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Alívio

Certas coisas trazem alívio imediato: o primeiro gole de cerveja gelada no calor, tirar os sapatos depois de um dia de trabalho, receber uma ligação de quem tanto se espera…

Musicalmente, dos maiores alívios que alguns – como esta que escreve – podem experimentar é ouvir, em uma nova banda, o bom e velho rock’n’roll. É o que ocorre ao se escutar os primeiros acordes de The Soft White Sixties.

 

Formada em São Francisco, em 2008, a banda resgata com maestria as tradições do blues – por vezes esquecidas no rock moderno – e alia letras simples (porém espertas) à intensidade de som – especialmente na bateria de Joey Bustos e nas guitarras de Aaron Eisenberg e Josh Cook.

Para ser mais precisa, a primeira sensação ao se ouvir uma das faixas mais poderosas do EP que leva o nome da banda (a ótima “Queen of the Press Club”) é de susto: a voz de Octavio Genera, as guitarras e as letras (“a cigarette caresses a rose petal lips, got a hand on a phone, a hand on a hip”) lembram assustadoramente o AC/DC de Bon Scott.

Carregar qualquer semelhança com aquela que considero a melhor banda de rock de todos os tempos já seria credencial suficiente para qualquer banda se fazer ouvida; neste caso, no entanto, os meninos vão além e conseguem sustentar as 5 músicas de seu EP com fôlego de craques.

A primeira, “When This All Started”, é um exemplo memorável de como o hard rock de verdade lida com essa coisa estranha chamada amor – que, uma hora ou outra, arrebata qualquer um; seja palmeirense ou corinthiano, sambista ou roqueiro – : “I gotta get over you, like you’re over me (…) and how did you make it look so easy the way you just move right along (…) I Just want your love, come back to me”. Declaração apaixonadamente escancarada, mas disfarçada pelo barulho das guitarras – quem já sofreu desse mal e aprecia rock’n’roll sabe que não poderia ser melhor.

I Am” se permite ser mais moderna, e, com seus vocais abafados e a batera menos agressiva – ainda que marcante – não é exagero dizer que soa como The Strokes em seu melhor (“oh oh no no, I don’t wanna be that way…cause I am…I am...”).

Better Way” é blues-rock em plena forma; sexy, cadenciado e com letras melancólicas – rasgadas por solos de guitarras que falam por si só – : “dont know what it is, but everything in my life is losing its taste (…) I’m restless because I’m careless, but most of all is still you that i still miss (…) but that’s gotta be a better way”.

Para fechar, “Live in the Evening” é um rock acelerado, com teclados perfeitamente harmonizados com as guitarras, que fala sobre aquele que vive na noite, e que espera encontrar certa pessoa sob o luar. Bom pra cacete – desculpe, mas o rock me faz perder o que me resta de papas na língua – e só faz aguçar ainda mais a expectativa sobre o primeiro álbum completo a ser lançado.

Em resumo: considerando se tratar apenas de um EP, é uma prévia incrivelmente promissora do que essa banda pode mostrar; as cinco músicas mostram mais qualidade – e rock’n’roll – do que a maioria dos discos pretensamente roqueiros por aí. Só por isso, já valem (muito) a atenção.

Recomendadíssimo. Escute aqui.

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Prazer em conhecer

Suponha que você tenha se desligado do mundo nos últimos vinte anos. Para você, camisa de flanela não é grunge, nem hipster, é roupa de lenhador. Você nunca ouviu falar em Kurt Cobain, ou em sua melancolia que, transformada em rock, se tornou hino de uma geração. Ao ver a imagem de um bebezinho gorducho, nadando numa piscina em direção a uma nota de dinheiro, nenhum disco vem à mente.

Você, portanto, não conhece David Grohl.

Eis que, em 2011, você volta e fica sabendo que uma tal Foo Fighters é uma das maiores bandas de rock da atualidade e que seu vocalista e guitarrista, David Grohl, há vinte anos participava (como baterista do Nirvana) daquela que possivelmente foi a mais significativa (r)evolução do rock alternativo de todos os tempos.

