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Canto de sereia

Em meio a luzes que mais pareciam reflexos d’água, ela surgiu linda: vestido de paetês, corpo e voz de sereia. Nos pés, um par de havaianas azul e branco. Combinação inusitada, mas que funciona – talvez só nela.

Assim, repleta de misturas impensadas, é também a música de Céu: a um só tempo, sofisticada e despojada; chique e pé na areia.

Seja no modo de se vestir, ou na interpretação de suas músicas, ela pendula de um lado para o outro, sem jamais cometer excessos; é precisamente comedida.

Por tais razões, assistir a um show da cantora nunca foi, tampouco será, um convite à folia; é um exercício quase introspectivo de adoração. Porque música executada com qualidade fascina; porque lindas letras cantadas ao vivo tocam ainda mais; e porque Céu é tão bela e delicada que encanta.

Não foi diferente o show de ontem, ocasião do lançamento do excelente álbum Caravana Sereia Bloom (de que já falamos – muito bem – aqui), no Sesc Vila Mariana. Como sempre, foi um show sem grandes pirotecnias, mas tecnicamente perfeito; bom, mas contido. Poucas digressões entre as faixas, pouco improviso, mas com uma banda excelente (um baterista, um guitarrista, um baixista e um DJ), som límpido e potente, e uma cantora que compensa sua timidez com a qualidade de sua música – e de sua voz.

Além de executarem quase todas as faixas do novo disco, trouxeram também sucessos antigos, como “Cangote”, “Malemolência”, “Lenda” e “Rainha” (as duas últimas, no bis), bem como uma deliciosa versão de “Me importas tú”, do Trio Los Panchos.

Ainda mais emocionante – e minimalista – foi a faixa “Palhaço”, executada em voz e violão por filha e pai (Céu e Edgard Poças).

Por outro lado, a ótima “Streets Bloom”, de Lucas Santtana, contou com uma performance robusta – quase rock’n’roll – de Céu, e com uma bela projeção de takes “estradeiros” ao fundo.

Das mais animadas, ainda mais ao vivo, “You Won’t Regret It” só faz reforçar a veia reggae da moça – sempre presente em seus trabalhos, desde sua gostosa versão de “Concrete Jungle”.

Por fim, para terminar, minha favorita do álbum: “Chegar em Mim”, de Jorge Du Peixe – faixa esta que, conforme confessou Céu, já vinha namorando desde os tempos de Vagarosa.

Foto de Ariel Martini

E foi assim que, para um público que lotou a casa e se protegeu do toró que caía do céu, a cantora de mesmo nome – a mais interessante da nova geração brasileira – lançou um dos melhores discos do ano, até então.

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Criolo show

Depois de horas de atraso e com a casa abarrotada, apagaram-se as luzes e o show de Criolo começou assim:

E talvez seja justamente este clipe, de “Subirusdoistiozin”, o mais novo de Criolo, projetado em um telão e acompanhado em coro pelas bem mais de mil pessoas ali presentes, a melhor síntese da fase atual deste artista: Criolo, hoje, é cool e sofisticado e, definitivamente, não se limita à estética pura do rap tradicional.

Reflexo disso é justamente a diversidade de estilos do público presente ontem, dia 06 de setembro, no Estudio Emme; de “manos a playbas”, passando por muitas menininhas que suspiravam incontrolavelmente diante da explosão de virilidade que é Criolo no palco.

Repito, contudo, o que já disse em outra ocasião: o álbum Nó na Orelha (que foi gravado em estúdio), ainda que “sonoramente eclético”, mantém uma coesão justamente por contar com o rap como fio condutor – não tanto na forma, mas em sua substância, especialmente nas letras e na temática ali retratada. Quando se vê Criolo sobre o palco, porém, a certeza é de que tudo aquilo – forma, conteúdo, postura e trejeitos – não poderia ser descrito de outra forma se não como pertencente ao mais legítimo show de rap.

