re.verb

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Ritmo da chuva

Chove na capital. Podia falar várias coisas aqui: tem gente se ferrando no trânsito, tem gente tranformando o num elevador virtual e comentando o tempo sem parar, tem gente perdendo a casa, tem um monte de coisa…. mas a chuva em si é linda e, além do barulho dela, eu só quero boa música pra me acompanhar. Seca ou num banho de chuva, deprimida ou enlouquecidamente animada, eu encontro a minha chuva e minha música

Paranoid Android – Radiohead

“Rain down on me/ From a great height”

Singular – Mombojó

“Quando parar de chover/ Corre de mim”

Raindrops – Regina Spektor

“People searching glance to glance / Moving bout real fast /Like insects and fish when they’re scared”

O Mundo Anda Tão Complicado – Legião Urbana

“Aperta o passo por causa da garoa/ Empresta um par de meia/ A gente chega na sessão das seis”

O Vento – Los Hermanos

“E se chover demais”

Preta – Cordel do Fogo Encantado

“A chuva nunca pára de cantar”

O Ritmo da Chuva – Fernanda Takai e Rodrigo Amarante

“Olho para a chuva que não quer cessar”

Que Maravilha – Jorge Ben (Jor?) e Toquinho

“e a gente no meio da rua, no mundo, no meio da chuva/ A girar”

Os pingo da chuva – Novos Baianos

“Só o que pode acontecer/ é os pingo da chuva MI MOLHÁ”

Vai desabar água -Gero Camilo

“Vai desabar água e é pro nosso bem”

E, de bônus track, um clássico da minha infância

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First Impressions of Earth

Pontualmente às 16h do último sábado, o Planeta Terra começou. A primeira atração do Sonora Main Stage era Mombojó e, sentindo o asfalto ainda quente sob nossos pés, eu e Ximena estávamos lá.

À nossa frente, uma equipe da redação do Terra. Nas mãos de alguns jornalistas notavam-se bloquinhos e caneta. Ao mesmo tempo que balançavam ao som dos pernambucanos, observavam tudo ao seu redor e, de repente, anotavam frases esparsas. Tentei imaginar sobre o que escreviam… se o que percebiam sobre aquele momento era o mesmo que eu. Então pensei: se tivesse um caderninho em mãos ao longo de todo aquele dia, o que escreveria sobre cada um dos shows?

As respostas estarão aqui no re.verb ao longo desta semana…

Para começar, com o perdão pela falta de inspiração para elaborar uma expressão própria (culpem a ressaca), valho-me do título do último álbum do Strokes – a quem, afinal, o indie deve agradecer – e aqui vão as First Impressions of Earth:

Mombojó – 16h, Sonora Main Stage

Os pernambucanos endiabrados do Mombojó pareceram não notar que o público ainda era pequeno e que muitos ali sequer sabiam quem eram aqueles sujeitos que tocavam um som tão rico: um rock sofisticado na medida certa (tudo nas músicas parece ter uma razão para estar lá, nada sobra, nem falta); faixas mais pesadas e baladas com letras sensíveis, mas jamais melosas; influências que vão do rap ao mangue; e um vocalista pequenino, mas dono de uma voz emocionante, que lembra um sussurro falado em voz alta.

Trocando em miúdos, apesar da platéia, a banda fez um belo show. Tocou faixas de todos os seus trabalhos – inclusive as ótimas “Casa Caiada” e “Papapa” do álbum Amigo do Tempo, lançado em junho – e, sem penduricalhos nem pirotecnias, ao longo de pouco menos de uma hora, foi contaminando tudo e todos com a alegria que emanava do palco.

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é chegada a hora

“O dia mais esperado do ano”, “as bandas que eu mais gosto no mundo em um só dia”, “final destruction”…essas foram algumas frases que ouvi acerca do Planeta Terra, o mais importante festival de música independente (ou seria indie? Ou rock alternativo? Ou pop-rock-indie-eletronico? Ou n.d.a…?) do País, que vai acontecer – finalmente! – amanhã, dia 20/11.

