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Por que valeu a pena

Para quem foi até o Anhembi apenas para assistir a Amy Winehouse, a noite de sábado provavelmente deixou a desejar. Quem, no entanto, fez questão de chegar mais cedo para ver, ao menos, as outras duas atrações internacionais do Summer Soul Festival, teve bons motivos para dormir satisfeito.

Como esperado, e conforme já havíamos adiantado aqui, Janelle Monáe é, em si, um show: talentosa, performática e eclética, Janelle botou seu topete para balançar e carregou o público junto. O ritmo do show não foi frenético, intercalou momentos quase introspectivos – como quando pintava um “quadro” ao som de “Mushrooms and Roses”, ou ainda quando cantou “Smile” (yes, aquela do Charlis Chaplin…) – com suas faixas mais animadas, como as ótimas “Faster”, “Locked Inside” e “Tighrope” (A-M-O!).

Isso sem falar nos oxfords bicolores e suas dancinhas à la moonwalk, os trechos de Fritz Lang no telão e tudo o mais ali presente; tudo projetado para não se ter dúvidas de que Janelle definitivamente não é daquelas que mede esforços para conquistar o público.

Agora, na minha opinião, o melhor show ficou por conta de um adorável nerd, de óculos e gravata borboleta, que pisou no palco na hora do pôr-do-sol: Mayer Hawthorne.

Ao fazer um som retrô, classudo, mas ainda assim muito cool, Hawthorne embalou o público que começava a chegar e, diferente dos comentários maldosos ao longo do show de Amy, o que mais se ouvia desta vez era: “meu, nem sei o nome dele, mas esse cara é muito bom!”.

E, assim, ao misturar a sofisticação do verdadeiro r&b (ainda que cantado por um branquelo) presente em suas músicas – muitas ainda desconhecidas do grande público, como “Maybe So Maybe No” – com um cover de “Beautiful“, do Snoop Dog, e gracinhas ditas em um inglês cristalino, o americano fez um show realmente sexy (não consigo achar termo melhor)…e ganhou corações.

Para terminar, deixo com vocês minha faixa preferida de Hawthorne, o pé na bunda mais fofo do mundo, em “Just ain’t gonna work out“.

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Mistura completa

Amanhã chega a São Paulo o Summer Soul Festival; ou, se preferirem, amanhã chega a São Paulo Amy Winehouse.

Como muito se fala desta que é a maior rock star dos últimos tempos – i.e. uma artista talentosíssima, sem noção, com forte atração por substâncias psicotrópicas as mais diversas, e com grandes chances de não permanecer entre nós por muito tempo – prefiro enfatizar aqui a outra grande estrela da noite: Janelle Monáe.

Menos conhecida, mas talvez igualmente talentosa, Janelle é daquelas artistas pop multimídia – grupo do qual a maior expoente talvez seja Lady Gaga – que busca aliar sua música a outras formas de expressão pop (seja por meio da roupa – topetão e smoking –  de videoclips cinematográficos, declarações polêmicas e nonsense, performances, etc.).

Janelle é também inclassificável. Seu primeiro álbum, The ArchAndroid é impossível de ser rotulado. O caminho mais fácil seria fugir de especificações musicais e o classificar como “álbum conceitual”, uma vez que tudo ali é elaborado com o propósito de contar a história de um andróide que cai na Terra e experimenta os mais diversos sentimentos humanos.

 

Dizer que The ArchAndroid é só isso, no entanto, não é suficiente para descrever a miscelânea sonora que está ali presente. Há pop, R&B, funk, elementos eletrônicos (tem até participação do igualmente performático Of Montreal) e tribais, baladas dor-de-cotovelo e etc.

O mais incrível é que, apesar de toda essa mistureba, o álbum é coeso e muito bom. As melhores faixas são “Locked inside” – a mais conhecida, um pop-funk-R&B dançante com vocais poderosos – “Oh, Maker” – triste e sofrida, mas linda – e a genial “Tightrope”, um funk acelerado com participação do produtor do álbum, Big Boi (Outkast) – que é impossível de se ouvir parado.

É por essas e outras que, amanhã, obviamente quero ver o circo pegar fogo com Amy, mas sei que, em se tratando de Janelle Monáe, dificilmente haverá surpresas negativas – e será um showzaço.

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