Você, então, se depara com o seguinte álbum:

A primeira faixa, “Bridge Burning”, começa com um riff seco, metálico, que se multiplica em uma sucessão de ataques à guitarra e um grito: “these are my famous last words”. A batida continua pesada e, na letra, a pergunta: “Tell me now, what’s in it for me? No one’s getting this for free/So tell me now what’s in it for me”.

A resposta é: para Grohl, que, aos trancos e barrancos foi consolidando sua posição como lead man de uma grande banda, há, hoje, um séquito de fãs; alguns que o acompanham desde os meados de 1991, e outros, como você, que o conhecem agora – e rapidamente gostam daquilo que ouvem.

E você gosta porque você escuta a ótima “Matter of Time” (“my past is getting us nowhere fast/I was never one for taking things slow/Nowhere seems like somewhere to go/Come over and over”) e entende que esse tal David Grohl é um cara bacana (como bem disse Lucio Ribeiro), que tomou algumas porradas da vida, mas que, neste momento, está em sua melhor forma.

Percebe também que essa banda tem, como poucas, a habilidade de modular a intensidade das batidas e vocais ao longo das faixas; em outras palavras, intercala melodias simples – harmônicas e que funcionam – a estrofes e refrões gritados com intensidade impressionante (como em “Arlandria”: em meio a uma quase balada, de repente surge o berro que implora “Oh God, you gotta make it stop!”; ou na excelente “Walk”, em que praticamente arrebenta suas cordas vocais ao cantar “I never wanna die, I never wanna die” ).

Gosta também porque o som é rock’n’roll de verdade, mas as letras falam sem pudores de amores e suas desventuras. Aliás, a raiva típica do rock pode ser a melhor forma de se expiar a dor causada por alguém: “one of these days, I bet your heart will be broken/ I bet your pride will be stollen” (“These Days”).

Assumindo o risco de levar uma sapatada na cabeça, você ousa a pensar que algumas faixas, como “I Should have Known” quase cruzam a fronteira em direção ao emo: “I shoulda known, that it would end this way/I shoulda known, there was no other way/Didn’t hear your warning/Damn, my heart gone there”. Mas, antes mesmo de você dizer o que pensou, vêm novamente os vocais gritados – e inequivocamente viris – de Grohl (como na pedrada “White Lime”) e tudo volta ao normal. (Vale dizer, contudo, que você, como eu, acredita piamente na máxima de que de emo e louco todo mundo tem um pouco – não havendo mal algum nisso.)

O disco, enfim, acaba e você, satisfeito, decide que, mesmo tendo conhecido esse cara só agora, ouvirá muito David Grohl pela frente.

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A arte da escrita

“Algumas pessoas dizem que não conseguem entender o que o senhor escreve, nem mesmo depois de o ler duas ou três vezes. O que o senhor poderia lhes sugerir?”

“Que leiam quatro vezes”. (William Faulkner, em 1956)

 

“Quais são as suas idiossincrasias?”

“Suponho que minhas superstições podem ser consideradas idiossincrasias. Tenho que somar todos os números: há pessoas para as quais nunca telefono porque o somatório de seus números dá um total funesto. Ou eu não aceitaria um quarto de hotel pela mesma razão. Não tolero a presença de rosas amarelas – o que é triste, porque é minha flor preferida. Não posso admitir três pontas de cigarro no mesmo cinzeiro. Não viajo num avião com duas freiras. Não começo nada às sextas-feiras. São infinitas as coisas que não posso fazer ou jamais faria. Mas obedecer a esses conceitos primitivos me dá um curioso conforto.” (Truman Capote, em 1957).

 

A relação de grandes autores com suas obras, as mais distintas posturas diante de um entrevistador – o ressabio de Hemingway, o divertido papo de Capote, a simpatia de Doris Lessing, o mau humor delicioso de Faulkner, o desabafo repleto de um pessimismo assustador de Céline – o comum desdém pela crítica, uma curiosa adoração a James Joyce e um convite a que o leitor conheça um pouco mais das mãos e mentes por trás de grandes obras literárias.