Criolo vive intensamente o palco: intercala momentos quase introspectivos, em que tenta expiar, em forma de lamento, suas desilusões (como, claro, em “Não Existe Amor em SP”, ou em “Domingo à Tarde”, de Nelson Ned), a outros em que parece ser atingido por uma descarga elétrica; possuído por um dos demônios sobre os quais canta. E por falar nisso, tamanho é o fervor com que Criolo passa sua mensagem, que em alguns instantes nos sentimos em meio a uma pregação religiosa, como se aquele sujeito barbudo sobre o palco fosse o pastor – para quem o público diz amém sem pestanejar.

Ao vivo fica também mais clara e surpreendente a amplitude do espectro que sua voz alcança; do samba cantado num belíssimo tom grave (como no quase samba-cancão que fez em homenagem a seus pais, ali presentes), aos raps (como “Grajaeux”) quase gritados – vários tons mais lá no alto.

Ao final, devidamente vestido com o manto da Gaviões da Fiel, Criolo ouviu atentamente o manifesto proferido por Daniel Ganjaman, seu parceiro, produtor e um dos maiores representantes da música (efetivamente) popular brasileira: aquela havia sido uma noite histórica – por terem conseguido lotar uma casa como o Emme – mas o rap brasileiro, apesar de ser proclamado como o hype do momento, jamais deixou de ter sua relevância e seu espaço.

Que continue.

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Que não acabe

No dia do casamento Real, Marcelo Jeneci dedicou uma de suas músicas mais doces, “Pra Sonhar” aos noivos: “Muita gente tem me dito que tem tocado esta música em seus casamentos, então esta aqui vai para o príncipe e a princesa – vocês sabiam que eles casaram, né?”.

Falar de Jeneci aqui no blog não é novidade (nos encantamos com o álbum de estréia, “Feito Pra Acabar” e, de quebra até o próprio artista deu uma palhinha nos comentários, lembra?), assim, não é de se espantar que o time re.verb estivesse quase completo (e logo nas duas primeiras fileiras) no Auditório do Ibirapuera, na última sexta-feira dia 29, para assistir ao show desse excelente compositor e multi-instrumentista paulistano, certamente um dos mais diferenciados de sua geração.

Pontualmente às 21h, as luzes do Auditório se apagaram e a banda entrou. Vale dizer que, mais sensivelmente do que no álbum, a formação da banda – clássica: um baixo, duas guitarras e uma bateria – e sua qualidade sustentam o show, na medida em que fornecem uma base sonora sólida – por vezes até descaradamente roqueiras, como nos bons solos de guitarra de João Erbetta – que se contrapõe na medida certa a toda a leveza e lirismo da sanfona de Jeneci e ao langor da bela voz de Laura Lavieri.

A apresentação, iniciada com a seqüência de “Copo d’água”, “Café com Leite de Rosas” e “Felicidade”, começou um tanto tímida; intimista demais e quase desempolgada. Nada que comprometesse a qualidade do som – muito menos das músicas – mas faltava algo.

Esse algo começou a surgir justamente em “Pra Sonhar”, música que, por si, já desperta qualquer ânimo e, tocada da forma como foi – com um excelente solo de sanfona de Jeneci ao final – deu gosto. Os príncipes – duques? – devem ter ficado ainda mais apaixonados.

Qualquer resquício de desânimo, contudo, desapareceu por completo quando a faixa que dá nome ao álbum e ao show foi tocada: a bela letra, cantada a plenos pulmões por Jeneci; a bateria e o piano, intensos; a iluminação quase estroboscópica lançada sobre os integrantes no refrão… e, em meio a tudo isso, as cortinas ao fundo do palco sendo levantadas e o Parque do Ibirapuera entrando no Auditório. Um daqueles momentos memoráveis, arrepiantes, que, não à toa, rendeu quase três minutos de aplausos em pé da platéia.

No setlist, todas as faixas do disco lançado em 2010, além de algumas surpresas, como um novo refrão, criado pelo músico há pouco, e compartilhado em voz e piano com o público – que aprendeu logo e cantou junto – “A chuva é a vontade do céu de tocar o mar, e a gente chove assim também quando perde alguém/ Mas quando começa a chorar, começa a desentristecer, assim se purifica o ar depois de chover” ; e a participação da amiga e mentora Vanessa da Mata – que, dentre outras, cantou seu hit “Amado”, música composta por Jeneci.

