em ressaltar um dos grandes diferenciais deste: a habilidade de transformar a sanfona em instrumento para elaboração de harmonias, o qual, fora do contexto habitual do forró, integra perfeitamente o conjunto de guitarras e bateria.

E a música de Marcelo Jeneci é justamente assim: uma bela mistura de gêneros, ritmos e referências – sempre permeada pela poética de suas letras – e que, finalmente, vem sendo descortinada ao grande público, e por este reconhecida. Nada mais justo: trata-se de música de qualidade, muitíssimo acima da média; é música “feita pra continuar”, por muito tempo.

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Falta de energia é um troço relativo

Um ano depois, eu estava de volta ao Auditório do Ibirapuera para mais uma feijoada búlgara. O domingo, até então, era de sol e eu estava pronta pra conferir Móveis Coloniais de Acaju mais uma vez. O repertório não devia ser muito diferente daquele do ano passado, em tempo de gravação do dvd, mas desses brasilienses nunca se espera “mais do mesmo”.

Uma boa surpresa já aconteceu antes do show, com uma jam session dos músicos da Escola do Auditório, com a participação de Paulo Rogério no sax e um repertório com Noel Rosa e Carlos Lyra. Depois de balançar um pouco e encontrar as amigas, era hora de encontrar as poltronas.

POLTRONAS? Balela! Ninguém fica sentado em show do Móveis, e os fãs mais previdentes já estavam de pé no gargarejo pra receber os naipes de metal de Esdras, Xande e Paulo, o vozeirão de André Gonzales, BC, Beto Mejía, Coracy, Fabio Pedroza e Eduardo Borém na animação característica que não se restringe a quem está no palco. Alguma coisa nas palmas que acompanham músicas como Menina Moça, Adeus e O Tempo as tornam  únicas e inconfundíveis. Público no tempo, afinado e animadíssimo que também rouba a cena na tradicionalíssima roda que acontece depois de Copacabana. Nem as fileiras de cadeira, nem os espaço íngreme impedem fãs e músico de darem as mãos, abaixarem e levantarem frenaticamente entoando um “MÓVEIS, HEY! MÓVEIS,HEY!”

O público é mesmo do Móveis. Prova disso é que o momento menos animado, por assim dizer, foi o do cover de Metallica, Enter Sandman. Não que tenham faltado indicadores e mindinhos para o ar e headbangers meio tímidos. Não é toda a banda que pode se dar ao luxo de tocar covers pra dar uma esfriada no show (aliás, conheço muitas bandas que só se salvam com eles).

O show encaminhava-se para seu final depois de passear por músicas dos álbuns C_mpl_te, Idem e até por músicas jurássicas do EP. O bis estava bombando com Seria o Rolex? quando de repente acabou a eletricidade. Assista ao vídeo aqui embaixo e responda: faltou energia?

Muita gente ficou achando que aquilo foi de propósito, mas mudou de ideia assim que saiu do auditório e deu de cara com a enxurrada. Muita gente ficou ilhada embaixo da língua vermelha da porta do auditório por horas e os músicos, dando mais uma prova de simpatia e gente finisse, ficaram sentados com os fãs, tirando fotos e conversando enquanto a chuva não passava.

Nota engraçadinha:

A gente que adora uma alternativice, já acha Móveis uma banda pop  e mega conhecida, né? Mas só a gente. Estava na fila para comprar meu ingresso quando uma senhora, com o flyer do show na mão, me aborda:

– Vai ter evento aqui hoje?

– Vai sim, senhora. Um show.

– Ah é, de quem?

– Dessa banda aqui {aponta para o flyer colorido na mão dela}

– Ah, é?! Jurava que era alguma exposição de móveis, cadeiras mesmo! Obrigada.

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