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12/06

Ame ou odeie, dia 12/06 é Dia dos Namorados – não há muito o que se fazer a respeito… seja como for, e como não poderia deixar de ser, o re.verb foi no embalo e preparou uma playlist cheirosinha para você – esteja apaixonado, ou não.

  • Comecinho de namoro: fofurice pura

5 Years Time”, Noah and The Whalecomo já dissemos por aqui, esta é uma das músicas mais bonitinhas já feitas; impossível não se apaixonar: “Oh well, I look at you and say: ‘it’s the happiest I have ever been!’/And I’ll say: ‘I no longer feel I have to be James Dean’”.

“Dar-Te-Ei” – Marcelo Jeneci é um apaixonado por excelência. E esta música é fofa até dizer chega: “Dar-te-ei a mim mesmo agora e serei mais que alguém que vai correndo pro fim/ Esse morre… envelhece… acaba e chora… ama e quer… desespera… esse vai… mas esse volta”.

“Para Alegrar o Meu Dia”, Tiê – quando tudo está bem, nem a ausência atrapalha: “Já que não te tenho por perto, eu vou tomar um sorvete, para alegrar o meu dia…”.

  • Namoro firme: o tempo passa, a paixão continua

“Acostumar”, Marcelo Cameloo álbum  Toque Dela é perfeito para o Dia dos Namorados, mas esta música em especial é a encarnação da sinceridade do amor: “… parece brincadeira, mas eu sei que a gente faz um monte de besteira por saber que é bom demais…”.

Apartment Story”,  The National – esta banda não é novidade, mas simplesmente uma das melhores dos últimos tempos. Esta música? Um convite à intimidade: “We’ll stay inside til somebody finds us, do whatever the TV tells us, stay inside our rosy-minded fuzz for days”.

Suck It And See”,  Arctic Monkeysapesar de tudo, resta a certeza de que aquela pessoa é especial: “You’re rarer than a can of dandelion and burdock/ And those other girls are just postmix lemonade”.

  • Namoro com emoção: aquele que persiste mesmo aos trancos e barrancos:

“Pra você dar o nome”, 5 a Secoquando vale a pena, mas a distância faz tudo se atrasar: “Deixa pra lá, que de nada adianta esse papo de agora não dá/ Que eu te quero é agora e não posso e nem vou te esperar/ Que esse papo de um tempo nunca funcionou com nós dois”.

You”, TV On The Radioum dos melhores álbuns do ano, uma música simplesmente linda: “Yooou gave no reason for letting go/I just thought you might like to know you’re the only one I ever loved”.

“Você não vale nada”, Tiê – “Você não vale nada, mas eu gosto de você/tudo que eu queria era saber por que”. Questionamento pseudo existencial  ao ritmo de flamenco e à voz de Tiê.

  • Bonus tracks com pimenta: de noite na cama

Sexual healing”, Ben Harper – sem mais: “Oh baby now let’s get down tonight/ Baby, I’m hot just like your oven, well I need your lovin’/ And baby, I can’t hold it much longer, no, it’s getting stronger and stronger/ And when I get this feeling, I need sexual healing

 You Shook Me All Night Long”, AC/DC – Haja fôlego: “Taking more than her share, had me fighting for air/ She told me to come but I was already there/ ‘Cause the walls start shaking, the earth was quaking, my mind was aching, and we were making/ And you shook me all night long…”. 

 

BREVE NOTA PARA OS SOLTEIROS: dia 12 de junho é dia dos namorados; os outros 364 são nossos. It takes two to tango, but one to rock. Rá!

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Blue Valentine

Sabe quando você ouve uma música que, de tão perfeita, te tira do prumo? Quando, à primeira escutada, você tem certeza de que aquela é a música da sua vida; que faz todo o sentido, que foi feita só para você?

Você a escuta por dias a fio, coloca no repeat sem parar e não se cansa; rabisca o refrão no bloquinho de anotações ao lado do telefone; acorda e dorme com ela na cabeça.

Pois bem, o tempo passa e eis que, de repente, um certo dia, sem ter porquê, a mesma música já não emociona. Você a ouve e nada sente; mal percebe que é ela que está tocando.

Com histórias de amor, pode acontecer o mesmo.

E é justamente este o enredo de Blue Valentine (de Derek Cianfrance, pessimamente traduzido para Namorados para sempre). Ali, duas histórias de amor, compostas pelos mesmos personagens, Cindy (Michelle Williams, ótima como sempre) e Dean (Ryan Gosling, também excelente) correm em paralelo; uma contando o começo, e a outra o fim de um relacionamento.

Novamente, como acontece em Barney´s Version (já contamos aqui), o amor retratado é cru, desnudo de qualquer véu de sofisticação ou artificialidade. Da insaciedade e urgência do começo, ao triste e agonizante processo que culmina no fim, tudo é escancarado – até a câmera filma sem pudores, abusando de closes que captam em cada expressão aquilo que há de mais íntimo; do prazer, à dor.

Ali, a mesma música que embala o começo – a excelente “You and Me”, de Penny and the Quarters – também é a trilha do fim. Os personagens também são os mesmos, mas aquilo (o amor?) que parecia invencível e inabalável, de repente se esvai – sem qualquer motivo especial.

Como tantas outras, essa é a história de um amor que nasce lindo, promissor, mas que, com a mesma espontaneidade, encrua; morre sem mais nem menos.

Não é o filme mais propício para encantar casais nesta véspera de Dia dos Namorados, mas é um belíssimo – e triste – alerta para qualquer um que se aventure em amores por aí.

Vale a pena.

(Blue Valentine, de Derek Cianfrance, 2010)

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