Vanessa, em palavras carinhosas ditas ao amigo, foi muito feliz em ressaltar um dos grandes diferenciais deste: a habilidade de transformar a sanfona em instrumento para elaboração de harmonias, o qual, fora do contexto habitual do forró, integra perfeitamente o conjunto de guitarras e bateria.

E a música de Marcelo Jeneci é justamente assim: uma bela mistura de gêneros, ritmos e referências – sempre permeada pela poética de suas letras – e que, finalmente, vem sendo descortinada ao grande público, e por este reconhecida. Nada mais justo: trata-se de música de qualidade, muitíssimo acima da média; é música “feita pra continuar”, por muito tempo.

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The Show

Sabe quando o céu está bem nublado, mas, por alguns instantes, raios de sol escapam das nuvens mais nítidos do que nunca, como feixes de luz de holofotes? Sempre achei isso uma coisa meio divina.

E foram luzes como estas que, em meio à escuridão, iluminaram Matt Berninger na primeira música do show de ontem, “Runaway“. Um bom presságio? Talvez.

Falar que o show do The National foi um dos melhores shows a que já fui na vida diz pouco a quem não estava lá. Porém, tenho certeza, aos que estiveram, diz tudo.

Certa vez, ouvi que um crítico descobriu o sentido da palavra “sofisticado” ao ver a apresentação de certo jazzista. Pois bem, ele não viu The National.

Matt Berninger, tímido de tudo, é capaz de cativar a platéia sem fazer nenhuma gracinha; sem gestos mirabolantes, ou atitude rock’n’roll. Ele, impecavelmente bem vestido, inteiro de alfaiataria preta, simplesmente empunha o microfone e canta maravilhosamente bem letras maravilhosamente bem escritas – que beiram a poesia. E isso é o bastante.

É incrível, aliás, como a banda consegue transformar uma apresentação de rock em algo tão intimista. Mal se ouviam conversas na platéia. É como se cada um ali sentisse que Matt, os guitarristas e irmãos Aaron e Bryce Dessner, e o resto da entrosadíssima banda estivessem na sala de sua própria casa, cantando só para ele.

No repertório, faixas dos três últimos álbuns, com destaque para mais recente – e excelente – High Violet (2010). Teve também sucessos dos discos anteriores, como “Mistaken for Strangers“, “Apartment Story” e “Fake Empire“, do também ótimo Boxer (de 2007); “Secret Meeting” e “Abel”, de Alligator (de 2005)

Quando, após quase duas horas, o show parecia ter terminado e todos já se davam por satisfeitos, veio o bis de um jeito que ninguém esperava.

Primeiro, Matt resolveu se soltar. Fez piadinhas (“vocês são muito mais barulhentos que os americanos. Estamos nos sentindo o Kings of Leon”), desceu junto à galera, foi carinhosamente abraçado – sem parar de cantar nenhum verso de “Mr. November”, diga-se de passagem – voltou ao palco, cantou baladas e porradas e, depois de uma versão apoteótica de “Terrible Love“, seguida de “About Today”, deu sua cartada final: pediu, por favor, silêncio da platéia. Se encaminhou, junto à sua excelente banda, à beira do palco. Deixou o microfone de lado, enquanto os outros músicos desplugavam seus instrumentos. De repente, acompanhado pela banda a seco, com tudo desligado, começou a cantar à capela “Vanderlyle Crybaby Geeks“. Na platéia, duvido que tenha sobrado um só fio de cabelo sem se arrepiar.

Se o início do show já anunciava um quê de magia, o final foi o milagre.

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Os Tambores

The next one is a sad song, but you can still dance to it”. Esta foi a frase com que Jonathan Pierce, vocalista do The Drums, introduziu a faixa “Book of Stories” – aquela que lamenta: “I thought my life would get easier, instead is getting harder…”. É também a que melhor retrata o espírito da banda, e principalmente, de seu show ocorrido na última quinta-feira (dia 31/03), em São Paulo.

Isso porque o que a banda faz de melhor é justamente unir letras deprês (e muito simples) a melodias e ritmos dançantes e alegres.

