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Um olho na rua, outro no mouse

 

Há algum tempo, no início de fevereiro, o Google deu uma sinalização importante no sentido da valorização e, por que não, democratização das artes visuais ao possibilitar o acesso – ainda que não físico – a alguns dos maiores museus do mundo, com o Google Art Project (demos a notícia em primeira mão aqui!).

Um pouco depois, foi a vez de três brasileiros da agência Loducca (Raphael Franzini, Gustavo de Lacerda e direção geral de criação de Guga Ketzer), com o apoio da Red Bull e o respaldo instrumental do Google terem a brilhante idéia de complementar o tour artístico virtual para além dos museus, possibilitando o acesso  a obras de street art espalhadas pelo mundo todo – e a divulgação desses trabalhos muitas vezes escondidos em becos coloridos (como o meu lugar favorito da Vila Madalena, o mágico e mutante Beco do Batman).

Criou-se então, o filhote descolado do Google Street View – primo-irmão do Google Art Project – o Street Art View.

Não é exatamente uma idéia revolucionária (já existia, por exemplo, o Street Art Locator), mas desta vez, a colaboração dos locais, especialmente brasileiros, tem sido realmente grande e o projeto já conta com uma reunião expressiva – com o perdão do trocadilho – de obras dos mais diversos artistas do mundo (de Banksy a Nina Pandolfo e OsGemeos).

O mais bacana é que, diferente de outros sites semelhantes, o Street Art View oferece uma navegação da que nos permite enxergar o contexto urbano em que as obras estão inseridas e, nesse sentido, sua interferência na paisagem das cidades.

Ainda, vale ressaltar que a inclusão de obras é totalmente colaborativa e, assim, qualquer um pode “taguear” um local e, como diz o projeto, “ajudar a construir a maior coleção de arte do mundo”.

 

Olha ai o Beco do Batman

Mesmo quando a resolução não é das melhores, a tecnologia oferece, outra vez, uma mãozinha e fotos geotagueadas do Flickr, por exemplo, são dispostas automaticamente, oferecendo uma visão alternativa das obras.

Falando em street art, Resolvi compartilhar isso hoje para aproveitar o ensejo de outra exposição – esta “mais ou menos dentro” de um museu – que também tem contribuído para valorizar e respeitar tais manifestações no Brasil, sobretudo o grafite: o MuBE (Museu Brasileiro da Escultura) promove a segunda mostra “Murais Coletivos”, até 20 de março.

Ali, vinte artistas apresentam seus trabalhos em murais espalhados pela sala do museu.

 

Ficam portanto duas dicas para seu fim de semana e meus sinceros aplausos para manifestações culturais dessa natureza. Que essa moda se espalhe ainda mais!

Murais Coletivos”, no MuBE – Museu Brasileiro da Escultura (Sala Pinacoteca), Rua Alemanha, 221, Jardim Europa. Grátis, de terça a domingo, das 10h às 19h. Até 20 de março.

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Uma ode à fofurice

Dois comentários semelhantes sobre o álbum de Marcelo Jeneci, feito pra acabar, me deixaram um tanto intrigada: em resumo, disseram-me que o som era “fofo demais” e “de menininha”.

A princípio, não teria qualquer problema com tais opiniões, afinal, ainda bem que as pessoas gostam de coisas distintas – imagine que chatice seria todo mundo concordando com tudo? – mas o que me deixou encafifada foi o raciocínio lógico por trás dos comentários: “Jeneci é fofo demais/de menininha, LOGO não é bom”.

De novo, acho perfeitamente normal que pessoas não gostem do álbum, mas fiquei pensando por que algumas pessoas julgam que “fofurice” é necessariamente algo ruim.

A primeira coisa que me veio à mente foi justamente o fato de associarem tal característica a infantilidade, a falta de “adultice”. Pode até ser. Mas, assim como acredito piamente que um pouco de cafonice é fundamental, creio também que o fofo, o lúdico e o alegre – que seja até manifestamente infantil – podem ser geniais.

Ao invés de entrar em questionamentos muito (mais) filosóficos, prefiro compartilhar um exemplo – que me veio à cabeça instantaneamente – de uma artista cujo trabalho admiro tremendamente e que também é assim, fofo e de menininha: Nina Pandolfo.

Nina é uma das grafiteiras brasileiras mais renomadas, cujo trabalho, garotinhas à la Hello Kitty, com olhos enormes e boquinhas mínimas, não é nem pretende ser profundo, muito menos sisudo, mas é simplesmente uma lembrança de que brincadeira e criancice podem ser lindamente sofisticados – e fazem bem a qualquer idade.

Bom fim de semana a todos!

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