re.verb

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Ah, o amor

O amor tem essas coisas de assumir as mais diversas formas e cores; já dizia Ziraldo, em Flicts: o que seria do amarelo se todos gostassem do azul…

Pois bem, Do Amor, a banda, também é assim. É rock, pop, samba-rock, ska, axé, carimbó… e juro que não estou exagerando. A banda, em si, não é mais uma novidade, mas, como ando apegada a esse clima de verão – e “do amor” rima com calor (rá!) – não posso deixar de falar.

Se os brasilienses do Móveis Coloniais de Acaju autoclassificam seu som como “feijoada búlgara” e os paulistanos do Holger fazem “indie-axé”, os cariocas do Do Amor são isso e um pouco mais…saca um eclético (e bom) iPod no shuffle? Então.

Holger, aliás, é assumidamente influenciado pela sonoridade de Do Amor – “pra quem diz que a gente copia Vampire Weekend: você nunca ouviu Do Amor direito. Isso sim gente copia. Com orgulho” (tuitou a banda um dia desses).

Só mais uma digressão antes de voltarmos à bagunça boa que é o álbum dos cariocas (cujo nome é o mesmo da banda): ultimamente, tenho acreditado cada vez mais que um disco coeso não necessariamente é composto por músicas de gêneros afins. “Do Amor” e “Arch Android”, de Janelle Monáe são bons exemplos disso.

Em relação ao primeiro, diria que o fio condutor, comum entre todas as faixas, não poderia ser mais simples, ou sincero: o bom humor. É impossível ouvir “Do Amor” sem deixar escapar umas risadas.

Como na mais axézeira dentre todas as músicas feitas por roqueiros que já ouvi, e cujo título não poderia ser mais autoexplicativo: “Pepeu Baixou em Mim”. Ou ainda, logo na primeira música do álbum, “Vem me dar”, que, sem rodeios, diz: “Ah, vem me dar… antes que eu esqueça, por favor; Ah, vem me dar… antes que eu esqueça do amor”.

Tem amor de verdade também, como no samba-rock bacana de “Morena Russa” – aquela que é a musa de todas as músicas e a “sabedoria da palavra muda”.

 Para a galera rock’n’roll mais xiita, garanto que tem rock “de verdade” também; seja com uma pegada mais pop em “Chalé”, com a seqüência das quase instrumentais “Shop Chop” e “I picture myself” ou ainda com “Exploit” – logo em seguida de “Pepeu Baixou em Mim”, para rebater qualquer resquício de axé.

É, enfim, uma mistureba doida de sons e “vibes”, mas boa como tudo aquilo que nasce do amor.

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Jard-indie-fância

Vampire Weekend divertiu sem ser uma banda de gente grande, em todos os sentidos.

Logo quando cheguei, percebi pelo público que alguma coisa seria diferente. Tudo bem que eu estava adiantada, mas a quantidade de gente sentadinha no gargarejo e acompanhada pelos pais – alguns estilosos e bacanas, outros lá só pela censura mesmo- me espantou. Vai soar rídiculo vindo da minha calourice jr no re.verb, mas eu até me senti velha! Encontrei meu amigo velho e como bons velhos ficamos longe do burburinho e reclamando: vai ficar vazio.

A DJ set do Holger só para baixinhos estava chegando ao fim, outros velhos uniram-se a nós, distantes do gargarejo. E, com um mashup de Claudinho & Buchecha com Justin Bieber (baixou o André Paste no Holger) abrindo alas,  os afro-vamps subiram ao palco. Foi quando eu comecei a entender que, realmente, era um ótimo mesmo um  bom show para indies em formação. O via funchal não estava nem perto de cheio, mas não estava propriamente “miado” e o Holiday convidava pra dançar.

O grande mérito do Vampire Weekend, pelo menos até agora,  foi ter acrescentado elementos inéditos à conhecida fórmula do (indie)
rock. E por enquanto me parece que é só isso. Os meninos foram executores de CDs, sem inovações nos arranjos. A formação de baixo, bateria, guitarra e teclado acaba deixando muito do som para os samplers, o que eu acho particulamente  frustrante em shows. Mas é justo destacar a animação e sonoridade incríveis da cozinha dos Chris (Baio no baixo e Thomson na bateria).