Esse paradoxo fica ainda mais evidente quando se vê Pierce no palco. Ele, com seu loiríssimo cabelinho de tigela, balançava os braços para lá e para cá como se fossem de borracha; parecia possuído no palco. Foi, sem dúvida nenhuma, quem mais se divertiu naquela noite – ao final de cada uma das músicas dizia: “obrigado”, “you guys are amazing”, “this is so much fun” e por aí vai. É como se ele sequer prestasse atenção no conteúdo melancólico do que estava cantando e só quisesse fazer bagunça junto com o público.

Aliás, ao que tudo indica, é por este caminho que a banda continuará seguindo: uma das faixas inéditas – supostamente tocada pela primeira vez fora de Nova Iorque – também foi feita para se ouvir chacoalhando o corpinho, ao mesmo tempo em que se choraminga repetidamente o refrão: “I want to buy you something, but I don’t have any money, I don’t have any money...”:

A bela voz de Pierce se manteve segura e poderosa até o final, em todos os graves e agudos; por todos os uh-uh-uhs e iôos. Só teve um descanso quando chegou a hora do hit “Let’s Go Surfing” e o Estudio Emme, lotado de todos os tipos de hipster, pulou, bateu palmas e cantou junto tão alto que a voz daquele sumiu. Foi bonito. Arrepiou.

Arrepiou também – no pior dos sentidos – a qualidade do som do local. No início do show, quando duas das melhores faixas eram executadas – “Me and the Moon” e “Best Friend” – os pipocos das caixas de som incomodaram (e assustaram) bastante. Tudo alto demais, estourado demais… ainda bem que as coisas foram se encaixando – aos poucos.

De todo modo, apesar de problemas técnicos, foi um show pop e bacana – como a banda –; mas não foi espetacular, nem revolucionário – como a banda…

 

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Por que valeu a pena

Para quem foi até o Anhembi apenas para assistir a Amy Winehouse, a noite de sábado provavelmente deixou a desejar. Quem, no entanto, fez questão de chegar mais cedo para ver, ao menos, as outras duas atrações internacionais do Summer Soul Festival, teve bons motivos para dormir satisfeito.

Como esperado, e conforme já havíamos adiantado aqui, Janelle Monáe é, em si, um show: talentosa, performática e eclética, Janelle botou seu topete para balançar e carregou o público junto. O ritmo do show não foi frenético, intercalou momentos quase introspectivos – como quando pintava um “quadro” ao som de “Mushrooms and Roses”, ou ainda quando cantou “Smile” (yes, aquela do Charlis Chaplin…) – com suas faixas mais animadas, como as ótimas “Faster”, “Locked Inside” e “Tighrope” (A-M-O!).

Isso sem falar nos oxfords bicolores e suas dancinhas à la moonwalk, os trechos de Fritz Lang no telão e tudo o mais ali presente; tudo projetado para não se ter dúvidas de que Janelle definitivamente não é daquelas que mede esforços para conquistar o público.

Agora, na minha opinião, o melhor show ficou por conta de um adorável nerd, de óculos e gravata borboleta, que pisou no palco na hora do pôr-do-sol: Mayer Hawthorne.

Ao fazer um som retrô, classudo, mas ainda assim muito cool, Hawthorne embalou o público que começava a chegar e, diferente dos comentários maldosos ao longo do show de Amy, o que mais se ouvia desta vez era: “meu, nem sei o nome dele, mas esse cara é muito bom!”.

E, assim, ao misturar a sofisticação do verdadeiro r&b (ainda que cantado por um branquelo) presente em suas músicas – muitas ainda desconhecidas do grande público, como “Maybe So Maybe No” – com um cover de “Beautiful“, do Snoop Dog, e gracinhas ditas em um inglês cristalino, o americano fez um show realmente sexy (não consigo achar termo melhor)…e ganhou corações.

Para terminar, deixo com vocês minha faixa preferida de Hawthorne, o pé na bunda mais fofo do mundo, em “Just ain’t gonna work out“.

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I’m no good

Diferente dos dias anteriores, não choveu em São Paulo. O Anhembi estava lotado e até estrelas apareceram no céu para compor a atmosfera de celebração à soul music.