Essa é parte da tônica de As Entrevistas da Paris Review, ótimo livro publicado recentemente pela Companhia das Letras que, a despeito de ter chegado há tão pouco tempo nas prateleiras, já tem repercutido e conquistado admiradores (dois bons textos sobre o assunto: um de Antonio Gonçalves Filho e outro do nosso parceiro Gabriel Garcia).

 

Esta é uma dentre as 3 mil (!) capas produzidas pela Companhia das Letras

Em pouco mais de 400 páginas (deste que é o volume um) estão reproduzidas algumas das melhores entrevistas publicadas pela revista literária americana Paris Review entre 1956 e 2006; entrevistas tais que, em si, carregam parte da riqueza literária de seus entrevistados.

Na contramão do que atualmente se constata, as entrevistas em questão extraem conteúdo de fato interessante de seus “objetos de estudo”; não apenas devido ao profundo conhecimento de seus entrevistadores, como também pela preocupação em se deixar a prosa fluir – como o bate-bola de Borges com seu entrevistador – até caírem em belas digressões, as mais diversas.

Nesse sentido, não se trata apenas de interessantes comentários sobre a forma como cada um dos 14 autores enxerga e analisa o processo de criação literária – as inspirações, influências, a estruturação das obras (daí o título de cada uma das peças ser “a arte da ficção”, “a arte da poesia” no caso de W.H.Auden, ou “a arte do roteiro” para Billy Wider) – mas também curiosidades divertidas – o relato da experiência de Doris Lessing com a mescalina, a posição física em que alguns escrevem (Capote deitado em sua cama; Hemingway de pé) – e confissões surpreendentes – a desilusão com que Céline enxerga a vida é de cortar o coração.

É, enfim, um livro interessante e gostoso de se ler – aos poucos, ou numa tacada só. Seja para aqueles que se interessam em fazer boas entrevistas, ou aos que simplesmente se deliciam em conhecer – por meio de perguntas e respostas inteligentes – autores que tanto admiram.

 

(As Entrevistas da Paris Review – Vol.1, vários autores, Companhia das Letras, 2011)

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Um olho na rua, outro no mouse

 

Há algum tempo, no início de fevereiro, o Google deu uma sinalização importante no sentido da valorização e, por que não, democratização das artes visuais ao possibilitar o acesso – ainda que não físico – a alguns dos maiores museus do mundo, com o Google Art Project (demos a notícia em primeira mão aqui!).

Um pouco depois, foi a vez de três brasileiros da agência Loducca (Raphael Franzini, Gustavo de Lacerda e direção geral de criação de Guga Ketzer), com o apoio da Red Bull e o respaldo instrumental do Google terem a brilhante idéia de complementar o tour artístico virtual para além dos museus, possibilitando o acesso  a obras de street art espalhadas pelo mundo todo – e a divulgação desses trabalhos muitas vezes escondidos em becos coloridos (como o meu lugar favorito da Vila Madalena, o mágico e mutante Beco do Batman).

Criou-se então, o filhote descolado do Google Street View – primo-irmão do Google Art Project – o Street Art View.

Não é exatamente uma idéia revolucionária (já existia, por exemplo, o Street Art Locator), mas desta vez, a colaboração dos locais, especialmente brasileiros, tem sido realmente grande e o projeto já conta com uma reunião expressiva – com o perdão do trocadilho – de obras dos mais diversos artistas do mundo (de Banksy a Nina Pandolfo e OsGemeos).

O mais bacana é que, diferente de outros sites semelhantes, o Street Art View oferece uma navegação da que nos permite enxergar o contexto urbano em que as obras estão inseridas e, nesse sentido, sua interferência na paisagem das cidades.

Ainda, vale ressaltar que a inclusão de obras é totalmente colaborativa e, assim, qualquer um pode “taguear” um local e, como diz o projeto, “ajudar a construir a maior coleção de arte do mundo”.

 

Olha ai o Beco do Batman

Mesmo quando a resolução não é das melhores, a tecnologia oferece, outra vez, uma mãozinha e fotos geotagueadas do Flickr, por exemplo, são dispostas automaticamente, oferecendo uma visão alternativa das obras.

