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Tulipa flor

Tudo pra ser aquilo tudo que todo mundo espera, todo um perfil, aquele jeito que todo mundo gosta; tudo pra ter tudo; um jeito que agrada a todos”.

Este é o início de “Ok”, uma das faixas do novo álbum de Tulipa Ruiz (Tudo Tanto) e que, em meio a uma batida ensolarada, com quase-ukuleles ao fundo, lança um desafio: vocês, ouvintes, estão preparados para uma nova Tulipa?

Em “É”, a primeira faixa de seu disco, mostra justamente essa tranqüilidade adulta, tão presente em seu novo álbum: “pelo nosso amor em movimento, pode ser e é”. Ali, assim como em todas as outras faixas, não há ansiedade em agradar imediatamente; a continuidade e a constância são o que importa. A relação está consolidada – assim como a admiração de seus fãs – então, sem pressa.

E some também a pressão para continuar sendo – ao lado de Tiê – uma das porta-bandeiras da fofurice musical do cenário brasileiro contemporâneo.

Com o perdão do trocadilho estúpido, Tulipa desabrochou.

Não que o tom simples e fofo tenha se perdido… “Quando Eu Achar”, por exemplo, poderia facilmente constar em Efêmera, o primeiro (e muito bom) disco da moça: “Quando eu achar o que eu quero achar, você vai saber (…) se eu me permitir, sem pestanejar, você vai curtir”.

No entanto, ainda assim, Tulipa está mais rock’n’roll; há um (bem-vindo) tom de rebeldia em seu cantar: “(…) Melhorou o jeito que a gente conversa, que a gente discute coisa e tal; mas posso ter ainda algum motivo pra querer cair no vendaval; eu sou assim, assim” (“Like This”). Mesmo quando diz: “devo lhe dizer que a minha cura é você, meu bem, é você meu bem; é você meu benzinho”, o esclarecimento prévio impõe alguns limites: “Devo lhe dizer que a vida é um curta, que eu filmei você, e foi sem censura” (“Script”).

E, talvez, a manifestação mais óbvia do novo flerte com o rock seja a participação de Lulu Santos, em “Dois Cafés”; ali, o tom de crítica (ainda que não tão mordaz) se mostra, e questiona a vida nas grandes cidades: “Tem que correr, correr, tem que se adaptar (…) daqui pra frente o tempo vai poder dizer se é na cidade que você tem que viver; pra inventar família, inventar um lar”.

Menos óbvia, mas mais significativa ainda, é “Víbora”. Um quase jazz, ácido – e nada fofo –: “até parece máscara, ópera, víbora (…) mas é só você que tem o dom de me enganar, me seduzir, me desdobrar, de me cuspir, só pra me obter”. Uma música sobre machos que não são tão machos assim… para ser tocada depois das 23h – e , dizem rumores, com direito a Criolo murmurando ao fundo.

Tulipa, enfim, deixa de lado seu lado menininha, mantendo intactas, porém, a potência de sua voz e a simplicidade direta de suas letras. Para a satisfação de todos nós.

 

Baixe o novo álbum de Tulipa Ruiz, aqui – ou, nas palavras da moça, “quer me baixar? Me baixa com dignidade”.

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Dividindo iPods

Mostrar seu iPod a alguém quase equivale a abrir o coração. Isso porque ali, normalmente, as idiossincrasias ficam mais claras – AC/DC lado a lado com Fundo de Quintal, no meu caso – e trilhas sonoras de toda uma vida se escancaram.

Por isso, playlists podem ser ainda mais íntimas. Afinal, lá estão seleções feitas especialmente para algum momento, pretexto, ou alguém.

Por outro lado, são as playlists (alheias) os melhores atalhos para se descobrir novas paixões musicais. Assim, uma boa seleção musical, por mais íntima que seja, deve ser compartilhada – pelo bem geral.

Hoje, a playlist a ser dividida aqui não foi feita pelos reverbs, mas por outro blog, o Musicoteca – recomendadissímo, por sinal – e toca um tema difícil, mas comum a todos: “a fossinha”.

Mas, veja bem, não se trata de uma lista de músicas para cortar os pulsos, pelo contrário; é mais provável que se saia dançando com os fones de ouvido do que aos prantos querendo se enforcar neles.

A lista (que pode ser baixada na íntegra, de grátis, aqui) é eclética, mas só tem brasileiros contemporâneos. Alguns são a pura nata do cenário independente atual – como Marcelo Jeneci, Karina Buhr, Nina Becker, Bárbara Eugênia, etc. – e outros (ainda) menos conhecidos.

Os ritmos são os mais variados, de sambinhas a blues, de rock a reggae e pseudo-chanson française.

Algumas são pérolas impagáveis, como “Sem (Des)esperar” de Leo Cavalcanti com Tulipa Ruiz, ou Letuce cantando o clássico brega “Poderosa”. Há ainda cover de Los Hermanos (“O Velho e o Moço”, ao piano, por Sara Bentes), Karina Buhr soltando toda sua energia em “Mira Ira”, BárbaraEugênia com uma de suas melhores faixas (“A Chave”), a música que mais gosto de Marcelo Jeneci (“Dar-te-ei”)

É uma seleção digna de aplausos; e de se reverberar por aí.

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Brasileiríssima Lista

Como todos já devem estar cansados de ler posts sobre a Mostra, resolvi mudar de ares e compartilhar uma listinha bem bacana, composta só por nomes da ótima safra da música brasileira independente atual.

Já que há um feriado pela frente, nada melhor do que separar um tempinho para descobrir novos sons. Abaixo estão alguns dos meus nomes favoritos, com sugestões de músicas dos álbuns mais recentes ao lado.

  1. Mombojó – “Entre a União e a Saudade”, “Qualquer Conclusão”, “Praia da Solidão” e “Casa Caiada” (são as preferidas, mas recomendo muito o novo álbum, Amigo do Tempo, todinho – a banda disponibilizou aqui)
  2. Céu – “Cangote”, “Sonâmbulo”, “Cordão da Insônia”, “Espaçonave”
  3. Cidadão Instigado – “O Nada”, “Contando Estrelas”, “Como as Luzes”
  4. Tulipa Ruiz – “Efêmera”, “Só Sei Dançar com Você”
  5. Móveis Coloniais de Acaju – “Adeus”, “Lista de Casamento”
  6. Karina Buhr – “Eu Menti Pra Você”, “Plástico Bolha” 
  7. Nina Becker – “Ela Adora”, “Janela” 
  8. Cérebro Eletrônico – “Cama”, “Os Dados Estão Lançados” 
  9. Thiago Pethit – “Mapa-Múndi”, “Forasteiro” 
  10. Tiê“Te Valorizo”, “Sweet Jardim”

Espero que gostem e, claro, a lista está aberta para comentários e sugestões! Obrigada por mais uma semana na companhia de vocês!

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