Mas, apesar do clima favorável, quando a atração principal é Amy Winehouse, se a cerveja da arena acaba mais de duas horas antes de o show começar, surge um mau presságio.

Dito e feito.

Todos ali sabiam que, ao longo de sua estadia no Brasil, as performances não estavam sendo primorosas. Falou-se mais dos momentos de punk rock star (tombos, confusões entre microfones e garrafas d’água, gestos suspeitos entre mãos e nariz, etc) do que do desempenho musical em si – já que este não havia causado nenhum grande impacto até então.

Mas os paulistanos acreditavam que tudo seria diferente: ou a grande cantora desencantaria e mostraria, de fato, o talento que fez o mundo a conhecer; ou a tragédia seria ainda maior (a propósito, fiquei chocada com o tamanho da “torcida” para que Amy ficasse o mais louca possível, desse vexame e se afundasse ainda mais, sob olhares de todos, no buraco em que se meteu; triste ver o prazer sádico e sanguessuga de certas pessoas).

Entretanto, nenhuma novidade e, assim como nos outros lugares, o show foi chocho, desanimado e Amy parecia apenas uma sombra dela mesma.

Mal se ouviam as palavras saídas de sua boca – a interpretação de “Rehab” foi deprimente, quase inaudível – e os poucos bons momentos se resumiram ao final, com “Valerie” e “You know that I’m no good“.

Talvez se tivesse sido realizado em um barzinho escuro e undergound, com o público sentado e tomando uísque, possivelmente se teria dito que o show foi bom. A banda é realmente talentosa e o repertório – soul, jazz e r&b, incluindo diversos covers da velha guarda desses gêneros – tem qualidade inquestionável, mas é quase intimista e definitivamente não direcionado a uma multidão de jovens que só queria ver a “Amy loucassa” e o circo pegar fogo…

Portanto, sem ter havido uma performance arrasadora, nem um vexame homérico, a sensação que fica é que todos sairam frustrados.

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Talento a seco

E, como esperado, o show do 5 a Seco foi incrível.

Nesta segunda temporada, algumas mudanças: Dani Black foi substituído por Leo Bianchini – mas a composição mais conhecida daquele, “Juntos outra vez”, continuou no setlist –; novas e belas vozes da MPB fizeram participações especiais – na quarta-feira, quando fui, a vez foi de Giana Viscardi, cantando lindamente “Tranqueira” –; algumas novas composições, como “Tempo Morto”, interpretada por Vini Calderoni e Leo Bianchini, apenas em voz e violão; e novas versões para músicas já conhecidas, como a deliciosa versão rock’n’roll de “Vou Mandar Pastar”.

Àqueles que ainda desconhecem o projeto/banda, uma breve contextualização: tudo começou com cinco amigos músicos, cada qual com sua respectiva carreira solo, e cinco violões; assim, a seco.

Mais tarde, além dos violões – e guitarras – entraram instrumentos de percussão variados, alguns elementos eletrônicos, um tecladinho e até sanfona. Mas tudo muito sutil, sem ofuscar o brilho das cordas – ou das vozes.

E, assim, sem muita pirotecnia, mas com muita qualidade técnica e letras profundamente inteligentes – sem perder o bom humor – os meninos, que já tocaram até no Auditório do Ibirapuera neste ano, foram ganhando um merecido espaço na nova cena da música brasileira.

Nesse sentido, não é exagero dizer que o 5 a Seco é diferente de tudo que existe atualmente. Primeiro, porque o próprio formato do grupo não é algo convencional; o exagero de cordas é trabalhado da maneira mais harmônica possível, o que resulta em uma sofisticação como pouco se vê por aí.

Em segundo, não custa reforçar, as letras são realmente ótimas. Abordando temas contemporâneos – como a conectividade e a correria dos nossos tempos – e atemporais – o amor que partiu para longe, sem sair do coração de quem fica – a impressão, ao final do show, é de que a MPB tem muito a ganhar com esses meninos. Melhor dizendo, e aproveitando o bis do show, “Let them in” de Paul McCartney, a música brasileira os espera de braços abertos; e o público – cada vez maior – quer é que eles entrem de vez na cena. Talento não falta.

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que venha 2011!