Falando em street art, Resolvi compartilhar isso hoje para aproveitar o ensejo de outra exposição – esta “mais ou menos dentro” de um museu – que também tem contribuído para valorizar e respeitar tais manifestações no Brasil, sobretudo o grafite: o MuBE (Museu Brasileiro da Escultura) promove a segunda mostra “Murais Coletivos”, até 20 de março.

Ali, vinte artistas apresentam seus trabalhos em murais espalhados pela sala do museu.

 

Ficam portanto duas dicas para seu fim de semana e meus sinceros aplausos para manifestações culturais dessa natureza. Que essa moda se espalhe ainda mais!

Murais Coletivos”, no MuBE – Museu Brasileiro da Escultura (Sala Pinacoteca), Rua Alemanha, 221, Jardim Europa. Grátis, de terça a domingo, das 10h às 19h. Até 20 de março.

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Papai Noel 2

Continuando a série de dicas re.verb para o Natal, aqui vão algumas dicas para presentes de mulherzinha.

Uma loja

Simultanea, Rua Aspicuelta, 207

Nos últimos anos, Vila Madalena tem virado referência não apenas de bares, botecos e afins, mas também de lojinhas descoladas. Os principais redutos de compras são as ruas Harmonia e Aspicuelta. Na primeira, a começar pela flagship ecossustentável da Farm, notam-se inúmeras lojas de roupas (como a fofinha Dona Pink, a rock’n’roll King 55 e a recém aberta Te Quiero), acessórios (como bolsas e sapatilhas da Lê Sacs e bijouterias – de vidro! – da Rebeca Guerberoff) e decoração (como a Oficina de Agosto, repleta de móveis artesanais brasileiros).

Na Rua Aspicuelta não é diferente: há ótimas opções, como Ronaldo Fraga, Fernanda Yamamoto e, a minha preferida, a Simultanea – assim mesmo, sem acento.

A última está na Vila há um certo tempo, mas também tem raízes em Trancoso e, talvez justamente por isso, mantém vivo o espírito alternativo – sem deixar de lado a qualidade impecável de suas peças. Tudo ali é deliciosamente fresco: sejam os lindos vestidinhos, saias e camisetas de linho e algodão, tingidos ali mesmo, no ateliê nos fundos – cujas estampas sempre são, a um só tempo, lindas, coloridas e sofisticadas –  ou o ambiente arejado e luminoso da loja – sem contar a trilha sonora, sempre repleta de bons nomes da música brasileira.

Vale dizer também que o corte das peças possui algum segredo misterioso, pois veste perfeitamente todos os tamanhos, sejam as menininhas pequeninas, ou os mulherões de plantão. O melhor exemplo desse feito são os vestidos em A, sem mangas e com alças largas; com ou sem bolsos, mais ou menos curtos. A cada estação, inúmeras variações, com as mais diversas estampas são feitas e, inexplicavelmente, tais peças são ao mesmo tempo perfeitas para a praia e para o trabalho.

Por isso, fica aqui a dica para quem não quer se aventurar em shoppings e afins, mas quer roupas estilosas e de extrema qualidade. Depois de passar por lá, uma cervejinha nos bares das redondezas cai ainda melhor.

 

Um batom


Gabrielle, Rouge Coco CHANEL

No famoso post sobre batons vermelhos, comentei sobre este tesouro. É um batom realmente vermelho, daqueles de arrasar quarteirão. Uma vez, estava com ele no Studio SP e, no banheiro, duas mulheres imploraram para que eu lhes emprestasse…outra vez, me pararam na rua para perguntar qual era o nome daquele “vermelho tão lindo”.

Em se tratando de Chanel, a qualidade é sempre excepcional. Quando se fala de batons Chanel, não é diferente; poucos conseguem aliar tão bem altíssima pigmentação a cremosidade, é realmente delicioso de se usar.

Aliás, tamanha é a importância que aquela casa dá aos batons, que, quando da criação de uma das bolsas mais famosas e tradicionais do mundo – a Chanel 2.5. – já havia no interior de cada exemplar um espaço reservado exclusivamente a eles.