A relação com o público restringiu-se a elogios de professora do primário “Vocês são ótimos”, “Está lindo” e ” É nossa primeira vez aqui, mas não demoraremos pra voltar” e a fofura tímida característica do quarteto . Uma coisa da qual pouca gente pode reclamar é que não ouviu sua música preferida. O repertório cobriu quase todas as faixas de Vampire Wekeend(2008) e Contra (2010),  e não deixou de fora nem mesmo músicas mais lentas, que quebraram um pouco do ritmo do show, como I think UR a Contra. Oxford Comma, A punk e o coro de “uuuhs” e “aaah” foram pontos altos do show. Em One (Blake’s got a new face), Ezra Koeing fez questão de “ensinar” o refrão à plateia, com gestos que auxiliavam a compreensão do inglês enrolado do vocalista (aquela pegada Californian English mesmo). A criaçada e os “velhos” não decepcionaram.

Um show divertido e sem surpresas (boas ou ruins), do qual ninguém saiu com a sensação de quero mais, talvez com boas expectativas para as próximas. Bom mesmo é ver que o Brasil já está se consolidando na rota das bandas ascendentes e já não é apenas opção das decadentes.

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Dear Holger

 Para quem tem acompanhado o re.verb, não é novidade que gosto muito do Holger. E já adianto que não é apenas porque conheço alguns de seus integrantes, é porque acho o som que têm feito realmente bom e diferente de outros nomes da cena musical brasileira atual. Mais, simplesmente adoro o fato de eles não se levarem muito a sério…é raro isso hoje em dia…

Nesse sentido, já recomendei e continuo recomendando fortemente seu álbum de estréia, Sunga. Mas, como já diziam alguns, “quem sabe faz ao vivo”, e, se fazer ao vivo no Planeta Terra deve dar frio na barriga de qualquer marmanjo, imagine então os moleques do Holger…Ok, eles têm feito turnês internacionais, inúmeros shows e etc, mas, como disseram no palco, todos ali haviam participado – como platéia – de todas as edições anteriores do festival e, desta vez, a casa estava cheia para lhes assistir.

Era, então, natural esperar um certo nervosismo…

Que nada! Os meninos entraram enquanto a propaganda do patrocinador tocava “Blister in the Sun“, do Violent Femmes, e começaram ali mesmo o show, cantando e dançando desde então.

Como já disse em outra ocasião, excesso de descontração no palco pode soar como uma certa displicência. Mas isso não aconteceu. Primeiro porque a descontração era claramente o reflexo do quanto aqueles garotos estavam curtindo estar ali. E esse tipo de alegria contagia.

Segundo, porque para bancar o rockstar, não basta a “atitude” – disseram lá do palco: “adoro shows porque posso conhecer pessoas novas…e conhecer pessoas novas quer dizer sexo!” – mas é preciso mostrar qualidade na hora do vamos ver. E, sim, o show dos caras foi muito bom mesmo.

O setlist era composto basicamente pelas músicas de axé-rock do Sunga, como “Beaver“, “No Brakes” e “Caribbean Nigths” (mas teve também Pixies e funk carioca) e, mostrando ao vivo ainda mais empolgação do que no álbum, a platéia que desistiu de ver o começo de Of Montreal – inclusive o pessoal do Passion Pit, que assistia ao show do backstage – se divertiu horrores com as molecagens do Holger.

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é chegada a hora

“O dia mais esperado do ano”, “as bandas que eu mais gosto no mundo em um só dia”, “final destruction”…essas foram algumas frases que ouvi acerca do Planeta Terra, o mais importante festival de música independente (ou seria indie? Ou rock alternativo? Ou pop-rock-indie-eletronico? Ou n.d.a…?) do País, que vai acontecer – finalmente! – amanhã, dia 20/11.

Exageros à parte, para muitos (nós três do re.verb inclusive) o espírito é esse mesmo; é aquela sensação de que assistir a muitas dessas bandas significa colocar vários “check” ao lado da lista de coisas para se fazer antes de morrer. O line-up é o seguinte:

Sonora Main Stage

Gillette Hands Up \o/ Indie Stage


16:00 / 17:00 – Mombojó 

17:30 / 18:30 – Novos paulistas

19:00 / 20:00 – Of Montreal

20:30 / 21:30 – Mika

22:00 / 23:00 – Phoenix

23:30 / 01:00 – Pavement

01:30/03:00 – Smashing Pumpkins

16:00 / 16:40 – República 

17:00 / 18:00 – Hurtmold

18:30 / 19:30 – Holger

20:00 / 21:00 – Yeasayer

21:30 / 22:30 – Passion Pit

23:00 / 00:00 – Hot Chip

00:40 / 01:40 – Empire of the Sun

02:00 / 03:30 – Girl Talk 3rd band

 

Ou seja, serão quase 12h de música boa, começando com queridíssimos nomes brasileiros (como Mombojó, Holger e Novos Paulistas – i.e. Tiê, Thiago Pethit, Dudu Tsuda, Tatá Aeroplano e Tulipa Ruiz) e terminando com o melhor da old school do rock alternativo: Pavement e Smashing Pumpkins.

