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Os Tambores

The next one is a sad song, but you can still dance to it”. Esta foi a frase com que Jonathan Pierce, vocalista do The Drums, introduziu a faixa “Book of Stories” – aquela que lamenta: “I thought my life would get easier, instead is getting harder…”. É também a que melhor retrata o espírito da banda, e principalmente, de seu show ocorrido na última quinta-feira (dia 31/03), em São Paulo.

Isso porque o que a banda faz de melhor é justamente unir letras deprês (e muito simples) a melodias e ritmos dançantes e alegres.

Esse paradoxo fica ainda mais evidente quando se vê Pierce no palco. Ele, com seu loiríssimo cabelinho de tigela, balançava os braços para lá e para cá como se fossem de borracha; parecia possuído no palco. Foi, sem dúvida nenhuma, quem mais se divertiu naquela noite – ao final de cada uma das músicas dizia: “obrigado”, “you guys are amazing”, “this is so much fun” e por aí vai. É como se ele sequer prestasse atenção no conteúdo melancólico do que estava cantando e só quisesse fazer bagunça junto com o público.

Aliás, ao que tudo indica, é por este caminho que a banda continuará seguindo: uma das faixas inéditas – supostamente tocada pela primeira vez fora de Nova Iorque – também foi feita para se ouvir chacoalhando o corpinho, ao mesmo tempo em que se choraminga repetidamente o refrão: “I want to buy you something, but I don’t have any money, I don’t have any money...”:

A bela voz de Pierce se manteve segura e poderosa até o final, em todos os graves e agudos; por todos os uh-uh-uhs e iôos. Só teve um descanso quando chegou a hora do hit “Let’s Go Surfing” e o Estudio Emme, lotado de todos os tipos de hipster, pulou, bateu palmas e cantou junto tão alto que a voz daquele sumiu. Foi bonito. Arrepiou.

Arrepiou também – no pior dos sentidos – a qualidade do som do local. No início do show, quando duas das melhores faixas eram executadas – “Me and the Moon” e “Best Friend” – os pipocos das caixas de som incomodaram (e assustaram) bastante. Tudo alto demais, estourado demais… ainda bem que as coisas foram se encaixando – aos poucos.

De todo modo, apesar de problemas técnicos, foi um show pop e bacana – como a banda –; mas não foi espetacular, nem revolucionário – como a banda…

 

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Drums, Drums, Drums

Já no final de agosto de 2009, uma das garotas mais descoladas do mundo indie, Rebecca Willa Davis – que, não por acaso, trabalha em uma das revistas mais descoladas do mundo indie, a NYLON – anunciou essa banda como sua “band crush” do momento. No final daquele ano, os leitores de uma das bíblias desse gênero musical, o Pitchfork, elegeram a banda como “Best Hope for 2010”.

Em 2010, o equivalente brasileiro em termos de influência, Lucio Ribeiro, declarou que aquela seria uma das bandas que mais gostaria de ver tocar no País.

Na próxima semana, em 31 de março de 2011, depois de manter vivo o bafafá ao seu redor e tocar nos mais importantes festivais de música do mundo, essa tal banda fará um único show único no Estúdio Emme, em São Paulo.

Quem são eles? Que rufem os tambores (com o perdão do trocadilho infame)…

Ladies and gentleman, please welcome The Drums.

Já falamos por aqui de uma das ondas que vem inundando o cenário musical indie dos últimos tempos – chamei de “fenômeno Endless Summer – na qual se tem feito das pranchas guitarras – ou vice-versa – e a estética obtida é algo que remete a Beach Boys, sem deixar de lado influências claras de outros gêneros, como o punk e o pop (Best Coast foi nosso principal exemplo).

No caso do The Drums, especificamente quanto a seu álbum de estréia (The Drums), a vibe surfística também dá o ar da graça, ainda que bem mais tímida, e, à exceção de uma ou duas músicas, é abafada por elementos do pós-punk, como The Cure e The Smiths. É curioso, no entanto, que uma de suas faixas mais estouradas seja justamente a mais ensolarada, “Let’s Go Surfing” (“oh mamma, I wanna go surfing, oh mamma, I don’t care about nothing…”).

Considerando que os integrantes são do Brooklin, o tom ligeiramente bronzeado de sol talvez decorra menos de suas raízes geográficas do que do encontro que deu origem à banda, quando – reza a lenda – Jonathan Pierce (vocais) e Jacob Graham (guitarra) se conheceram ainda garotos em um summer camp nos EUA.

Tais férias, no entanto, não foram suficientes para contaminar todo o repertório surgido dali adiante e o tom do álbum é de puro revival do pós-punk. Faixas como “Forever and Ever, Amen” e “Me and the Moon” parecem ter saído direto do túnel do tempo; pense naquela batidinha ritmada de sintetizadores que nos faz balançar a cabeça – os pézinhos – bem à la New Order. Pois então. (O mesmo vale para a animadinha “Skippin’ Town”, a qual, com todos seus “uh-uh-uhs” e “iôos” esteja bem mais para The Cure do que Beach Boys…).

Muito também se fala que o som do The Drums remete a The Smiths. É difícil dizer, contudo, até que ponto a última é uma influência, ou se simplesmente os pupilos tentam copiar os mestres. Nesse sentido, as letras deprês “You were my Best friend, but then you died when I was 23 and you was 25” (da melhor faixa do álbum, “Best Friend”) ou ainda “I thought my life would get easier, instead it’s getting harder… ” (“The Book of Stories”) aliadas à típica sonoridade do final dos anos 70 e início dos 80 podem até causar certo incômodo, soando como covers moderninhos…

Por outro lado, quando a banda tenta seguir mais com as próprias pernas, como na baladinha romântica do disco, “Down By The Water” (“If you fall asleep down by the water, baby I’ll carry you all the way home”) o resultado é mais autêntico e interessante.

Levando em conta todos esses aspectos, The Drums traz pouco de novo, mas escolhe bem suas referências do passado. Não é a melhor banda dos últimos tempos, mas é um resgate bastante divertido de bons tempos que se passaram – e, pessoalmente, não consigo pensar em melhor programa para a próxima quinta-feira.

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