Trata-se, portanto, de um presentão…uma declaração de amor à feminilidade. Sortuda de quem receber do Papai Noel algo assim!

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Smack!

Muito divertida a matéria publicada na Veja desta semana sobre o suposto efeito avassalador dos batons vermelhos sobre a atenção masculina (“O poder da boca vermelha”, por Daniela Macedo, Revista Veja, 8 de dezembro, p. 114).

Ali, faz-se referência a um estudo da Universidade de Manchester que concluiu que, enquanto um homem olha para o rosto de uma mulher, passa, em média, 73% do tempo com o olhar fixo nos lábios daquelas que estão de batons vermelhos.  Quando se trata de tons rosa, a taxa é 67% e, quando as bocas estão menos coloridas, tons nude ou cor de boca, o valor despenca para 2,2%.

Como adepta ferrenha desses tons perigosos, resolvi entrar no jogo e compartilhar os meus batons vermelhos (ou quase vermelhos) preferidos.

1)   So Chaud, MAC – um quase laranja meio mutante, varia do tomate para o coral dependendo da luz. Exige uma certa coragem, mas é lindo.

2)   Russian Red, MAC – o famigerado batom de Dita Von Teese. É mate, mas tem uma textura ótima que fixa muito bem e não deixa a boca seca. O vermelho definitivo.

3)   Red Lizard, NARS – meu favorito. Um vermelho bem fechado, super opaco e seco. Ultra pigmentado, dura horas. O melhor jeito de passar é fazer o contorno com um lápis (uso o Brick, da MAC) e colocar bem pouquinho de lipbalm por cima, para não ficar ressecado. Quando morrer, quero ser enterrada com ele.

4)   Gabrielle, Rouge Coco CHANEL – delicioso de se usar, é bem cremoso (mas nada brilhante) e não tem a mesma fixação dos dois anteriores – o que não deixa de ser bom, porque aqueles não saem por nada. É um vermelho um pouco mais aberto e divino.

5)   Cherry Lush, Tom Ford – ganhei no domingo e ainda não usei, mas estou perdidamente apaixonada. Só de testar na mão fiquei arrepiada com a textura: o batom mais macio que já testei. É também ultra pigmentado. Amor à primeira vista.

6)   Rouge Parfait RD 516, Shiseido– ainda que na foto não pareça, é muito mais um rosa bem escuro e fechado do que um vermelho. É mais cremoso e pigmentado do que o Chanel aqui embaixo. Fica maravilhoso em peles mais branquinhas.

7)   Porto Rotondo, Aqualumière CHANEL – é bem cremoso, tem um tico de brilho e muda bastante conforme a quantidade de camadas passadas; pode ser quase um  Chapstick de cereja, ou um pink-querendo ser vermelho. Ótimo para quem está começando no mundo dos vermelhos.

 

Às meninas não acostumadas a esses tons, peço encarecidamente para que revejam seus conceitos, respirem fundo e experimentem. É, no mínimo, um bom divertimento.

Aos meninos (se é que algum deles leu o post até aqui…), apreciem à vontade… Só não deixem de prestar atenção no resto…

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Armadilha das boas

Continuando a série “os melhores shows que não vimos” – e, por favor, jamais compararia a dor de não ter visto Paul a nenhum outro show que deixei de ir na vida – aqui vai uma dica rápida de uma boa banda que passou por aqui no último fim de semana: The Temper Trap.

 

A música mais conhecida dessa banda australiana é “Sweet Disposition”, do álbum Conditions – que é um popzinho cantado por uma voz andrógena e suave, com uma batida hipnotizante no fundo – que fez parte da trilha sonora de “500 dias com Ela”.

 

Poucos sabem, contudo, que The Temper Trap pode ser bem melhor que isso – ainda que essa faixa seja muito boa.

