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O último R

Minha geração viu muitos bons jogadores brasileiros, mas poucos craques. Estes são os indivíduos não apenas diferenciados por sua técnica, mas que, por alguma razão, encantam não só uma vez ou outra, mas reiteradamente. São os que causam admiração a despeito da camisa que vestem; que jogam a favor do futebol.

Curiosamente, três dos maiores craques das últimas duas décadas têm algo em comum; seus  nomes começam com “R” – Romário, Ronaldo e Rogério Ceni.

Hoje foi o dia da consagração do último.

Não é fácil para uma corinthiana doente falar do maior ídolo de seu grande rival – afinal, nos últimos anos, o Palmeiras perdeu o posto de maior inimigo alvinegro para o São Paulo – ainda mais após uma derrota justa como a de hoje.

No entanto, antes de corinthiana, sou amante do bom futebol e, admito, adoraria ver outros jogadores como Rogério por aí.

Não digo isso só porque ele é um dos melhores goleiros do futebol brasileiro dos últimos tempos; por ter o maior número de gols feitos por alguém que joga nessa posição no mundo; tampouco por ser, há anos, o capitão de um dos maiores clubes do Brasil. Digo que ele é craque porque, apesar de 100 gols, ele continua encantando.

Por sua competência, sua postura – dentro de fora do campo – seu respeito pelos adversários e pela torcida e, principalmente, por seu amor ao SPFC – qual outro jogador veste a camisa de um mesmo time por tanto tempo?

Os 100 gols importam – e muito – mas antes de serem um marco em si, parecem ser uma evidência do diferencial de quem os fez.

Rogério não é só um (o maior) goleiro artilheiro, é um goleiro cuja importância para seu time é tão grande, que ele até a traduz em gols.

Confesso que, por muito tempo, tive raiva do Rogério. Não tanto pelos gols que defendeu (ou que fez), mas pelo fato de jogar em outro time que não o meu. Hoje, superei a inveja e bato palmas para esse atleta.

Por isso, apesar do gosto amargo da derrota, encho a boca para dizer: parabéns, Rogério.

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O Homem e o Mar

 

Por que gosto tanto de surfar?

É que, no surf, sou apenas eu; humildemente entregue ao mar. Insignificante diante da natureza e do mundo – e ao mesmo tempo parte de ambos.

Poucas vezes vi melhor tradução para essa sensação do que as fotos de Hengki Koentjoro. Estão ali algumas das mais expressivas e emocionantes que já vi. É algo sublime, mágico, inexplicável.

É o homem na imensidão do mundo. É o que de mais próximo do surf posso ter neste momento, diante deste computador.

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Preto no branco

“Nossa, você não tem cara de corinthiana!” é o que sempre escuto quando falo qual é meu time. Vejo os narizes torcerem ainda mais quando reitero que não só torço, mas que sou corinthiana mesmo, daquelas que vai ao estádio, que chora quando o time perde e que aparece rouca depois das grandes vitórias.

Àqueles que se surpreendem quando ouvem isso, repito o que ouvi de outro grande torcedor deste time: que não existe “cara de corinthiano”, justamente porque se trata de um time que abraça todas as caras; não há uma só camada social, uma só cor, uma só ascendência. Há sim um traço comum: o amor incondicional pelo time (a cada rodada, a reafirmação dos votos de casamento: de amar o time na alegria e na tristeza).

Sou corinthiana porque sou apaixonada – ou sou apaixonada porque sou corinthiana, como queiram. Eu e mais 30 milhões que entoam em seus cantos os mesmos versos de amor: “aqui tem um bando de louco, louco por ti”; “eu nunca vou te abandonar porque te amo”; “minha vida, minha história, meu amor”.

Aos que odeiam este time, pergunto: o que seria do futebol brasileiro sem o Corinthians? E quando falo isso, penso nos torcedores dos demais times: quem iriam encher nas segundas e quintas-feiras?

Ninguém é indiferente ao Corinthians; o Timão incomoda. Há apenas duas torcidas: a do Corinthians e a contra o Corinthians.

Por isso, hoje, a esta última digo o seguinte: neste ano se comemorou o centenário do time e nenhum grande título foi ganho (não teve Libertadores, não teve Paulista, não teve Brasileiro), mas a real conquista, que poucos outros times têm, é a de que, ao longo dos últimos cem anos, o dia seguinte da derrota também é dia de se vestir a camisa do Timão, porque, sempre – e para além de muitos outros cem anos – na alegria e na tristeza, continuará existindo um bando de loucos.

E, Corinthians, Você já sabe, mas me permita deixar claro para os outros: ninguém vai te abandonar, porque, a cada dia mais, a gente te ama.

 

obs. este post é absolutamente egoísta e reflete tão somente minha loucura. Infelizmente, nenhum outro membro do re.verb a compartilha.

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