Para quem achava que, em termos de shows internacionais no Brasil, melhor do que 2010 nada seria, uma boa e uma má notícia. Começando pelo pior, saibam que, até agora, a Presidente eleita Dilma nada falou sobre um eventual bolsa-show.

Por outro lado, para quem engordou o porquinho nos últimos tempos as notícias não poderiam ser melhores…depois de um 2010 com Metallica, Queens of the Stone Age, Pixies, Franz Ferdinand, Friendly Fires, Miike Snow, Phoenix, Passion Pit, Hot Chip, Stereophonics, Belle and Sebastian e até Paul McCartney (só para citar alguns poucos e bons), 2011 também promete.

Muitos são os rumores e as expectativas, mas comecemos pelo começo – e pelo que está confirmado. Já em janeiro, o line-up é de peso: Amy Winehouse e Janelle Monaé (dia 15), MGMT, Two Door Cinema Club e Vampire Weekend (todos provavelmente na última semana do mês…).

Fevereiro , por ora, já tem confirmado LCD Soundsystem.

Tem milhas sobrando? Afim de sonhar um pouquinho mais alto? No final de fevereiro deve rolar o festival Personal Fest, na Argentina, e, quanto às atrações, os rumores são: The Strokes, Vampire Weekend, Gorillaz, Arcade Fire, Sonic Youth e Marina And The Diamonds.

Quer sonhar maaaais alto ainda? No comecinho de abril, um dos maiores festivais de música do mundo, o Lollapalooza, deve acontecer aqui do lado, em Santiago, no Chile.

Aqui no Brasil, abril também estará bem representado, com o megalomaníaco show 360o do U2, com abertura do Muse.

(Isso sem falar do Coachella, na Califórnia, cujo suposto line-up vazou e é este aqui embaixo)

Ainda nem quero falar da incógnita que é o Rock in Rio (Red Hot Chilli Peppers, Snow Patrol, Metallica – de novo – Coldplay – de novo – , Motorhead, Sepultura, Angra…) em outubro….

ufa!

Pois é, galera…que venha logo o ano novo…o que mais posso falar?!

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Hot

Se o palco principal do Planeta Terra foi transformado em balada (GLS) desde o pôr-do-sol, com o show-performance-doideira-Broadway do Of Montreal, o palco indie ainda não estava “ready for the floor” até o show do Hot Chip – com o perdão do trocadilho.

No showzaço do Passion Pit, o público já berrava e pulava, mas ainda era algo demasiadamente visceral e descoordenado; não era aquela dancinha calculada – corpinhos sacolejando para cá e para lá – como se faz sob luzes negras “na night”.

Mas, ninguém melhor que Hot Chip para mudar os rumos.

Hot Chip– 23h00, Gillette Hands Up Indie Stage

É, no entanto, curioso olhar para os integrantes dessa banda e tentar imaginá-los fazendo o som que fazem. Isso porque a primeira imagem que nos vêm à cabeça é a de cinco nerds brincando de Guitar Hero – depois de terem estudado horas para uma prova de mecatrônica. Assim, ao vê-los sobre o palco, com tão pouco molejo ou carisma, é quase inevitável não pensar: “isso aí não vai dar certo…”

Mas normalmente dá e, passado o pré-conceito inicial, todos se lembram que aquela é uma das bandas que melhor domina a arte de conceber músicas sofisticadas e boas de pista. Em seu repertório não há “pedradas” ou sons agressivos, mas uma delicadeza ritmada e dançante, vinda de um grupo que parece ter estudado minuciosamente a combinação de cada um dos elementos presentes em sua música.

O setlist do Terra foi composto por faixas de seu novo – e mais sóbrio – álbum, One life stand, como a faixa-título do álbum, “Hand Me Down Your Love” e “I Feel Better”, bem como popzinhos de sucesso garantido, como “Over and Over” e “Ready for The Floor” – tendo sido as últimas providenciais para reacender a chama do show nas horas em que a bola ameaçava cair.

E assim, botando a platéia para dançar, mas aparentemente poupando um pouco de sua energia – quem sabe para o after na D-Edge… – os britânicos fizeram um bom show. O público, mais empolgado que a banda, fez sua parte e se acabou na pista.

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