 

 

Daquele álbum, gosto de todas as faixas. Há realmente ótimos sons, como “Down River”, com uma bela letra e vozes de fundo que vão crescendo e carregando o refrão até o final. “Soldier On” que começa lenta e suave, cantada baixinho ao som de um violão (“soldier on, soldier on, keep your heart close to the ground”) e vai crescendo, cada vez com mais cordas, bateria e vocais abafados. Assim também é “Rest”, que começa com “uuuuh baby”, mas não é pop, é rock mesmo – e é uma delícia.

As letras são um tanto melancólicas, mas é aquela tristeza que carrega junto uma certa raiva; é a assunção de que, sim, o coração e a voz que canta estão dilacerados, mas a vontade de seguir adiante e mandar o resto do mundo – ou aquela pessoa em especial – se danar permanece ali, mais forte que nunca.

Para entrarem no clima, lá vai o clipe de “Love Lost“, uma das minhas favoritas:

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Som de todos

 

O comentário do meu grande amigo Felipe Daud ao post do Garotas Suecas, no qual ele comentou sobre a importância de os artistas disponibilizarem suas obras ao público, me instigou a querer compartilhar algumas outras considerações sobre o tema e dicas de outros álbuns disponíveis – licitamente, vale dizer – na internet.

Em primeiro lugar, reitero o que disse na resposta àquele comentário: não adianta fechar os olhos à realidade e ignorar o fato de que a internet transformou a relação entre o público, as bandas e seus trabalhos. Isso porque, uma vez na rede, o acesso às obras é praticamente instantâneo. Sim, de acordo com a legislação vigente no Brasil e em grande parte do mundo, baixar músicas sem autorização dos artistas ou das gravadoras é crime. Entretanto, diante da facilidade com que se consegue ter acesso a qualquer obra, do custo zero de se “adquirir” músicas e da certeza da impunidade, tal fenômeno parece irreversível.

Dessa forma, me parece que o caminho mais razoável não é o arrefecimento da fiscalização e a aplicação de sanções, mas a criação de alternativas para a compensação dos artistas (há, por exemplo, propostas de criação de mais fundos – a la ECAD – para o pagamento dos direitos patrimoniais aos autores, ou ainda iniciativas no sentido de fornecer incentivos prévios aos músicos) sem que isso diminua o acesso do público às obras – o que, a meu ver, representaria um passo atrás.

Esse tipo de discussão, contudo, não é simples, muito menos deve ser feita de modo superficial. Assim, considerando o “estado da arte” – e o fato de que não haverá mudanças radicais tão cedo – um crescente número de artistas tem optado por disponibilizar de forma gratuita e autorizada suas obras recentes (e não estamos falando apenas de artistas iniciantes, Coldplay e Radiohead, por exemplo, entram nessa lista).

Apenas levantei essa bola porque o re.verb, como já devem ter percebido, é, antes de tudo, um incentivador de bandas independentes e sempre estará disposto a conhecer novos sons e compartilhar aqueles que valem a pena. Já falamos aqui sobre alguns, como Holger, Mombojó e Garotas Suecas.

O primeiro, assim como diversos outros artistas, tiveram suas obras disponibilizadas por intermédio de sua gravadora – a Trama. Para quem ainda não conhece, segue um trecho do “Manifesto Trama”, elaborado pelos presidentes André Szajman e João Marcello Bôscoli:

 “(…) Nós da Trama acreditamos que:

 – A vida sem música é um erro.

A música é uma crônica de sua época. Os interesses comerciais não podem definir a música. A música é definida pelas pessoas e pelo seu tempo.

 – Música é nossa Essência.

Acreditamos na capacidade da música emocionar e transformar pessoas. E, além disso, acreditamos na arte que sensibiliza mas que também desperta consciência e senso crítico. Acreditamos que a arte é um caminho para o desenvolvimento político e social do país. (…)

– A tecnologia existe para servir a música e não o contrário.

Acreditamos em novas e tradicionais tecnologias, que criam novas maneiras de trabalhar, produzir, pesquisar, ver e ouvir.