Exageros à parte, para muitos (nós três do re.verb inclusive) o espírito é esse mesmo; é aquela sensação de que assistir a muitas dessas bandas significa colocar vários “check” ao lado da lista de coisas para se fazer antes de morrer. O line-up é o seguinte:

Sonora Main Stage

Gillette Hands Up \o/ Indie Stage


16:00 / 17:00 – Mombojó 

17:30 / 18:30 – Novos paulistas

19:00 / 20:00 – Of Montreal

20:30 / 21:30 – Mika

22:00 / 23:00 – Phoenix

23:30 / 01:00 – Pavement

01:30/03:00 – Smashing Pumpkins

16:00 / 16:40 – República 

17:00 / 18:00 – Hurtmold

18:30 / 19:30 – Holger

20:00 / 21:00 – Yeasayer

21:30 / 22:30 – Passion Pit

23:00 / 00:00 – Hot Chip

00:40 / 01:40 – Empire of the Sun

02:00 / 03:30 – Girl Talk 3rd band

 

Ou seja, serão quase 12h de música boa, começando com queridíssimos nomes brasileiros (como Mombojó, Holger e Novos Paulistas – i.e. Tiê, Thiago Pethit, Dudu Tsuda, Tatá Aeroplano e Tulipa Ruiz) e terminando com o melhor da old school do rock alternativo: Pavement e Smashing Pumpkins.

O penúltimo inclusive é personagem principal de um dos mais comentados embates do festival: Pavement v. Hot Chip. O outro é Phoenix v. Passion Pit. Sabe a famosa escolha de Sofia? Então.

Maaaas, como para quase tudo nesta vida se dá um jeito, nossos parceiros do Valetando na Cena (aliás, ali há vários posts ótimos sobre o Planeta Terra: http://valetandonacena.wordpress.com ) já adiantaram os prováveis setlists dessas bandas…só não tenho certeza se saber que, em tese, não será possível assistir a “Little SecreteArmistice/Fences”… aumenta ou diminui a aflição.

Enfim, faltam pouco mais de 24h…e o Planeta Terra vai ficar pequeno para tanta música boa.

Nos vemos lá!

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Som de todos

 

O comentário do meu grande amigo Felipe Daud ao post do Garotas Suecas, no qual ele comentou sobre a importância de os artistas disponibilizarem suas obras ao público, me instigou a querer compartilhar algumas outras considerações sobre o tema e dicas de outros álbuns disponíveis – licitamente, vale dizer – na internet.

Em primeiro lugar, reitero o que disse na resposta àquele comentário: não adianta fechar os olhos à realidade e ignorar o fato de que a internet transformou a relação entre o público, as bandas e seus trabalhos. Isso porque, uma vez na rede, o acesso às obras é praticamente instantâneo. Sim, de acordo com a legislação vigente no Brasil e em grande parte do mundo, baixar músicas sem autorização dos artistas ou das gravadoras é crime. Entretanto, diante da facilidade com que se consegue ter acesso a qualquer obra, do custo zero de se “adquirir” músicas e da certeza da impunidade, tal fenômeno parece irreversível.

Dessa forma, me parece que o caminho mais razoável não é o arrefecimento da fiscalização e a aplicação de sanções, mas a criação de alternativas para a compensação dos artistas (há, por exemplo, propostas de criação de mais fundos – a la ECAD – para o pagamento dos direitos patrimoniais aos autores, ou ainda iniciativas no sentido de fornecer incentivos prévios aos músicos) sem que isso diminua o acesso do público às obras – o que, a meu ver, representaria um passo atrás.

Esse tipo de discussão, contudo, não é simples, muito menos deve ser feita de modo superficial. Assim, considerando o “estado da arte” – e o fato de que não haverá mudanças radicais tão cedo – um crescente número de artistas tem optado por disponibilizar de forma gratuita e autorizada suas obras recentes (e não estamos falando apenas de artistas iniciantes, Coldplay e Radiohead, por exemplo, entram nessa lista).

Apenas levantei essa bola porque o re.verb, como já devem ter percebido, é, antes de tudo, um incentivador de bandas independentes e sempre estará disposto a conhecer novos sons e compartilhar aqueles que valem a pena. Já falamos aqui sobre alguns, como Holger, Mombojó e Garotas Suecas.