O penúltimo inclusive é personagem principal de um dos mais comentados embates do festival: Pavement v. Hot Chip. O outro é Phoenix v. Passion Pit. Sabe a famosa escolha de Sofia? Então.

Maaaas, como para quase tudo nesta vida se dá um jeito, nossos parceiros do Valetando na Cena (aliás, ali há vários posts ótimos sobre o Planeta Terra: http://valetandonacena.wordpress.com ) já adiantaram os prováveis setlists dessas bandas…só não tenho certeza se saber que, em tese, não será possível assistir a “Little SecreteArmistice/Fences”… aumenta ou diminui a aflição.

Enfim, faltam pouco mais de 24h…e o Planeta Terra vai ficar pequeno para tanta música boa.

Nos vemos lá!

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Som de todos

 

O comentário do meu grande amigo Felipe Daud ao post do Garotas Suecas, no qual ele comentou sobre a importância de os artistas disponibilizarem suas obras ao público, me instigou a querer compartilhar algumas outras considerações sobre o tema e dicas de outros álbuns disponíveis – licitamente, vale dizer – na internet.

Em primeiro lugar, reitero o que disse na resposta àquele comentário: não adianta fechar os olhos à realidade e ignorar o fato de que a internet transformou a relação entre o público, as bandas e seus trabalhos. Isso porque, uma vez na rede, o acesso às obras é praticamente instantâneo. Sim, de acordo com a legislação vigente no Brasil e em grande parte do mundo, baixar músicas sem autorização dos artistas ou das gravadoras é crime. Entretanto, diante da facilidade com que se consegue ter acesso a qualquer obra, do custo zero de se “adquirir” músicas e da certeza da impunidade, tal fenômeno parece irreversível.

Dessa forma, me parece que o caminho mais razoável não é o arrefecimento da fiscalização e a aplicação de sanções, mas a criação de alternativas para a compensação dos artistas (há, por exemplo, propostas de criação de mais fundos – a la ECAD – para o pagamento dos direitos patrimoniais aos autores, ou ainda iniciativas no sentido de fornecer incentivos prévios aos músicos) sem que isso diminua o acesso do público às obras – o que, a meu ver, representaria um passo atrás.

Esse tipo de discussão, contudo, não é simples, muito menos deve ser feita de modo superficial. Assim, considerando o “estado da arte” – e o fato de que não haverá mudanças radicais tão cedo – um crescente número de artistas tem optado por disponibilizar de forma gratuita e autorizada suas obras recentes (e não estamos falando apenas de artistas iniciantes, Coldplay e Radiohead, por exemplo, entram nessa lista).

Apenas levantei essa bola porque o re.verb, como já devem ter percebido, é, antes de tudo, um incentivador de bandas independentes e sempre estará disposto a conhecer novos sons e compartilhar aqueles que valem a pena. Já falamos aqui sobre alguns, como Holger, Mombojó e Garotas Suecas.

O primeiro, assim como diversos outros artistas, tiveram suas obras disponibilizadas por intermédio de sua gravadora – a Trama. Para quem ainda não conhece, segue um trecho do “Manifesto Trama”, elaborado pelos presidentes André Szajman e João Marcello Bôscoli:

 “(…) Nós da Trama acreditamos que:

 – A vida sem música é um erro.

A música é uma crônica de sua época. Os interesses comerciais não podem definir a música. A música é definida pelas pessoas e pelo seu tempo.

 – Música é nossa Essência.

Acreditamos na capacidade da música emocionar e transformar pessoas. E, além disso, acreditamos na arte que sensibiliza mas que também desperta consciência e senso crítico. Acreditamos que a arte é um caminho para o desenvolvimento político e social do país. (…)

– A tecnologia existe para servir a música e não o contrário.

Acreditamos em novas e tradicionais tecnologias, que criam novas maneiras de trabalhar, produzir, pesquisar, ver e ouvir.

A tecnologia digital (Internet, celular, TV, etc.) é a maior difusora de música da história da humanidade, convergindo divulgação e consumo em tempo real. (…)

Por tudo isso, nós da Trama nos propomos a: (…)

– Incentivar e apoiar o artista nacional para que seu trabalho tenha forma, acabamento e linguagem reconhecíveis internacionalmente.

Fortalecer e estimular a atuação da música independente.