A tecnologia digital (Internet, celular, TV, etc.) é a maior difusora de música da história da humanidade, convergindo divulgação e consumo em tempo real. (…)

Por tudo isso, nós da Trama nos propomos a: (…)

– Incentivar e apoiar o artista nacional para que seu trabalho tenha forma, acabamento e linguagem reconhecíveis internacionalmente.

Fortalecer e estimular a atuação da música independente.

Manter uma constante busca por inovação, renovação, consolidação e perpetuação das obras artísticas brasileiras.

 – Utilizar a tecnologia digital como facilitadora da prospecção artística, da criação, produção, interação, promoção e distribuição de música.

Criar relações baseadas no respeito, liberdade e compartilhamento de visão ética e estética de uma forma consensual, nunca imposta.

– Valorizar as relações humanas: artistas, veículos e consumidores, todos nós somos indivíduos antes de tudo.

Manter relações transparentes e verdadeiras.

Somos um movimento de MÚSICA!

E é justamente esta a dica de hoje: o site da Trama é um dos maiores e melhores portais para se conhecer bons sons brasileiros; é sempre possível encontrar ali, ainda que temporariamente, álbuns de excelentes artistas, sempre na íntegra (como Móveis Coloniais de Acaju, Cansei de Ser Sexy, Macaco Bong, etc).

Vale a pena sempre ficar de olho por lá.

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Mais um final de semana

E para não perder o hábito, seguem dicas imperdíveis para este final de semana – que, como já dissemos, oficialmente começa na quarta-feira – só com uma galera de quem já falamos aqui no re.verb:

quinta-feira, dia 04/11:

Copacabana Club, que, com hits como “Just do it”, entrou na primeira playlist do re.verb, no Studio SP (Rua Augusta, 591)

Holger, um tiro certo no mau humor de qualquer um, como já falamos aqui! Na Neu Club (Rua Dona Germaine Burchard, 421, Água Branca)

sexta-feira, dia 05/11: às 22h Cérebro Eletrônico e à 0h Hits do Underground, Studio SP (Rua Augusta, 591), sobre os quais já falamos aqui!

sábado, dia 06/11: Tulipa Ruiz, Studio SP (Rua Augusta, 591), um dos nomes da nova e ótima safra da música brasileira independente, reveja o post!

Ainda não falamos, mas tem post no forno: Lançamento do primeiro disco do Garotas Suecas, Escaldante Banda, Choperia do SESC Pompeia (Rua Clélia, 93 – Pompeia) e, mais, para quem quiser, tem download gratuito do disco aqui!

Divirtam-se!

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Brasileiríssima Lista

Como todos já devem estar cansados de ler posts sobre a Mostra, resolvi mudar de ares e compartilhar uma listinha bem bacana, composta só por nomes da ótima safra da música brasileira independente atual.

Já que há um feriado pela frente, nada melhor do que separar um tempinho para descobrir novos sons. Abaixo estão alguns dos meus nomes favoritos, com sugestões de músicas dos álbuns mais recentes ao lado.

  1. Mombojó – “Entre a União e a Saudade”, “Qualquer Conclusão”, “Praia da Solidão” e “Casa Caiada” (são as preferidas, mas recomendo muito o novo álbum, Amigo do Tempo, todinho – a banda disponibilizou aqui)
  2. Céu – “Cangote”, “Sonâmbulo”, “Cordão da Insônia”, “Espaçonave”
  3. Cidadão Instigado – “O Nada”, “Contando Estrelas”, “Como as Luzes”
  4. Tulipa Ruiz – “Efêmera”, “Só Sei Dançar com Você”
  5. Móveis Coloniais de Acaju – “Adeus”, “Lista de Casamento”
  6. Karina Buhr – “Eu Menti Pra Você”, “Plástico Bolha” 
  7. Nina Becker – “Ela Adora”, “Janela” 
  8. Cérebro Eletrônico – “Cama”, “Os Dados Estão Lançados” 
  9. Thiago Pethit – “Mapa-Múndi”, “Forasteiro” 
  10. Tiê“Te Valorizo”, “Sweet Jardim”

Espero que gostem e, claro, a lista está aberta para comentários e sugestões! Obrigada por mais uma semana na companhia de vocês!

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