O primeiro, assim como diversos outros artistas, tiveram suas obras disponibilizadas por intermédio de sua gravadora – a Trama. Para quem ainda não conhece, segue um trecho do “Manifesto Trama”, elaborado pelos presidentes André Szajman e João Marcello Bôscoli:

 “(…) Nós da Trama acreditamos que:

 – A vida sem música é um erro.

A música é uma crônica de sua época. Os interesses comerciais não podem definir a música. A música é definida pelas pessoas e pelo seu tempo.

 – Música é nossa Essência.

Acreditamos na capacidade da música emocionar e transformar pessoas. E, além disso, acreditamos na arte que sensibiliza mas que também desperta consciência e senso crítico. Acreditamos que a arte é um caminho para o desenvolvimento político e social do país. (…)

– A tecnologia existe para servir a música e não o contrário.

Acreditamos em novas e tradicionais tecnologias, que criam novas maneiras de trabalhar, produzir, pesquisar, ver e ouvir.

A tecnologia digital (Internet, celular, TV, etc.) é a maior difusora de música da história da humanidade, convergindo divulgação e consumo em tempo real. (…)

Por tudo isso, nós da Trama nos propomos a: (…)

– Incentivar e apoiar o artista nacional para que seu trabalho tenha forma, acabamento e linguagem reconhecíveis internacionalmente.

Fortalecer e estimular a atuação da música independente.

Manter uma constante busca por inovação, renovação, consolidação e perpetuação das obras artísticas brasileiras.

 – Utilizar a tecnologia digital como facilitadora da prospecção artística, da criação, produção, interação, promoção e distribuição de música.

Criar relações baseadas no respeito, liberdade e compartilhamento de visão ética e estética de uma forma consensual, nunca imposta.

– Valorizar as relações humanas: artistas, veículos e consumidores, todos nós somos indivíduos antes de tudo.

Manter relações transparentes e verdadeiras.

Somos um movimento de MÚSICA!

E é justamente esta a dica de hoje: o site da Trama é um dos maiores e melhores portais para se conhecer bons sons brasileiros; é sempre possível encontrar ali, ainda que temporariamente, álbuns de excelentes artistas, sempre na íntegra (como Móveis Coloniais de Acaju, Cansei de Ser Sexy, Macaco Bong, etc).

Vale a pena sempre ficar de olho por lá.

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Brasileiríssima Lista

Como todos já devem estar cansados de ler posts sobre a Mostra, resolvi mudar de ares e compartilhar uma listinha bem bacana, composta só por nomes da ótima safra da música brasileira independente atual.

Já que há um feriado pela frente, nada melhor do que separar um tempinho para descobrir novos sons. Abaixo estão alguns dos meus nomes favoritos, com sugestões de músicas dos álbuns mais recentes ao lado.

  1. Mombojó – “Entre a União e a Saudade”, “Qualquer Conclusão”, “Praia da Solidão” e “Casa Caiada” (são as preferidas, mas recomendo muito o novo álbum, Amigo do Tempo, todinho – a banda disponibilizou aqui)
  2. Céu – “Cangote”, “Sonâmbulo”, “Cordão da Insônia”, “Espaçonave”
  3. Cidadão Instigado – “O Nada”, “Contando Estrelas”, “Como as Luzes”
  4. Tulipa Ruiz – “Efêmera”, “Só Sei Dançar com Você”
  5. Móveis Coloniais de Acaju – “Adeus”, “Lista de Casamento”
  6. Karina Buhr – “Eu Menti Pra Você”, “Plástico Bolha” 
  7. Nina Becker – “Ela Adora”, “Janela” 
  8. Cérebro Eletrônico – “Cama”, “Os Dados Estão Lançados” 
  9. Thiago Pethit – “Mapa-Múndi”, “Forasteiro” 
  10. Tiê“Te Valorizo”, “Sweet Jardim”

Espero que gostem e, claro, a lista está aberta para comentários e sugestões! Obrigada por mais uma semana na companhia de vocês!

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