Manter uma constante busca por inovação, renovação, consolidação e perpetuação das obras artísticas brasileiras.

 – Utilizar a tecnologia digital como facilitadora da prospecção artística, da criação, produção, interação, promoção e distribuição de música.

Criar relações baseadas no respeito, liberdade e compartilhamento de visão ética e estética de uma forma consensual, nunca imposta.

– Valorizar as relações humanas: artistas, veículos e consumidores, todos nós somos indivíduos antes de tudo.

Manter relações transparentes e verdadeiras.

Somos um movimento de MÚSICA!

E é justamente esta a dica de hoje: o site da Trama é um dos maiores e melhores portais para se conhecer bons sons brasileiros; é sempre possível encontrar ali, ainda que temporariamente, álbuns de excelentes artistas, sempre na íntegra (como Móveis Coloniais de Acaju, Cansei de Ser Sexy, Macaco Bong, etc).

Vale a pena sempre ficar de olho por lá.

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Mais um final de semana

E para não perder o hábito, seguem dicas imperdíveis para este final de semana – que, como já dissemos, oficialmente começa na quarta-feira – só com uma galera de quem já falamos aqui no re.verb:

quinta-feira, dia 04/11:

Copacabana Club, que, com hits como “Just do it”, entrou na primeira playlist do re.verb, no Studio SP (Rua Augusta, 591)

Holger, um tiro certo no mau humor de qualquer um, como já falamos aqui! Na Neu Club (Rua Dona Germaine Burchard, 421, Água Branca)

sexta-feira, dia 05/11: às 22h Cérebro Eletrônico e à 0h Hits do Underground, Studio SP (Rua Augusta, 591), sobre os quais já falamos aqui!

sábado, dia 06/11: Tulipa Ruiz, Studio SP (Rua Augusta, 591), um dos nomes da nova e ótima safra da música brasileira independente, reveja o post!

Ainda não falamos, mas tem post no forno: Lançamento do primeiro disco do Garotas Suecas, Escaldante Banda, Choperia do SESC Pompeia (Rua Clélia, 93 – Pompeia) e, mais, para quem quiser, tem download gratuito do disco aqui!

Divirtam-se!

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Hakuna matata entre amigos

HOLGER, "Sunga"

Ouvir o CD debut da banda paulistana Holger é entrar em uma baladinha na casa (de praia) de amigos: aquele clima de todo mundo junto se divertindo e fazendo um som com qualquer coisa que estiver ao alcance; bem no estilo “você toca aquele ukulele ali, você faz o que quiser com essa guitarra aqui e eu batuco no tamborim – ah, e tem mais cerveja na geladeira dos fundos”. O próprio nome o disco já anuncia o traje obrigatório da festa:

Holger é uma banda (ou bando) de cinco moleques que, sendo amigos e talentosos, resolveram experimentar de tudo um pouco e se divertir com o resultado. Cada vez mais conhecida no cenário indie nacional (tocará no Planeta Terra em novembro e é apadrinhada por nomes como Lúcio Ribeiro) e internacional (neste momento se encontram nos EUA), lançou seu primeiro CD mês passado pela Trama – disponível na íntegra, grátis, no site da gravadora (www.trama.com.br).

O som do grupo é indie, mas inclassificável; é o carnaval de Vampire Weekend misturado com riffs minimalistas de guitarra de Rodrigo Amarante e Fernando Catatau; é Jorge Ben com vocais distantes e sujos à la Strokes.

É claro que os garotos ainda podem – e devem – crescer (musicalmente e no resto), mas é interessante notar como, desde já, há consistência e identidade própria, mesmo em meio a essa mistureba louca de rock com tudo o mais.

E, além da disposição para tocar qualquer coisa, despida de todo preconceito, talvez a maior virtude desses cinco amigos seja o fato de que, claramente não, não se levam a sério. A faixa “Beaver” é uma farra só; sentimo-nos penetras em uma festa alheia. É como se os meninos revisitassem, no estúdio, o “hakuna matata” do Rei Leão. Nas demais, há letras tão profundas como “she makes me feel like a schoolboy on a good time” (em “She dances”, a faixa mais rebolante – quase um pancadão caribenho), ou “you know a tree almost hit my car? And you thought I wouldn’t get that far” (“The Eagle”), mas, por isso mesmo, despretensiosamente deliciosas.

Um trecho da faixa “No brakes” resume o disco e faz o convite: “if I ask you to run away, would you pack your stuff, would you follow us?”. Minha resposta: sim, festa boa não se perde. E recomendo a todos que nos acompanhem.

http://www.myspace.com/myholger

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